Em janeiro, os preços mundiais do arroz subiram em média 2%, estimulados pela nova demanda e por causa da fraca oferta. Os preços tailandeses tiveram aumentos significativos, marcando o nível mais alto desde julho de 2021. Em contraste, os preços indianos permaneceram relativamente estáveis em meio a relatos de possíveis aumentos devido à falta de transporte ferroviário para levar o arroz aos portos de embarque. Na realidade, os aumentos observados foram devidos mais à valorização da rupia indiana do que a problemas logísticos. O Vietnã começou o ano em queda dos preços pelo terceiro mês consecutivo. Os últimos números consolidados do comércio mundial indicam um salto de 12,5% para 51,2 Mt contra 45,6 Mt em 2020. Eles confirmam a supremacia da Índia, cujas exportações atingiram um volume recorde de 21,4 Mt, já 42% do comércio mundial. O Vietnã e a Tailândia também aumentaram suas vendas externas, mas tendo exportado respectivamente "apenas" 6,6 Mt e 6 Mt.
A liderança da Índia deve manter-se em 2022, apesar de um possível declínio em suas exportações, e da nova recuperação das vendas tailandesas. Os exportadores estão na expectativa dum aumento adicional do consumo mundial e do comércio mundial para 53,1 Mt. Em janeiro, o índice OSIRIZ/InfoRice (IPO) subiu 3 pontos para 189,0 pontos (base 100=janeiro de 2000) contra 186,0 pontos em dezembro. No início de fevereiro, o índice IPO estava fraco em torno de 189 pontos.
Produção mundial
Segundo estimativas da FAO, a produção mundial do arroz em 2021 aumentou 0,7% para 779 Mt (517 Mt base beneficiado) contra 773,7 Mt em 2020. A produção asiática aumentou graças a uma safra recorde na Índia. A produção melhorou também na China, Tailândia e Vietnã. Nos Estados Unidos, a produção contraiu 10% em 2021 devido a uma redução das áreas plantadas substituídas por culturas mais lucrativas (milho, soja). No Mercosul, a produção no Brasil melhorou em 4,5% em relação a 2020. Entretanto, poderia cair para 1,5% em 2022. Na África subsaariana, a produção de arroz voltou a sofrer das más condições climáticas, especialmente na África Ocidental. Em Madagascar, estima-se que a produção também tenha diminuído 3,5% em 2021.
Comércio e estoques mundiais
Em 2021, o comércio mundial do arroz aumentou significativamente em 12,5% para 51,2 Mt contra 45,6 Mt em 2020. Este é o maior aumento desde 2017. As necessidades de importação aumentaram 10% no sul da Ásia, especialmente no Bangladesh. As importações chinesas também aumentaram, bem como na África subsaariana, onde se observou um forte crescimento, especialmente na Nigéria com a reabertura de suas fronteiras terrestres no final de 2020. A Índia bateu todos os recordes de exportação em 21,4 Mt, melhorando de 48% de seu recorde anterior em 2020 e respondendo por 42% do comércio mundial. A Tailândia, apesar de um forte aumento nas vendas externas durante o segundo trimestre do ano, permanece na terceira posição atrás do Vietnã, cujas vendas aumentaram em 5,5% em 2021. Em 2022, as primeiras projeções indicam um aumento adicional no comércio mundial, mas de apenas 3,6% para 53,1 Mt.
Os estoques mundiais de arroz no final de 2021 teriam aumentado apenas 0,4% para 187,4 Mt contra 186,7 Mt em 2020, representando 36% das necessidades mundiais, ficando dentro da média dos últimos cinco anos. Isto se deve principalmente ao aumento dos estoques indianos graças às boas colheitas em 2021. Por outro lado, os estoques chineses ficaram em queda de 0,5%, mas ainda são significativos, equivalentes a 70% do consumo anual e 55% dos estoques mundiais. Os estoques nos principais países exportadores aumentaram novamente em 2020/21 em 5% para 52 Mt, o equivalente a 28% dos estoques mundiais.
Na Índia, os preços do arroz permaneceram relativamente estáveis. O aumento anunciado após problemas logísticos no transporte ferroviário acabou sendo bastante moderado. Além disso, no final de janeiro, os preços mostravam-se fracos devido à valorização da rupia em relação ao dólar. A Índia se destacou ao estabelecer um novo recorde de exportação de 21,4 Mt, equivalente a 42% do comércio mundial. O último resultado similar foi em 1930, quando a Birmânia exportou 2,9 Mt, já 40% do comércio mundial (7,3 Mt) naquela época. Em janeiro, o arroz indiano 5% quebrado marcou $ 342/t Fob contra $ 344 em dezembro. No início de fevereiro, os preços tendiam a enfraquecer.
