No Rio Grande do Sul, acolheita do trigo alcançou 19% da área semeada, enquanto a estimativa de produção para a safra 2026 aponta queda de 37,48% em relação ao ano passado. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural de quinta-feira (22), o excesso de umidade, a baixa radiação solar e a pressão de doenças reduziram o potencial produtivo e prejudicaram a qualidade dos grãos em parte das lavouras.
O ciclo do trigo se aproxima do fim no estado. De acordo com a Emater/RS-Ascar, 35% das lavouras estão em enchimento de grãos e 45% em maturação. O tempo seco entre os dias 16 e 18 de outubro acelerou a colheita em algumas regiões.
Nas áreas já colhidas, as produtividades são consideradas satisfatórias em parte das localidades, mas a qualidade dos grãos ficou abaixo das expectativas iniciais. Entre os problemas observados estão a redução do Peso Hectolitro (PH), além da presença de grãos avariados e chochos. Em algumas propriedades, os produtores realizaram a dessecação das lavouras para uniformizar a maturação e preservar a qualidade dos grãos.
O excesso de umidade e a baixa disponibilidade de radiação solar durante fases importantes do ciclo comprometeram o potencial produtivo e elevaram a pressão de doenças, especialmente giberela e brusone. Os temporais registrados nas semanas anteriores também provocaram danos localizados, principalmente em lavouras próximas da colheita.
A reestimativa da safra 2026, elaborada pela Emater/RS-Ascar com base em dados da primeira quinzena de outubro, aponta uma área cultivada de 763.121 hectares no Rio Grande do Sul. O número representa redução de 34,56% em relação aos 1.166.163 hectares cultivados em 2025, conforme dados do IBGE. A produtividade projetada inicialmente era de 2.701 quilos por hectare. Agora, a estimativa está em 2.833 kg/ha, avanço de 4,88% em relação à previsão feita no momento do plantio. Apesar dessa revisão positiva, o rendimento projetado ainda representa queda de 5,55% em comparação aos 2.968 kg/ha registrados em 2025, segundo o IBGE. O resultado definitivo dependerá do desempenho das lavouras até o fim do ciclo. A produção estadual está estimada em 2.161.922 toneladas, volume 37,48% inferior às 3.458.083 toneladas colhidas no ano passado.
Regiões produtoras registram diferenças no rendimento e na qualidade
Na região administrativa de Bagé, na Fronteira Oeste, a colheita avançou lentamente devido às chuvas e à elevada umidade dos grãos. Em São Gabriel, lavouras no fim do enchimento de grãos apresentam incidência de lagartas, enquanto produtores de Manoel Viana realizam a dessecação para uniformizar a maturação.
Na Campanha, os períodos sem chuva favoreceram as lavouras, principalmente as que estão em enchimento de grãos. Em Caçapava do Sul, foram registradas as primeiras áreas colhidas da região.
Nos Campos de Cima da Serra, na região de Caxias do Sul, as lavouras permanecem em floração, sob condições favoráveis à incidência de doenças da espiga. A umidade elevada do solo também dificulta a realização de tratamentos preventivos.
Na região de Frederico Westphalen, 20% das lavouras estão em enchimento de grãos, 50% em maturação e 30% já foram colhidas. O rendimento obtido está próximo de 2.500 kg/ha.
Produtividade fica abaixo das expectativas em algumas áreas
Na região de Ijuí, a colheita alcança aproximadamente 10% da área, com a umidade da massa de grãos próxima de 20%. A Emater/RS-Ascar aponta redução do potencial produtivo à medida que o ciclo se aproxima do fim.
Na Região Celeiro, em Tenente Portela, cerca de 30% da área foi colhida, com produtividade média inferior a 1.800 kg/ha e PH abaixo de 74. Em Santo Augusto, aproximadamente 15% das lavouras foram colhidas, com rendimentos entre 1.560 e 2.400 kg/ha e PH de 72 a 74.
No Alto Jacuí, em Ibirubá, a colheita ainda não havia começado no período do levantamento, e as expectativas de rendimento e qualidade foram revisadas para baixo.
Na região de Passo Fundo, aproximadamente 90% das lavouras estão em enchimento de grãos e 10% em maturação fisiológica. A colheita deve se concentrar entre o fim de outubro e os primeiros dias de novembro.
Chuva e baixa radiação solar prejudicam o enchimento dos grãos
Na região de Pelotas, predominam lavouras em enchimento de grãos, que representam 82% da área. Outros 16% estão em floração e 2% em desenvolvimento vegetativo. A sequência de dias nublados, as chuvas e a baixa radiação solar têm prejudicado o desenvolvimento das plantas e a formação dos grãos.
Em Santa Rosa, 10% das lavouras estão em enchimento de grãos, 53% em maturação e 38% já foram colhidas. Nas áreas colhidas, a produtividade geralmente varia entre 1.500 e 1.800 kg/ha, abaixo das expectativas. A qualidade apresenta grande variabilidade, com PH entre 72 e 78 em diferentes lotes e ocorrência de grãos avariados, chochos e esbranquiçados. Em Cândido Godói, a produtividade média observada na semana foi de 2.160 kg/ha.
Em Garruchos, foram registrados grãos com umidade superior a 23%. Nas lavouras maduras, a debulha pré-colheita continua intensa, aumentando as perdas antes da retirada do cereal.
Na região de Soledade, 30% das lavouras estão em enchimento de grãos, 55% em maturação, 10% maduras à espera da colheita e 5% já colhidas. Muitas áreas passaram por dessecação para uniformizar e antecipar os trabalhos. O padrão produtivo é considerado satisfatório em aproximadamente 75% das áreas, embora haja diferenças expressivas entre as lavouras conforme o nível de manejo adotado.
Apesar da produtividade projetada para 2026 estar acima da estimativa inicial, o avanço da colheita revela dificuldades relacionadas à qualidade dos grãos e às perdas provocadas pelas condições meteorológicas. A redução da área cultivada, somada à queda do rendimento em comparação com 2025, sustenta a previsão de recuo na produção estadual. O resultado final ainda dependerá das condições das lavouras que permanecem em maturação e da evolução dos trabalhos de colheita nas próximas semanas.