Em outubro, os preços mundiais do arroz subiram influenciados mais uma vez pelos preços vietnamitas que fortaleceram por causa da forte demanda interna e externa. Em contraste, os preços indianos continuaram caindo e as vendas externas se mantem fortes. A Inda está tentando reduzir parte de seus estoques antes da chegada da nova safra que será abundante. A demanda de importação, especialmente da África Ocidental, está ativa e poderia atingir volumes recordes em 2021.
As perspectivas globais indicam uma forte recuperação no consumo devido às boas colheitas nas principais regiões produtoras de arroz. Espera-se que o comércio mundial aumente também 8% para 49,2 Mt contra 45,5 Mt em 2020. Em outubro, o índice OSIRIZ/InfoRice (IPO) subiu 3,5 pontos para 203,5 pontos (base 100=janeiro de 2000) contra 200,0 pontos em setembro. No início de novembro, o índice IPO marcava para 202 pontos. Com a chegada gradual da nova colheita asiática e estoques ainda altos, os preços de exportação devem continuar caindo nas próximas semanas.
Produção mundial
Segundo as últimas estimativas da FAO, a produção mundial de arroz em 2021 deve aumentar 1% para 780,5 Mt (518,2 Mt base beneficiado) contra 773 Mt em 2020. A produção asiática deve aumentar graças à safra recorde esperada na Índia. Também na China, a produção melhorará em 1%, contra 0,5% em 2020. Na Tailândia, a produção deve melhorar novamente em 3,5%, enquanto que no Vietnã, espera-se que as colheitas aumentem apenas 0,7%. Nos Estados Unidos, após o forte aumento em 2020, a produção tive uma queda de 10% em 2021. No Mercosul, a produção melhorou, especialmente no Brasil, onde se estima um aumento de 4,5% em relação a 2020. Na África subsaariana, a produção de arroz voltou a sofrer das más condições climáticas. Em Madagascar, estima-se que a produção tenha diminuído em 3,5% em 2021.
Comércio e estoques mundiais
Em 2021, espera-se que o comércio mundial do arroz aumente significativamente em 7,6% para 49,1 Mt contra 45,6 Mt em 2020. As necessidades de importação aumentaram em 10% no sul da Ásia, especialmente em Bangladesh. As importações chinesas aumentaram 8% em 2021. A África Subsaariana mostra também um forte crescimento das importações, especialmente na Nigéria, Costa do Marfim e Senegal. A Índia mantém sua liderança no mercado e espera-se que estabeleça um novo recorde de exportação em 17,5 Mt, 20% acima de seu recorde anterior em 2020. A Tailândia verá suas vendas externas cair mais uma vez ficando em terceiro lugar no mundo, atrás da Índia e do Vietnã. Este último confirma seu segundo lugar, melhorando suas exportações em 7%. Em 2022, o comércio mundial poderia aumentar novamente em 5% e atingir 51 Mt pela primeira vez, o equivalente a 10% da produção mundial.
Os estoques mundiais de arroz no final de 2021 devem aumentar em 0,7% para 187,1 Mt contra 185,7 Mt em 2020. As reservas permanecem em níveis satisfatórios, representando 36% do consumo mundial, ficando no percentual médio dos últimos cinco anos. Este aumento deve-se principalmente ao aumento dos estoques indianos graças às boas colheitas previstas em 2021.
Por outro lado, espera-se que os estoques chineses diminuam em 0,5%, mas ainda são abundantes, o equivalente a 70% do consumo anual. Espera-se que os estoques nos principais países exportadores aumentem em 5% em 2020/21 para 52 Mt, ou 28% dos estoques mundiais. Na Índia, os preços do arroz caíram novamente em 1%. Em outubro, a rupia indiana permaneceu fraca em relação ao dólar, mas tende a subir no início de novembro. Esta contração adicional dos preços melhora ainda mais a competitividade da Índia e explica o forte interesse dos importadores pelo arroz indiano. As vendas indianas continuam num patamar de 1,5 Mt por mês.
As últimas previsões indicam um volume recorde de exportação de 17,5 Mt em 2021, já mais de um terço das exportações mundiais. Em outubro, o arroz
indiano 5% quebrado marcou $ 368/t Fob contra $ 374 em setembro. No início de novembro, os preços ainda estavam fracos. Na Tailândia, os preços se recuperaram em média 1%, mas com altas maiores para o arroz de baixa qualidade, apesar da pouca demanda de importação. O bath tailandês tende a se fortalecer, o que explica parte deste aumento.