Na Tailândia, os preços subiram significativamente em média 7,5%, em parte devido à valorização do bath tailandês em relação ao dólar, mas principalmente por causa duma maior demanda externa. Em janeiro, as vendas externas teriam atingido 785.000 t contra 730.000 t em dezembro. Em 2021, as exportações tailandesas aumentaram 6% para 6,1 Mt. Em 2022, as autoridades tailandesas preveem um novo aumento nas vendas externas, esperando alcançar entre 7,5 Mt e 8 Mt. Em janeiro, o preço médio do arroz Tai 100%B foi de $ 414 contra $ 385 em dezembro. O arroz parboilizado também subiu para $ 404 contra $ 384 anteriormente. O quebrado A1 Super subiu para $ 366 contra $ 348. No início de fevereiro, os preços tendiam a se enfraquecer.
No Vietnã, os preços de exportação diminuíram finalmente 1%, depois de começar o ano mais firme. A batalha comercial entre exportadores continua feroz, forçando o Vietnã a se alinhar com os preços de seus concorrentes. No início de fevereiro, os preços ainda estavam baixos devido às férias do Ano Novo Lunar. Em 2021, as exportações vietnamitas aumentaram em 5,5% para 6,5 Mt contra 6,2 Mt em 2020. Em janeiro, os Viet 5% foi negociado a $ 397 contra $ 403 em dezembro. O Viet 25% marcou $ 378 contra $ 381 anteriormente.
No Paquistão, os preços do arroz subiram em média 3% após de novas demandas da África Oriental. Entretanto, no final de janeiro, a demanda tendeu a vacilar, forçando os exportadores a ajustar suas ofertas. No início de fevereiro, os preços permaneciam fracos. Em 2021, as exportações paquistanesas atingiram 3,9 Mt contra 4,0 Mt em 2020, marcando um declínio de 2%. Em janeiro, Pak 25% foi negociado a $ 336 contra $ 325 anteriormente.
Na China, as importações aumentaram significativamente para 4,5 Mt em 2021, em função dos altos preços internos. A China tira proveito de preços externos mais atraentes para compensar o déficit de produção em relação às necessidades de consumo. O Vietnã continua sendo seu principal fornecedor, mas diversificando suas fontes de abastecimento principalmente da Tailândia, Birmânia, Índia e Paquistão.
Nos Estados Unidos, os preços do arroz permaneceram estáveis dentro de um mercado lento no início do ano. Estima-se que a oferta tenha caído 15% devido a uma queda da produção em 2021; ela poderia diminuir novamente em 2022. Portanto, os preços de exportação devem permanecer firmes nos próximos meses. Em janeiro, as exportações atingiram 210.000 t contra 267.000 t em dezembro. Em 2021, as vendas externas atingiram 3,1 Mt, um nível equivalente ao ano anterior. Em janeiro, o preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 permaneceu inalterado em $ 591/t. No início de fevereiro, o preço estava firme em $ 600. Na Bolsa de Chicago, os preços futuros do arroz paddy subiram 4,3% para $ 324/t contra $ 310 em dezembro. No início de fevereiro, os preços ficavam firmes em $ 338. No Mercosul, os mercados de exportação começaram o ano relativamente lentos. Em janeiro, as exportações brasileiras caíram 37% em relação a dezembro para 75.000 t (base beneficiado), mas quatro vezes maiores que em janeiro de 2021. As exportações uruguaias também diminuíram para 27.000 t contra 73.000 t em dezembro, já 55% inferiores que em janeiro de 2021. O preço indicativo do arroz paddy brasileiro se valorizou 3% a $ 227/t contra $ 221 em dezembro.
No início de fevereiro, o preço do arroz permaneceu significativamente firme para $ 258 devido à valorização do real em relação ao dólar. Na África subsaariana, a produção 2021/2022 marcou uma contração geral de 1%. As principais regiões produtoras de arroz foram afetadas por secas, ou inundações em alguns lugares, durante o período vegetativo. Insegurança e falta de insumos também afetaram as colheitas. Estima-se que as importações teriam atingido um volume recorde de 17,8 Mt em 2021 contra 15,6 Mt no ano anterior. Em 2022, a oferta local de arroz será limitada e as projeções de importação indicam, por enquanto, um novo volume recorde de quase 20 Mt, equivalente a 40% do comércio mundial. A Índia já é o principal fornecedor da África e poderia melhorar sua posição nos próximos anos, se seus preços de exportação permanecerem os maiscompetitivos no mercado mundial.