Produção de leite no RN pode cair 30%

Agronegócio

Produção de leite no RN pode cair 30%

Um dos principais problemas enfrentados pelos criadores diz respeito à alimentação do gado
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A produção diária de leite no Rio Grande do Norte poderá ser reduzida em mais de 30% este ano, pressionada por uma combinação de fatores que inclui escassez de pasto e de ingredientes básicos para a composição de ração, aumento de custos desses produtos no mercado e atrasos de pagamento aos fornecedores do governo. O cenário de dificuldades tem afetado não só o bolso dos criadores de gado, mas também o potencial de produção do rebanho, de acordo com o presidente do Sindicato dos Produtores de Leite, Lirani Dantas. Outras entidades que representam o setor pecuarista fazem coro sobre as dificuldades - agravadas, de acordo com os relatos, no decorrer dos últimos dois meses.

Um dos principais problemas enfrentados pelos criadores diz respeito à alimentação do gado. A seca registrada este ano prejudicou o pasto e foi preciso buscar de forma mais intensa alternativas como a torta de algodão e a ração feita a partir de produtos como farelo de trigo, soja e milho. “Só que está difícil comprar esses produtos”, diz o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Caicó e vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), Ivonaldo de Lins.

A redução da oferta e os preços dos ingredientes usados na ração estariam agravando o cenário de prejuízos contabilizado pelos pecuaristas, de acordo com o assessor da Associação Norte-Riograndense dos Criadores (Anorc), Marcelo Abdon. “Desde quando se agravou a seca, a partir do meio do ano, a situação ficou difícil e aumentou a procura por ração. Só que está faltando milho direto”, afirma o assessor.

Racionamento

Considerada essencial para a alimentação dos animais, a oferta de milho, afirmam os empresários, está sendo racionada para os criadores. Lirani Dantas, do Sinproleite, explica que há escassez do produto no mundo e os estoques brasileiros foram vendidos para atender essa demanda, o que fez a oferta para o estado cair. O problema é percebido na prática pelos criadores que recorrem à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), onde conseguem comprar o milho mais barato que no mercado livre.

“Cada produtor está podendo comprar no máximo 100 sacos de 60 Kg. Antes, a quantidade não era limitada dessa maneira. A cota era estabelecida de acordo com o tamanho de cada rebanho”, diz Dantas. O aumento de preços também preocupa. De acordo com o presidente do Sindicato, o milho comercializado pela Conab vem sendo sucessivamente reajustado nos últimos 45 dias. O saco de 60Kg, que custava R$ 22, passou para R$ 28, depois para R$ 30 e há rumores de que nos próximos dias subirá para R$ 33. No mercado livre, o saco custa em torno de R$ 45. Outros produtos usados na ração também teriam subido e até dobrado. Um redutor de preços que a Conab oferecia nos leilões para os produtores do Nordeste, como forma de compensar o custo do frete, também teria deixado de ser oferecido, tornando mais difícil para o setor custear a produção.

“Você está numa seca, sem alimentos para o animal então não tem alternativa que não seja enxergar os animais morrerem. A produção do estado era de 600 mil litros/dia, já passou para 500 mil litros e deverá cair para 400 mil litros ainda este ano”, estima.

A Conab foi procurada, mas o superintendente da Companhia, porta-voz indicado para falar sobre o fornecimento de milho, não estava disponível para entrevista na tarde de ontem.

Programa do Leite em atraso há quase 60 dias

Os atrasos de pagamento aos fornecedores do Programa do Leite se somam às dificuldades enfrentadas pelos pecuaristas do estado. De acordo com o presidente do Sinproleite, Lirani Dantas, há quase 60 dias os fornecedores estão sem receber pagamento do governo do estado.

“O governo apresentou um calendário, prevendo o pagamentos para os dias 10 e 20, como forma de terminar o ano em dia. Vamos esperar que cumpra”, diz. A reportagem procurou a Secretaria de Planejamento e Finanças e o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), atual responsável pelos repasses, mas não conseguiu contato com os órgãos a tarde.

O Programa do Leite é um dos principais programas socioeconômicos desenvolvidos no Rio Grande do Norte. Por meio da iniciativa, o governo adquire cerca de 150 mil litros por dia de leite bovino e caprino, o que corresponde a mais de 30% da produção diária.

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