Produção de própolis vermelha agrega valor à apicultura

Agronegócio

Produção de própolis vermelha agrega valor à apicultura

Enquanto o quilo do mel é vendido no extremo sul a R$ 3,20, o de própolis pode ser comercializado por R$ 450
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Salvador - Além do mel, principal produto da apicultura, a produção de própolis vermelha vem ganhando espaço entre os produtores do extremo sul baiano. Isso porque a lucratividade é superior aos demais derivados do mel. Na região, enquanto o quilo do mel é vendido a R$ 3,20, o da própolis pode ser comercializado por R$ 450.

O apicultor Marcos Nascimento, que tem um apiário no município de Prado, produz própolis vermelha há um ano. De lá pra cá, vem fornecendo o produto para o mercado interno e externo, inclusive atendendo uma empresa de Alagoas, Estado produtor de própolis vermelha. “Tudo começou quando um amigo do município de Canavieiras me incentivou a produzir. De início relutei pois só colhia mel, mas fiz uma experiência com algumas colméias do apiário de Prado, num sítio que fica às margens do Rio Jucuruçu e tive um resultado positivo. Levei a amostra colhida para o congresso brasileiro de apicultura que aconteceu em 2008 em Belo Horizonte . Lá participando da rodada de negócios do Sebrae, tive contato com uma representante de uma empresa exportadora de própolis. Acabei fechando o primeiro contrato de fornecimento de própolis vermelha e desde então venho comercializando o produto”, conta o apicultor.

Marcos Nascimento afirma que a produção da própolis vermelha é um negócio promissor. Por exemplo, por ano uma colméia produz aproximadamente 3,5 quilos da substância. Trabalhando com 16 colméias, a produção anual chega a mais de 40 quilos. Mas o apicultor ressalta que a própolis vermelha tem uma área de produção limitada, restringindo-se apenas à faixa de três metros, margeando o manguezal. “A própolis vermelha é produzida a partir da resina (exudato) do rabo-de-bugio (Dalbergia ecastophyllum), planta comum nos mangues da região. É dela que as abelhas retiram a substância avermelhada", disse.

Segundo o apicultor para a região expandir a produção da própolis vermelha é necessário investir em pasto apícola. “Como a própolis vermelha é produzida a partir da resina do rabo-de-bugio, é necessário que o homem plante a vegetação às margens dos manguezais. Os municípios de Prado, Alcobaça, Caravelas, Mucuri e Nova Viçosa são propícios a esse tipo de produção. Principalmente Prado, porque a flora do mangue está protegida, então tem potencial para produzir a própolis. Já os demais lugares estão devastados, mas podem ser recuperados com o plantio do rabo-de-bugio”, concluiu Marcos Nascimento.

A própolis vermelha produzida nas colméias é uma mistura de substâncias resinosas coletados pelas abelhas de diferentes partes das plantas, utilizada para selar buracos e proteger a colmeia contra fungos e bactérias.

De acordo com Paulo Andrade, gestor do Sebrae do projeto de apicultura no extremo sul, o Sebrae vai se posicionar criando a Identidade Geográfica para classificar o tipo da própolis que é encontrada no extremo sul do Estado. “Faremos inicialmente uma parceria com o Senai para prepararmos uma pesquisa e assim dar início à consultoria voltada para a identidade da própolis vermelha que é encontrada nesta região. Isso significa que o projeto de apicultura no extremo sul está em busca da diversificação da atividade. A própolis vermelha é um dos produtos de valor agregado na apicultura”, concluiu Paulo Andrade.


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