Por outro lado, as recentes inundações atrasam a colheita principal, que começará nas próximas semanas. As más condições climáticas reduzem as disponibilidades exportáveis. Em outubro, as exportações mensais teriam atingido cerca de 550.000 t contra 638.000 t em setembro. A demanda do Oriente Médio está ativa, mas não compensaria o atraso acumulado durante o primeiro semestre do ano. As exportações tailandesas ainda marcam um atraso de 5% em relação ao ano passado, e no total só poderiam atingir 5,5 Mt contra 5,7 Mt em 2020. Este é o nível mais baixo desde 1997. Em outubro, o preço médio do arroz 100%B tailandês atingiu $ 393 contra $ 389 em setembro. O arroz parboilizado ficou estável em $ 389s. O arroz quebrado
A1 Super subiu para $ 354 contra $ 341. No início de novembro, os preços mostravam-se fracos devido a uma diminuição da demanda de importação.
No Vietnã, os preços de exportação subiram novamente 6%. Nos últimos dois meses, os preços vietnamitas subiram 11% devido à forte demanda do Sudeste Asiático, em particular das Filipinas e da China, e da África Ocidental. Os preços internos também continuam firmes devido às compras governamentais para reabastecer os estoques internos. Em outubro, as exportações vietnamitas subiram para 619.000 t contra 594.000 t em setembro, marcando um avance de 3% em relação ao ano anterior. Ao ritmo atual, as exportações poderiam atingir 6,6 Mt em 2021, 7% a mais do que em
2020. Em outubro, os Viet 5% foi negociado a $ 433 contra $ 409 em setembro.
O Viet 25% marcou $ 405 contra $ 383 anteriormente. No início de novembro, os preços marcavam uma tendência baixista. No Paquistão, os preços do arroz se incrementaram, principalmente nas categorias de baixa qualidade, mas continuam sendo os mais baixos do mercado. A China está mostrando interesse no arroz Pak 5%. Os importadores africanos também têm interesse, mas em quantidades limitadas devido aos altos custos do frete marítimo. As exportações paquistanesas teriam atingido 250.000 t em outubro contra 255.000 t em setembro, marcando um atraso de 5% em relação ao ano passado. Em outubro, Pak 25% subiu para $ 334 contra $ 321 em setembro. No início de novembro, os preços permaneciam firmes.
Na China, as exportações continuam a mitigar, enquanto as importações estão mais fortes antes das perspectivas da safra 2021. A produção chinesa poderia apresentar um déficit de 5 Mt em relação às necessidades de consumo, o que deveria reativar as compras externas durante o últimotrimestre do ano. O Vietnã, seguido pela Birmânia, Tailândia e Paquistão, são os principais fornecedores.
Nos Estados Unidos, os preços do arroz diminuíram 0,5% em um mercado pouco ativo. Em outubro, as exportações atingiram apenas 205,000 t contra 227.000 t em setembro. No entanto, as vendas externas ainda estão 11% acima do ano passado no mesmo período. Em outubro, o preço indicativo
do arroz Long Grain 2/4 foi de $ 581 contra $ 584 em setembro. No início de novembro, o preço tendia a se recuperar para $ 485. Na Bolsa de Chicago, os preços futuros do arroz paddy subiram ligeiramente marcando uma média de $ 302 contra $ 300 anteriormente. No início de novembro, os preços ainda estavam fracos a $ 295.
o Mercosul, o mercado tende a se reativar. O Brasil deve entregar um total de 75.000 t ao México durante o último trimestre do ano. Em outubro, as exportações brasileiras teriam atingido 80.000 t contra 90.000 t em setembro, marcando um atraso de 45% em relação a 2020. No Uruguai, as exportações teriam subido para 44.000 t contra 40.000 t em setembro, mas marcando 40% a menos do que no ano passado na mesma época. Na Argentina, as vendas externas também estão progredindo e marcam um avance de 10%. O preço indicativo do arroz paddy brasileiro caiu 8% para $ 261/t contra $ 284 em setembro. No início de novembro, o preço do paddy ainda estava baixo em torno de $ 241.
Na África subsaariana, os preços domésticos continuam subindo em função do abastecimento ainda fraco de arroz local. O alto custo do frete marítimo continua a pressionar os preços do arroz importado. Entretanto, a demanda de importação está começando a crescer, antecipando aos suprimentos esperados o final do ano. Em 2021, as importações poderiam atingir um volume recorde de 17,8 Mt contra 15,6 Mt no ano anterior, já 37% das importações mundiais.