Primeiro caso de vaca louca nos EUA pode ter origem no Canadá
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Agronegócio

Primeiro caso de vaca louca nos EUA pode ter origem no Canadá

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O diretor para a área se veterinária, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Ron DeHaven, informou ontem que a origem do animal infectado com o mal da vaca louca encontrado em uma fazenda em Washington é provavelmente o Canadá. O animal teria sido importado há cerca de dois anos com um lote de animais que veio da província de Alberta, no Canadá, localidade onde um animal infectado foi descoberto em maio, afirmou um funcionário do Departamento de Agricultura.

A notícia de que havia sido constatado o primeiro caso da doença da vaca louca nos Estados Unidos foi divulgada no fim da tarde do dia 23. As autoridades aguardaram o fechamento dos mercados para dar a informação na tentativa de evitar o impacto das cotações das redes de fast food. Mesmo assim, durante a semana passada o efeito da informação foi devastador, com a queda significativa nas cotações dos papéis de empresas, como McDonald‘s.

Os primeiros sintomas da doença em uma vaca leiteira da raça Holstein foram detectados dia 9. Uma amostra de seu tecido foi enviada para laboratórios da Inglaterra, que confirmaram a doença. A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Ann Veneman, disse que os riscos para a saúde humana são mínimos, mas, mesmo assim, segundo declarou, todas as medidas de precaução seriam tomadas.

Origem da doença

Registros sugerem que a vaca leiteira, cuja doença foi detectada em um abatedouro, em Yakima, no estado de Washington, chegou aos Estados Unidos, em 2001, através do estado de Idaho, como parte de um lote de 74 animais, disse Ron DeHaven. Os testes de DNA serão usados para estabelecer a origem dos animais, afirmou ele.

"O que temos é uma identificação positiva de uma etiqueta da orelha que foi recuperada do animal no abatedouro e os registros no Canadá com aquele mesmo número da etiqueta da orelha", declarou em um comunicado à imprensa, distribuído pelo Usda, em Washington. "Não tivemos plenas condições de estabelecer se o rebanho do Canadá foi a origem".

Brian Evans, diretor executivo para a área de produtos de origem animal da Agência Canadense de Inspeção Alimentar, disse em entrevista coletiva que seria "prematuro" afirmar que o caso da doença da vaca louca teve origem no Canadá.

Japão, Coréia do Sul e México, maiores mercados de exportação para a carne bovina dos Estados Unidos, suspenderam as importações desde terça-feira, quando os Estados Unidos anunciaram que havia sido detectado animal com o cérebro debilitado, o que indicava a presença da doença conhecida como encefalopatia espongiforme bovina (EEB). Desde então, os preços da carne despencaram em níveis máximos permitidos pela Bolsa Mercantil de Chicago.

"Isso representa um retrocesso para o setor de carne bovina canadense justamente no momento em que estava tentando reconquistar a normalidade", afirmou o vice-presidente da Associação da Indústria de Ração Bovina de Alberta, que representa 400 operadoras que maneja 2,5 milhões de cabeças anualmente. Os Estados Unidos podem novamente fechar totalmente a fronteira para as exportações de carne bovina canadense.

Terry Stokes, principal executivo da Associação Nacional de Pecuaristas de Carne Bovina dos EUA, declarou em um comunicado que a entidade "insiste veementemente que nossos parceiros comerciais reabram as suas fronteiras para as exportações de carne bovina norte-americana". Ele afirmou que os padrões estabelecidos por uma entidade internacional para a saúde animal "reconhecem que a carne pode ser comercializada com segurança a partir de países que identificaram casos de EEB".

O dr. Kenneth Petersen do Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar do Usda declarou em um comunicado que a carne produzida pelo animal infectado foi embarcada para os estados de Washington, Oregon, Califórnia e de Nevada, principalmente na forma de carne moída. Ele disse que considerando que a carne foi produzida na forma de bolinhos de carne moída, já pode ter sido comprada e consumida.

Medidas de segurança

Quatrocentos bezerros em quarentena, incluindo uma cria da primeira vaca nos Estados Unidos, portadora da EEB, deverão ser sacrificados, anunciou o Usda. Ron DeHaven, veterinário do Usda disse que a presença da vaca contaminada no rebanho não significa que todos os demais estejam infectados.

O Canadá detectou, em maio, uma vaca com EEB em Alberta, mas não conseguiu determinar a origem da contaminação. Caso as autoridades norte-americanas e canadenses confirmem que a vaca infectada no estado de Washington veio do Canadá, o mercado exportador de carne bovina dos Estados Unidos poderá estar salvo, já que o país continuará sem apresentar nenhum caso da "vaca louca".


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