Produção de grãos no Norte de Minas pode cair

Agronegócio

Produção de grãos no Norte de Minas pode cair

Como a distribuição de sementes foi tardia por causa do período eleitoral, há a possibilidade de haver uma queda na estimativa de produção
Por: -Valéria Esteves
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Tempo bom para plantio de grãos, abóboras, alface e cenouras. A Emater regional de Montes Claros informa que, como a distribuição de sementes foi tardia por causa do período eleitoral, e aconteceu em novembro, época em que já havia chovido na região, há a possibilidade de haver uma queda na estimativa de produção.

Quanto às hortaliças, essas que se comportam bem ao verão, como cenoura, alface, abóboras, quiabo, entre outras, estão com preços em baixa, mas o tomate e pimentão sofrem com esse clima chuvoso e úmido por serem sensíveis sendo pegos por pragas e doenças. Por isso, nos sacolões as donas de casa podem encontrar tomates e pimentões a preços mais altos.

Segundo o técnico em Agropecuária, José Arcanjo Marques, deve haver redução de áreas de milho, e o mais relevante nesses dados é que o produtor está descapitalizado e os custos de insumos sofreram alta, o que deve contribuir com a redução das estimativas de produção de grãos no Norte de Minas.

Só de grãos devem ser plantados cerca de 194 mil hectares na safra 2006/07.

A Emater regional diz, ainda, que desse total, 99 mil hectares são voltados para a produção de milho, considerado o mantenedor das propriedades familiares, sendo alimento básico e nobre ao mesmo tempo. O plantio começou no mês de outubro.

Bem assim definiu o milho, Reinaldo Nunes de Oliveira, coordenador técnico da Emater ao dizer que o grão é elementar na agricultura familiar, principalmente por fazer com que se obtenha leite, carne, energia e ovos.

Como as chuvas vieram antes do tempo, algumas terras ainda não estavam preparadas, mas isso parece não ser problema, segundo Marcos Eugênio Sampaio, que explica que o milho, arroz, feijão, soja e capim já estão sendo plantados.

A expectativa é de que sejam produzidas cerca de 350 mil toneladas de grãos só no Norte de Minas nessa safra, o que equivale a 60% a mais da quantidade obtida no último ano, quando a lavoura foi prejudicada pelo veranico.

O plantio de café no estado de Minas Gerais também deve ser comprometido, conforme informou a Cooxupé - Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé, maior representante do setor. Segundo a cooperativa, a próxima colheita será, no mínimo, 37% inferior à safra 2006/07. Se a estimativa se confirmar a produção deverá sair de 41,6 milhões de sacas (de 60 quilos), para 26,3 milhões de sacas.

Segundo o gerente de desenvolvimento técnico da Cooxupé, Joaquim Goulart de Andrade, esta redução pode ocorrer porque parte dos cafezais mineiros não floresceu.

Tradicionalmente, considerando as características normais da cafeicultura - cuja produção oscila entre uma safra e outra - a safra poderia cair entre 20% e 30%. Com o novo cenário, os preços do café pagos aos produtores tendem a se elevar.

O principal problema climático está relacionado ao déficit hídrico nas principais regiões produtoras de café, em municípios do Sul de Minas Gerais, do Cerrado Mineiro e de parte de São Paulo. O índice de precipitação, segundo a Cooxupé, entre abril e setembro deste ano foi de 126,4 milímetros, quando a média dos últimos 23 anos foi de 287 milímetros de chuvas. O índice deste ano foi inferior ao da safra 1995/96 (139 milímetros), quando houve a menor colheita da história do café por falta de chuva.

Os cafezais não florescem com a falta de chuva, o que provoca queda na produção. Além do déficit hídrico, o frio atípico na primeira semana de setembro contribuiu para comprometer o desempenho das lavouras. As incidências de chuvas em Minas Gerais agora em outubro não foram suficientes para recuperar a florada dos cafezais.

Safra Norte-mineira

A probabilidade de a safra se superar é grande. Só em Montes Claros o milho terá uma área de três mil hectares.

- Até agora choveu mais de 10% da quantidade esperada e, como as chuvas se anteciparam muito, agricultores tiveram que apertar o passo para acompanhar o período chuvoso. Antigamente chovia no Norte de Minas em novembro e por isso a surpresa - conclui Arcanjo.

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