Produção de celulose mantém nível de 2010 e exportações crescem
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Agronegócio

Produção de celulose mantém nível de 2010 e exportações crescem

Para enfrentar a crise, setor buscará aumentar a produtividade das operações
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Para enfrentar a crise, setor buscará aumentar a produtividade das operações

A produção brasileira de celulose deverá fechar 2011 totalizando 14,2 milhões de toneladas, mantendo o nível de 2010, segundo estimativas da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). A produção de papel deverá chegar a 9,8 milhões de toneladas, também permanecendo estável em relação ao ano passado. A receita de exportação deste ano deverá somar US$ 7,2 bilhões, o que representa elevação de 6,4% em relação a 2010. O desempenho de 2011 e as expectativas do setor de celulose e papel para os próximos anos foram apresentados pela Bracelpa, nesta quarta-feira, em São Paulo.


Ainda distante dos níveis anteriores à crise financeira de 2008, a Europa foi o principal destino da celulose brasileira, totalizando 46% da receita de exportação do produto, seguida da China e da América do Norte, respectivamente com 25% e 19% da receita de exportação. Em relação ao papel, os países da América Latina permaneceram como principal mercado e foram responsáveis por 56% da receita de exportação, seguidos por Europa e América do Norte, responsáveis por 18% e 10% da receita de exportação, respectivamente.

“Os resultados são positivos, pois o setor manteve o patamar de 2010, considerado um ano de bom desempenho. Mas, o cenário da economia mundial é preocupante. Por isso, no curto prazo, as empresas de celulose e papel, influenciadas pela instabilidade nos principais mercados mundiais, adotarão medidas austeras, para contenção de caixa”, afirma Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Bracelpa.

Entre os fatores que levam à adoção dessa postura, Elizabeth destaca o aumento da volatilidade do mercado financeiro internacional, o enfraquecimento da atividade econômica na Zona do Euro, as altas taxas de desemprego nos Estados Unidos e as incertezas em relação à China, que sofrerá os impactos da crise. No cenário brasileiro, a redução das expectativas em relação à atividade econômica, o risco de aumento da inflação, a questão cambial e o reflexo da economia internacional sobre as commodities são os principais fatores que influenciam, hoje, as atividades da indústria.


Perspectivas – No médio e longo prazos, a expectativa do setor de celulose e papel é avançar nos planos de expansão da base florestal. As empresas estão se preparando para investir em tecnologias de plantio florestal ainda mais avançadas, baseadas em estudos genéticos. Entre os fatores que favorecem essa perspectiva, destacam-se os dados da Organização das Nações Unidas para

Agricultura e Alimentação (FAO), que, em outubro deste ano, anunciou que a população mundial ultrapassou a marca de sete bilhões de habitantes, prevendo que, em 2025, o planeta terá oito bilhões de pessoas.

Esse crescimento populacional demandará um esforço global para alimentar, vestir e dar conforto aos habitantes do planeta, sem exaurir os recursos naturais. “Preservando as matas nativas, as florestas plantadas para fins industriais poderão suprir a necessidade de matéria-prima para a produção de madeira, lenha, carvão para uso energético, diferentes tipos de papel (de embalagens, papelcartão, para fins sanitários e de imprimir e escrever) e outros produtos de amplo consumo. Isso representa uma grande oportunidade para o Brasil nos próximos anos, pela excelência alcançada no plantio florestal”, esclarece Elizabeth.

Por esse motivo, a Bracelpa está pleiteando que as florestas plantadas passem a integrar os principais fóruns mundiais sobre economia verde. “Um dos principais focos desse debate é a biotecnologia”, diz Elizabeth. Segundo ela, a aplicação de novas técnicas de cultivo florestal será essencial para suprir a demanda crescente de alimentos, biocombustíveis, fibras e florestas – os chamados 4 F’s – Food, Fuel, Fiber, Forests. Isso permitirá aprimorar o uso da terra, da água, de energia e demais recursos naturais, em busca de uma produção cada vez mais sustentável. “Por isso, a comunidade internacional precisa avaliar, ampla e conjuntamente, os riscos e oportunidades da utilização da biotecnologia”, completa Elizabeth.


Créditos de Carbono – O setor de celulose e papel também quer mostrar que, por estocar carbono, as florestas plantadas representam uma alternativa viável para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Estimativas baseadas em metodologias aprovadas pela United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC) indicam que o setor de base florestal brasileiro, considerando-se somente os estoques de carbono nas áreas de florestas plantadas, estoca aproximadamente 1,3 bilhão de toneladas de CO2equivalente (CO2e) – medida que permite calcular em uma mesma base a emissão de todos os gases do efeito estufa baseado no potencial de aquecimento global de cada um. Esse volume representa mais da metade de todas as emissões do Brasil em 2005.

“Somente a indústria de celulose e papel contribui com o estoque médio de aproximadamente 440 milhões de toneladas CO2e, enquanto as emissões anuais nos processos industriais do setor não passam de 6,5 milhões de toneladas de CO2e, volume praticamente irrelevante se comparado aos benefícios das remoções líquidas”, compara Elizabeth. “Por isso, de um lado, propomos a valorização internacional dos créditos de carbono florestais. De outro, é importante que o governo brasileiro inclua os mecanismos de crédito de carbono florestal nas estratégias para cumprimento dos compromissos nacionais voluntários de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas”, explica.

A presidente executiva da Bracelpa destaca também que, do ponto de vista social, o plantio florestal gera empregos e renda de populações distantes dos grandes centros urbanos, colabora para reduzir a pobreza e inclui produtores familiares na cadeia da economia. Além disso, estimula investimentos em educação e capacitação profissional, projetos de cultura e esporte e programas de saúde e bem-estar.


“O setor trabalha nessa visão de longo prazo, baseada no tripé da sustentabilidade, que reforça o potencial de crescimento da indústria de base florestal no Brasil,” avalia Elizabeth. Para ela, os três pilares – econômico, ambiental e social – precisam ter o mesmo peso nos debates e negociações internacionais em andamento. É preciso conciliar o crescimento da produção para suprir a demanda com preservação ambiental e desenvolvimento social. Paralelamente, mitigar os efeitos das mudanças climáticas precisa ser economicamente viável e proporcionar benefícios sociais.

“Tudo está interligado e a indústria de celulose e papel está preparada para atuar nas três frentes, o que representa uma perspectiva otimista. É preciso dar início a esse debate sobre biotecnologia e valorização dos créditos de carbono florestais e a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que será realizada em junho de 2012, oferece condições para isso”, conclui Elizabeth.

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