Agronegócio

Preço do milho recua no mercado interno

O início da colheita do milho segunda safra contribuiu para uma maior oferta do cereal no mercado e vem provocando recuo nos preços.
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O início da colheita do milho segunda safra contribuiu para uma maior oferta do cereal no mercado e vem provocando recuo nos preços. Em um mês, a cotação do milho retraiu 16% em Minas Gerais e a tendência é de manutenção da queda, porém, os preços devem permanecer acima dos R$ 30 por saca de 60 quilos. Com os preços menores, setores que têm o cereal como principal insumo, como a suinocultura e a avicultura, trabalham com custos pouco menores e a expectativa é recuperar parte dos prejuízos durante o segundo semestre. Apesar da queda recente nos preços do milho, a opção de importar milho não foi descartada.
 
De acordo com o analista da Scot Consultoria, Felippe Damasceno Reis, a queda nos preços do milho se deve ao início da colheita da segunda safra, o que elevou a oferta do cereal no mercado interno. Novas quedas devem ocorrer ao longo das próximas semanas, mas em níveis menos expressivos. Somente na segunda safra serão colhidas 50 milhões de toneladas do cereal no País e 932 mil toneladas em Minas Gerais, queda de 8,4% e 33,7%, respectivamente.
 
“Com o aumento da oferta de milho a partir da segunda quinzena de junho, os preços foram reduzidos, o que favorece as atividades da suinocultura e da avicultura. A perspectiva é de queda contínua no valor do milho, porém, não tão significativas quanto à observada em junho. A tendência é que os preços se mantenham acima dos valores praticados no ano passado devido à quebra de safra. A produtividade no segundo período produtivo do ano foi prejudicada pelos efeitos climáticos”, explicou Reis.
 
Ainda segundo o analista da Scot Consultoria, entre 1º de janeiro e 30 junho foi observada valorização de 37% nos preços do milho. Na comparação de junho de 2016, com igual mês do ano anterior, a elevação ficou em 76%. Nos primeiros seis meses do ano, o preço médio da saca de 60 quilos ficou em R$ 46,44 por saca de 60 quilos, 72,1% acima do praticado em igual período de 2015.
 
Ao longo de junho, os preços recuaram 16%, com o preço inicial de R$ 50 por saca de 60 quilos caindo para R$ 42. “Apesar da queda, os valores ainda estão muito superiores aos praticados em 2015. Para se ter ideia, a cotação atual de R$ 42 por saca está 82% maior que o valor praticado no mesmo período do ano anterior, que era de R$ 23 por saca”, explicou Reis.
 
Suinocultura - Para a suinocultura do Estado a queda nos preços do milho traz um pouco de alívio aos custos de produção. Porém, a cautela será mantida uma vez que as exportações do cereal estão em alta e não está descartada a possibilidade de nova valorização do milho ao longo do segundo semestre.
 
“A queda no preço do milho, sem dúvida, alivia a situação dos suinocultores. A alta estratosférica do cereal que corresponde a 70% da ração dos suínos e chegou a R$ 60 a saca, valor nuca atingido na história da suinocultura, sacrificou muito o setor. Estamos trabalhando desde dezembro com o custo muito elevado e acima o preço de venda. A retração do milho aliviou, mas continuamos sem lucratividade. Esperamos que o setor se recupere no segundo semestre”, disse o presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), Antônio Ferraz.
 
Com perdas produtivas e exportações em alta, o receio do setor é que os valores do milho voltem a patamares elevados ao longo dos próximos meses, quando a colheita da segunda safra for encerrada. Por isso, o segmento não descarta a possibilidade de importar milho.
“Estamos aguardando a chegada do milho argentino no mercado do Espírito Santo, previsto para este mês. Vamos avaliar a qualidade do cereal e, caso necessário, importar.
 
O custo da importação esta equivalente ao praticado, atualmente, no Brasil e pode ser uma alternativa viável caso o valor do cereal valorize”, disse Ferraz.
 
