Produção intransitável

Agronegócio

Produção intransitável

Prejuízos de aproximadamente 30% aos produtores
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Estradas rurais não conservadas dificultam o escoamento da safra e trazem prejuízos de aproximadamente 30% aos produtores. Reclamações são constantes e aumentam a cada chuva

As estradas rurais são o caminho pelo qual a produção agropecuária chega aos centros distribuidores e, consequentemente, às indústrias e à mesa do consumidor. Apesar de ser um dos principais elos entre o campo e a cidade, as reclamações quanto ao estado de conservação de tais vias permanecem constantes e, praticamente a cada chuva, os produtores enfrentam dificuldades para escoar a safra. Situação das vias também atinge os estudantes, que ficam sem acesso ao transporte escolar.

No caso dos transportes a granel, o gasto com o deslocamento varia de 13% a 15% do custo total de produção, segundo dados da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Nilson Hanke Camargo, economista da entidade, explica que esse valor se refere ao transporte feito da porteira da propriedade rural até o consumo final - em muitos casos, o porto de Paranaguá.

Uma estrada má conservada pode aumentar cerca de 30% o custo da baldeação - transporte da lavoura até os silos de armazenagem. De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Narciso Pissinati, um caminhão que poderia transportar 10 toneladas de soja acaba levando apenas seis ou sete toneladas devido aos problemas nas estradas rurais. Dessa forma, para escoar toda a produção, o produtor precisa contratar mais viagens de frete. ''Principalmente no transporte de milho e soja, o prejuízo se dá pela quantidade que o produtor deixa de transportar porque a estrada está ruim'', reforça.

Para o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), Luiz Anselmo Trombini, é difícil mensurar os gastos causados pelas más condições das estradas rurais. Segundo ele, o prejuízo ocorre em função do tempo maior que o produtor leva para escoar a produção em estradas ruins. ''Quanto mais rápida a logística, mais barato é o frete'', explica. Trombini afirma que os atuais preços do transporte já levam em consideração o atual estado das estradas e, portanto, vias melhores poderiam baratear o frete. ''As vezes, o transporte por 10 km de estradas ruins sai mais caro do que por 50 km de estradas boas'', salienta Trombini, alegando que o preço leva em conta o tipo de estrada, a distância e o tempo do percurso.

O produtor Adão de Pauli revela que a estrada Guarita, no distrito rural de Paiquerê, tem moledo, mas alguns trechos - principalmente as subidas - estão em condições muito ruins. Adão faz o transporte da produção de grãos com caminhão próprio ou fretado. Ele conta que, devido às condições da estrada, para fazer o transporte da última safra de soja teve que carregar o veículo com duas toneladas a menos do que a capacidade total. ''Tive que fazer mais viagens do que o necessário, tive mais gasto de combustível e mais desgaste do caminhão. Nessa safra tive um prejuízo de 15% a 20% com o frete'', reclama.

Responsabilidade

Para Adão, falta estrutura por parte da Prefeitura de Londrina para fazer a manutenção das estradas rurais. ''A Prefeitura não tem competência para administrar as estradas rurais'', critica. Segundo ele, é necessário equipamento adequado e pessoal capacitado para que a manutenção da estrada dure mais tempo.

De acordo com Narciso Pissinati, apesar de a responsabilidade pela conservação das estradas rurais ser das Secretarias Municipais de Agricultura, não é possível apontar apenas um culpado pelo problema, pois seria necessária uma parceria entre diversos órgãos para resolver a situação. ''Não houve investimento para que as estradas fossem restauradas de acordo com a necessidade de cada terreno, levando em conta a bacia dos rios'', argumenta. Pissinati afirma que a colocação de moledo já seria suficiente em muitos casos. ''Se o serviço for bem feito, a conservação vai ser melhor e vai demorar mais para que seja preciso reparar a estrada'', esclarece.

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