Preço do café deve se manter estável no mercado internacional

Agronegócio

Preço do café deve se manter estável no mercado internacional

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A atividade da cafeicultura volta a ganhar destaque econômico na agricultura brasileira em função da recuperação dos preços históricos do produto. Depois de anos ruins, com cotações abaixo dos custos de produção, os cafeicultores voltam a deslumbrar um cenário mais favorável para o setor, com a saca do produto sendo cotada a US$ 100, praticamente o dobro em relação à média de preços observados em 2002 e 2003. Os baixos preços da soja e do milho, com perspectivas ruins para os anos seguintes, também aumenta a importância do café para a economia brasileira, setor que gera quase 7 milhões de empregos no País e que provoca um giro econômico grande para os municípios produtores.

A boa notícia é que os preços estão se sustentando e podem seguir em alta até a colheita da safra 2005/06, época em que normalmente os preços tendem a cair em função da entrada de mais produto no mercado. Essa tendência altista pode ser justificada pela queda da produção em relação ao consumo. "Antes havia um déficit de consumo em relação à produção mundial", explica o presidente da Associação dos Cafeicultores de Araguari, Reinaldo Caetano.

No último relatório divulgado pela Organização Internacional do Café (OIC), a previsão para 2005 é de uma produção de 107 milhões de sacas, para um consumo de 114 milhões, ou seja, o déficit esperado para a próxima safra é de 7 milhões de sacas. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), em média, a produção mundial foi de 100 milhões de sacas em 2003 e de 114 milhões de sacas em 2004, enquanto o consumo global foi superior, ficando em 112 e 117 milhões de sacas, respectivamente.

Ainda segundo o estudo, o principal fator de retração da oferta mundial é a redução da produção brasileira frente ao seu potencial produtivo nos últimos anos. Em 2002, a produção chegou a 48 milhões de sacas, número que caiu para 38 milhões de sacas em 2004 em função das sucessivas desvalorizações do grão ou do abandono ou falta de investimento na cultura.

Para completar o quadro, o estoque mundial está mais baixo, em torno de 40 milhões de sacas. A união de todos esses fatores - redução da oferta internacional, queda dos excedentes armazenados e aumento no consumo - será suficiente para manter os preços elevados por um bom tempo, no mínimo mais dois anos, segundo o Ministério da Agricultura.

Para a safra nacional 2005/06, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção será de, no máximo, 33 milhões de sacas, cuja menor oferta é atribuída ao ciclo de baixa produção da lavoura, a bianulidade. A previsão, entretanto, já está sendo contestada pelos produtores, que acreditam que os números estão superestimados. Reinaldo Caetano, também vice-presidente do Conselho das Associações dos Cafeicultores do Cerrado (Caccer), acredita que a produção será menor, de pelo menos 28 milhões de sacas.

Isso porque, apesar da boa florada dos cafezais, não houve um pegamento satisfatório dos grãos, fruto da falta de tratos culturais em função da descapitalização dos produtores. Há ainda os problemas climáticos, onde em algumas regiões não irrigadas as temperaturas afetaram os cafezais.

Em Minas, a produção máxima estimada pela Conab será de 14,2 milhões de sacas e, na região do cerrado, 2,8 milhões de sacas.

Tendência é aumentar os investimentos

A virada do setor teve início em 2004, com o café comercializado à média de US$ 75,89, a saca. No ano, a alta foi de 51% em relação ao mesmo período de 2003, enquanto a soja - um dos produtos mais importantes da agricultura brasileira - caiu 30%.

O atual preço é um reflexo da retração da oferta mundial ocasionada pela redução de investimentos. Com o avanço dos preços, a tendência é que os investimentos sejam elevados e aumentem a produtividade. Para 2006, a estimativa é de que a colheita retome níveis históricos. Além de ser um ano de colheita boa, os recursos injetados agora começarão a dar frutos.

Segundo o diretor do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Guilherme Braga, o investimento em tratos culturais por ano exige cerca de R$ 3 mil por hectare, o que daria um total de R$ 6 bilhões. Nos últimos anos, no entanto, com as sucessivas desvalorizações do grão, muitos deixaram de investir e outros abandonaram a cultura.

Quando o produto está em alta, a situação se inverte e o setor é invadido por novos produtores. Exemplo disso é o aumento da procura por mudas de café no mercado. Na produtora de mudas Kamda, o volume de pedidos para este ano já é semelhante ao do ano passado: cerca de 300 mil mudas. Todas para pequenos produtores do oeste paulista, afirma o gerente da empresa, Vagner Amado Belo de Oliveira. "Há cinco anos, o setor não vivia fase tão boa", diz.

Mas, entre os agricultores mais tradicionais, a palavra de ordem é cautela, garante o superintendente comercial da Cooperativa de Guaxupé (Cooxupé), Lúcio Dias. "Esses produtores estão melhorando as lavouras para elevar a produtividade. Além disso, eles precisam se capitalizar e pagar suas dívidas".


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