Produção artesanal de bioinsumos gera economia para agricultores em Estiva
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Imagem: Marcel Oliveira
AGRICULTURA

Produção artesanal de bioinsumos gera economia para agricultores em Estiva

Conhecida como a terra do morango, Estiva concentra um grande número de agricultores familiares
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Conhecida como a terra do morango, Estiva, no extremo sul de Minas Gerais, concentra um grande número de agricultores familiares. E, para esses produtores rurais, cada real gasto na lavoura pesa muito no final das contas. É justamente uma grande economia o que propõe o Projeto de Multiplicação Artesanal de Agentes Biológicos, realizado pelo extensionista Antonio Augusto de Alvarenga Carvalho e pelo coordenador regional de Olericultura da Emater-MG, Raul Maria Cassia.

A ideia é ensinar a produção, dentro das propriedades rurais, de bioinsumos, capazes de combater pragas e doenças nas lavouras, principalmente de hortaliças e frutas. “O custo dos produtos comerciais são elevados. Em resumo, a ação gera economia para os agricultores de R$ 80,00 a R$ 200,00 por litro produzido”, explica Antonio Augusto.

Outros benefícios do projeto são a troca de substâncias químicas por ingredientes naturais, o que reduz o impacto da agricultura na saúde dos trabalhadores rurais e reduz os resíduos tóxicos no meio ambiente. E, ainda no aspecto econômico, o agricultor que aprende a fazer os insumos biológicos pode ainda repassar a tecnologia para os vizinhos, e, por que não, lucrar com a venda dos insumos artesanais.

A marca registrada do município de Estiva, o morango, é justamente uma cultura que exige muitos cuidados no controle de pragas, como os ácaros, e doenças provocadas por fungos. Quem passa entre as montanhas do Sul de Minas e enche os olhos com as lavouras verdinhas não imagina o tanto de trabalho que dá manter todas as plantas livres de invasores nocivos.

A ideia de incentivar a multiplicação artesanal dos agentes biológicos surgiu a partir de uma pesquisa realizada pelo coordenador da regional da Emater-MG em Pouso Alegre Raul Maria Cassia, que estudou o assunto no Instituto Biológico de São Paulo. A parceria com Antonio Augusto, extensionista da Emater-MG em Estiva, fez o projeto ir adiante, com grande utilização pelos agricultores familiares do município.

Com a tecnologia adequada, os técnicos começaram a fazer a multiplicação artesanal dos agentes biológicos: o fungo Trichoderma harzianum e dois tipos benéficos de Bacillus (bactérias), e repassaram a tecnologia para os agricultores familiares. A utilização de materiais simples e a facilidade do processo entusiasmaram os produtores. Por exemplo, em uma das etapas, é necessário utilizar uma autoclave, equipamento que serve para a esterilização de materiais, por meio de calor úmido e sob pressão.

Com recursos limitados, o jeito foi usar a criatividade. E então, uma simples panela de pressão, com brita no fundo e pequenas ripas por cima já se transformou na autoclave artesanal. Como matérias-primas, além dos microorganismos a serem multiplicados, os técnicos usam materiais comuns, como leite do tipo UHT (de caixinha), açúcar mascavo, arroz, saquinhos plásticos e água.

Apesar da simplicidade do processo, os técnicos alertam que é necessário seguir rígidos critérios técnicos, como na etapa da inoculação dos agentes no meio de cultura. Se houver algum tipo de contaminação nessa fase, pode-se perder todo o trabalho. O material pronto serve para utilização em tratamento de sementes e mudas; preparação dos sulcos ou covas de plantio; pulverização foliar ou com jato dirigido nas plantas; aplicação por gotejamento e até para enriquecer o composto orgânico. E, além da agricultura orgânica, a agricultura convencional também pode se beneficiar desses bioinsumos.


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