Carne suína

Preço da carne suína cai puxado pelo milho

Maior consumo de cortes não terá impacto ao produtor e à indústria
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Com espaço tradicionalmente garantido nas festas de final de ano, a carne suína pode ocupar um lugar um pouco maior na mesa dos gaúchos em 2017. Ao menos o lombinho, que teve seu preço ao consumidor reduzido em quase 15% ao longo do ano.

De acordo com o Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe/Ufrgs), o quilo do produto no comércio caiu de R$ 19,16 em dezembro de 2016, em média, para R$ 16,31 no mês em outubro deste ano. O pernil, apesar de também ter retraído, apresentou queda inferior (de 3,17%). 

Os preços menores são reflexo da redução no valor pago pelo produtor em um dos principais insumos da cultura, o milho, de acordo com o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtores de Suínos (Sips), Rogério Kerber. Levantamento da Associação de Criadores de Suínos do Estado (Acsurs) mostra que o preço da saca de milho pago pelo produtor chegou a alcançar R$ 40,50 há um ano, ante os atuais R$ 30,25. Ainda assim, Kerber acredita apenas na estabilidade de consumo neste ano, sem maiores alterações.

"O desemprego ainda está alto, e o custo de vida para a população subiu. Basta ver a gasolina, que sobe a cada semana, praticamente, assim como os reajustes feitos ao longo do ano no gás de cozinha. Isso corrói a renda do consumidor", lamenta Kerber. 

Além do impacto positivo no valor do produto para o consumidor final, a redução no preço do milho deve permitir aos criadores atingirem o equilíbrio econômico na venda, comemora o presidente da Acsurs, Valdecir Folador. "Após um ano complicado, como foi 2016, este ano deve permitir que o produtor consiga até investir um pouco e se capitalizar", avalia Folador. 

De acordo com pesquisa da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), a presença de chester, peru ou pernil suíno na mesa natalina é uma prioridade para quase 60% dos consumidores.

Já na ceia de final de ano, a carne suína predomina em relação às aves e é considerada essencial na composição do jantar dos gaúchos. A alta no consumo neste período só não tem impacto maior para produtor e indústria, avalia Kerber, porque, ao mesmo tempo que se aproximam as festas de final de ano, cai o consumo nos refeitórios empresariais.

O executivo do Sips lembra que o segmento é um dos grandes consumidores de carne suína, e, com entrada de férias, o consumo nestes locais diminui, o que mantém as vendas apenas em equilíbrio em volume. O que muda, diz Kerber, é que a costela servida nos restaurantes empresariais dá espaço a cortes mais nobres durante as festas.

"As carnes preferidas para as festas são preparadas com antecedência e, por isso, não há alta significativa em abates. O pernil consumido agora é industrializado aos poucos, quando as grandes redes começam a fazer suas previsões de compras, o que ocorre mais cedo", diz o representante do Sips.  

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