Presidente da ABIPECS diz que a crise não nos pegou no contrapé
Para Pedro de Camargo Neto, "a política monetária tem sido atuante. Mas precisa incorporar a alteração da pressão inflacionária, reduzindo os juros no sentido de facilitar o crescimento econômico"
"O Brasil apresenta um nível de reservas internacionais nunca atingido. Tem como reagir à especulação e, mais do que isso, a uma reversão do fluxo financeiro que vinha beneficiando a entrada de recursos. Possuímos um sistema bancário sanado, com focos isolados de problemas, mesmo que graves e exigindo rápido equacionamento", avalia o presidente da ABIPECS.
Camargo Neto acredita que "não estão claros ainda a localização e o tamanho da esperada recessão, e os efeitos na redução da demanda incorporarão a característica de inelasticidade dos alimentos".
Sobre a queda dos preços agrícolas no mercado internacional, Camargo Neto diz que "precisa ser compensada pelo ajuste cambial. O setor vinha sofrendo muito com uma relação cambial distorcida pela entrada de enorme fluxo financeiro que se reverterá. Esperamos que o governo compreenda este fato e não desperdice recursos tentando mascarar esta importante alteração do quadro global".
O presidente da ABIPECS é taxativo: "o setor, que amargava custos elevados, precisa agora da desvalorização cambial para enfrentar o acirramento da concorrência, mantendo mercados e deslocando concorrentes".
Camargo Neto avalia que "o importante, agora, é o governo usar a sua capacidade de ação, não imaginando ser possível nos isolar, porém, minimizando os efeitos da crise, no sentido de preservação de um mercado interno pujante. A agricultura está pronta para novamente apoiar o crescimento econômico". As informações são da assessoria de imprensa da ABIPECS.