Trabalhando com um custo médio de R$ 4,50 por quilo do suíno vivo e preço de venda em torno de R$ 4,60, muitos suinocultores estão com a capacidade de produzir comprometida. A situação, segundo Ferraz, pode fazer com que a oferta de animais para o abate ao longo do segundo semestre fique abaixo da demanda, o que elevará os preços. O preço médio do quilo do suíno vivo praticado em junho foi de R$ 4,55.
 
“A tendência é de valorização dos preços em função da escassez de carne suína, já que muitos produtores não conseguiram manter o plantel e abandonaram a atividade”, explicou Ferraz.
 
Brasil será o maior produtor de soja
 
O Brasil será o maior produtor de soja do mundo nos próximos dez anos e irá superar os EUA. Mas os exportadores nacionais não devem esperar por mais uma era de preços elevados de commodities.
 
A constatação faz parte do informe sobre o futuro da agricultura no mundo até 2025 produzido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura - FAO e que destaca que o Brasil responderá por uma parte significativa da expansão agrícola nos próximos dez anos. A desvalorização do real deve permitir um aumento das vendas no curto prazo. Mas será compensada por uma estagnação de preços por uma década em diversos setores.
 
O abastecimento do mercado global dependerá em 80% de um aumento de produtividade no campo. Mas a projeção aponta para a ocupação de 42 milhões de hectares de terras extras no mundo para a produção agrícola até 2025, uma expansão de apenas 4% em relação ao montante usado em 2015. E isso ocorrerá em grande parte por conta da expansão da fronteira agrícola no Brasil e Argentina. Juntos, os dois países serão responsáveis por perto de 20 milhões de hectares extras plantados.
 
“A América Latina continua sendo a maior fonte de expansão de área agrícola no mundo, com um total de aumento de 25% e com a soja liderando a maioria dessa expansão “, indicou a FAO. “O Brasil vai se transformar no produtor mais importante de soja até 2025, com uma produção atingindo 135 milhões de toneladas”, disse a entidade, apontando que o volume será suficiente para abastecer tanto o setor de óleos vegetais como proteína para animais.
 
No Brasil, a aquacultura deve sofrer uma expansão de 40% até 2025, enquanto o algodão promete ser um dos destaques da década, “As exportações do Brasil devem dobrar de 700 mil toneladas de algodão para 1,5 milhões, fazendo do Brasil o segundo maior exportador do mundo”, disse a entidade. Segundo a FAO, a China continuará sendo o maior importador do mundo.
 
Segundo as projeções da FAO, a queda do real deve ainda ajudar o setor do açúcar no BrasilA entidade estima que a proporção da produção nacional que irá para o etanol deve ser reduzida, para cerca de 57%. No mundo, a proporção do açúcar ao combustível, porém, deve aumentar de 20,7% para 22,3% até 2025.
 
Num primeiro momento, a FAO estima uma queda da participação do Brasil no mercado mundial de açúcar. Mas, até 2025, o País voltará a ocupar 41% do mercado.A entidade aponta que, com a queda na produção desde 2013, o superávit mundial no setor deve acabar, também levado pelo aumento do consumo. Se no Brasil, Austrália e Rússia a produção continuará a se expandir, ela vai sofrer uma redução na Índia e UE.
 
Assim como em outros setores, a FAO não estima um aumento de preços que acompanhe o incremento na produção. Mas, com um real desvalorizado, o Brasil pode ser beneficiado.
 
No segmento do etanol, o mercado mundial deve continuar a ser dominado por EUA e Brasil. Por conta da demanda doméstica, a produção nacional deve ser elevada em 25%, enquanto os EUA devem ser uma queda. A FAO prevê uma expansão maior nos preços do etanol na próxima década. Mas isso graças à recuperação nos preços do barril do petróleo.
 
A FAO também destaca como a participação do Brasil nas exportações de carne deve chegar a 26%, “contribuindo por quase metade da expansão esperada nas vendas de carnes no mundo durante o período projetado”. 

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