Os preços mínimos de 17 produtos extrativos atendidos pelo programa Sociobio Mais foram atualizados para a safra de 2027, com reajustes de até 106,45% para a macaúba nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. A medida foi estabelecida pela Portaria nº 965, de 3 de novembro de 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 4 de novembro, com vigência de janeiro a dezembro de 2027.
Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), responsável pelo cálculo dos valores, os maiores aumentos percentuais em relação aos preços mínimos de 2026 também contemplam a castanha-do-Brasil, com reajuste de 94,82% na região Norte e em Mato Grosso. O pequi teve elevação de 66,67% em todas as regiões produtoras, enquanto a piaçava registrou alta de 58,24% na região Norte.
Os novos valores buscam contribuir para a remuneração dos produtores extrativistas e reduzir as oscilações de renda nas cadeias produtivas associadas à conservação dos biomas brasileiros. A atualização contempla diferenças regionais e estaduais, de acordo com a procedência dos produtos.
Macaúba, castanha-do-Brasil e pequi lideram reajustes
Além dos maiores aumentos, a portaria estabelece correções para outras espécies e produtos do extrativismo. A borracha natural teve reajuste de 39,32%, enquanto o pinhão registrou aumento de 33,69% na região Sul e de 31,53% em Minas Gerais e São Paulo. O pirarucu de manejo teve elevação de 32,77%, seguido pelo babaçu, com 30,71%. Para a andiroba, o reajuste foi de 24,13%, enquanto o murumuru teve alta de 21,85%.
A macaúba também recebeu correção de 19,30% nas regiões Nordeste e Norte. Já a juçara teve aumento de 12,41% na região Sul, e o baru, de 9,52%.
Entre os demais produtos, o preço mínimo do umbu subiu 8,82%. A mangaba teve reajuste de 6,80% no Nordeste e de 5,15% nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.
Cinco produtos mantêm os preços mínimos de 2026
Apesar das atualizações, cinco produtos extrativos mantiveram os preços mínimos vigentes em 2026, conforme a distribuição geográfica dos biomas de procedência. São eles o açaí; o buriti na região Norte; o cacau nos estados do Acre, Amazonas, Amapá e Pará; a juçara na região Sudeste; e a piaçava na Bahia.
A piaçava também passou por uma nova regionalização dos preços mínimos, com valores separados para as regiões Norte e Nordeste. A medida considera a distribuição regional da atividade extrativista.
A relação completa dos preços, organizada por produto, unidade de comercialização, região e estado, está disponível na Portaria Mapa nº 965, de 3 de novembro de 2026.
Sociobio Mais prevê apoio financeiro a produtores extrativistas
O Programa de Valorização da Sociobiodiversidade e do Extrativismo (Sociobio Mais) busca incentivar a conservação dos biomas nativos, contribuir para a redução do desmatamento e minimizar os efeitos das mudanças climáticas. A iniciativa também tem como objetivo gerar renda para populações que vivem nos territórios abrangidos pelos 17 produtos extrativos incluídos na lista de preços mínimos. Essas comunidades dependem dos recursos naturais para sua reprodução socioeconômica e cultural.
A Conab apoia a comercialização por meio da Subvenção Direta ao Produtor Extrativista (SDPE). O mecanismo prevê o pagamento de um bônus ao produtor quando for comprovada a venda do produto por valor inferior ao preço mínimo estabelecido pelo Governo Federal, com base em pesquisas realizadas pela Companhia.
Os preços mínimos são fixados pelo Conselho Monetário Nacional e funcionam como referência para a política de apoio à comercialização. Com os novos valores para 2027, o programa atualiza os parâmetros de remuneração de produtos ligados ao extrativismo e à conservação da biodiversidade brasileira.