Agronegócio

Produção leiteira enfrenta nó

Produtor rural especializado se obriga a investir cada vez mais em escala e produtividade
Por: -Rogério Recco
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A produtora de leite Reni Vrismann, de Carambeí, na região de Ponta Grossa (PR), acaba de alcançar a marca diária de 9 mil litros e, neste ano, conseguiu aumentar a produtividade média de 27 para 36 litros por animal/dia. Trabalhando em sistema de confinamento total, ela investe em tecnologia de ponta e é considerada um exemplo de sucesso nessa atividade, o que explica a produtividade de seu rebanho.

"Vivemos períodos de crises como todo mundo, mas não deixamos de crescer", diz a produtora, que é dona de 250 hectares e se prepara para investir R$ 300 mil na construção de uma nova estrutura de confinamento. Toda a produção de Vrismann é destinada para a Batávia, no mesmo município. A empresa - cujo controle acionário passou recentemente da Parmalat para a Perdigão (cooperativas locais também participam da sociedade, com 49% do capital) - fabrica uma série de produtos lácteos, comercializados em todo o País.

Por cada litro de leite a produtora recebe, em média, R$ 0,50, para um custo de produção calculado em R$ 0,38/litro. Se ela levar em conta outras receitas, como a venda de bezerros, o ganho médio da atividade, convertido em leite, sobe para R$ 0,56/litro. O negócio não tem segredos, mas a sobrevivência do produtor depende, basicamente, do aumento da produtividade, segundo um técnico da Batávia.

Contudo, Vrismann é um caso isolado até mesmo em sua região, onde a média dos produtores de leite não passa de 1.000 litros/dia. Da mesma forma, por estar localizada em uma faixa de excelência leiteira no País, o município de Carambeí, fruto de colonização holandesa, não serve como base quando se analisa a realidade comum desse setor no Paraná.

Nos últimos anos, a produção estadual cresceu a passos rápidos: o volume saltou dos cerca de 1,5 bilhão de litros em 1996 para algo em torno de 2,4 bilhões em 2004, o que manteve o Estado em terceiro lugar no ranking nacional daquele ano, só atrás de Minas Gerais (6,6 bilhões) e Goiás (2,5 bilhões).

Setor exige "nós"

Em 2005, ano marcado por uma profunda crise no agronegócio em função dos baixos preços da maior parte dos produtos, o leite foi um dos poucos que escaparam, garantindo remuneração. Porém, longe de se pensar que tudo vai bem, o setor exibe alguns "nós" que sinalizam com perspectivas preocupantes para os próximos anos.

As margens estão achatando e a luta pelo aumento da produtividade e redução de custos revela-se decisiva não para aumentar o lucro, mas garantir a sobrevivência. Na Colônia Witmarsum, colonizada por alemães e conhecida pela qualidade dos queijos que produz, o casal Ewald e Matilde Wakenein está à frente de uma propriedade de 50 hectares, que mantém desde 1974, onde dá idéia do aperto por que passam os produtores no momento.

Ewald conta que tem uma receita média de R$ 0,49 por litro de leite, mas o custo é estimado em R$ 0,45/litro. "Isto sem considerar o valor da terra e a depreciação dos maquinários", diz. Para sobreviver, ele dispensou empregados e investiu no gerenciamento da produção, que cresceu 10% este ano em relação a 2005.

Sua média de produtividade é de 9 mil litros/vaca/ano, considerada alta para os padrões brasileiros, que foi de 1.189 litros/vaca/ano em 2005. "Viver de leite não é fácil, ficamos o tempo todo estudando onde cortar custos e melhorar o que for possível", desabafa, apontando para os desafios comuns ao produtor rural das mais diversas atividades agrícolas.

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