Produtividade leiteira em Galícia é cinco vezes maior à média do RS
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Agronegócio

Produtividade leiteira em Galícia é cinco vezes maior à média do RS

A visita dos gaúchos busca conhecer e entender as transformações que fez a região da Galícia triplicar em vinte anos a sua produção de leite
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Pouco mais de cinco horas depois de chegar, na madrugada desta segunda feira, 23, ao Estado independente da Galícia, região noroeste da Espanha, a missão gaúcha coordenada pelo secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio do Rio Grande do Sul, Luiz Fernando Mainardi, e integrada por parlamentares, representantes das cadeias produtivas do setor leiteiro, cooperativas, judiciário e imprensa, já estava a percorrer propriedades rurais na província de Lugo.

A visita dos gaúchos busca conhecer e entender as transformações que fez a região da Galícia composta por quatro províncias - Lugo, Ourense, La Coruña e Pontevedra - triplicar em vinte anos a sua produção de leite e hoje ser uma referência mundial no setor. Esta região da Espanha produz quase 50% de todo o leite do país.

Através de uma intervenção direta do governo Galego, amparado nas associações de produtores, há duas décadas ocorreu uma decisiva ação de melhoramento genético na população bovina. Com isto, aliado a um rigoroso controle sanitário, qualidade nutricional e manejo adequado, hoje os produtores conseguem uma média superior a trinta litros de leite vaca/dia, quando antes do programa o máximo atingido era de dez litros vaca/dia.

Segundo o veterinário galego, Maurício dos Santos, que trabalha para a Xenética Fontao, uma empresa pública e privada, que desde o princípio atua no programa, hoje em torno de quatro mil propriedades da região atingiram um patamar de excelência de produtividade.

“Isto é mais de 80% dos produtores da região. Quem não se profissionalizou está saindo fora do setor”, conta Santos, que já esteve no Rio Grande do Sul quando, em 2007, teve início um convênio entre o governo da Galícia e a Associação dos Produtores do Vale do Taquari, em parceria com a UNIVATES.

Para o presidente da Câmara de Indústria e Comércio e Serviços do Vale do Taquari, Oreno Ardêmio Heineck, que acompanha a missão, o modelo galego em muito já contribuiu para o incremento da produção leiteira no Rio Grande do Sul com o envio de técnicos e mais 35 mil doses de semens para o Estado. Ele destaca o sistema como um harmonizador que gera o equilíbrio em toda a cadeia produtiva. “Queremos, agora, cada vez mais expandir este modelo para os nossos produtores”, destacou Heineck.

E justamente isto é o que motivou o governo do Estado gaúcho a constituir a missão. Depois de lançar em dezembro de 2011, junto ao governador Tarso Genro e ao ministro da Agricultura , Mendes Ribeiro Filho, o Programa de Erradicação da Brucelose e Tuberculose, denominado Procetube, o secretário Mainardi é um dos entusiastas do que está conferindo na Espanha.

“O que estamos vendo aqui levou mais de vinte anos para se consolidar. Nós não precisamos levar tudo isso. A cooperação que o governo e os produtores da Galícia tem nos oportunizado vai nos permitir avançar em menos tempo. Não podemos nos contentar em hoje o produzir uma média de sete litros de leite vaca/dia”, declarou Mainardi.

O Primeiro Dia.

O primeiro dia na Galícia foi de intensa atividade para os membros da missão gaúcha que visita a Espanha. Na parte da manhã o trabalho começou com uma visita a uma propriedade leiteira na Província de Lugo, no município “A Pastoriza”, na localidade de “Seixos”.

Na fazenda de 40 hectares trabalham os irmãos Tereza Teixeira Alvarez, Manuel e Javier Teixeira Alvarez. Os três e mais um funcionário cuidam da ordenha diária de noventa e duas vacas. A propriedade alcança uma produção de 37,5 litros de leite vaca/ dia, uma das melhores médias da região. São em torno de 3.500 litros de leite por dia, que são comercializados para a indústria a um preço que varia de trinta a trinta e seis centavos de euro, variando pela quantidade e qualidade.

Para Teresa, que é técnica química industrial o trabalho é duro, mas recompensador. “Como somos em quatro pessoas, cada dupla folga um fim de semana, trabalha outro e depois volta a folgar, ainda assim temos um dia de descanso no meio de semana e ainda temos 15 dias de férias por ano”, disse ela.

Uma realidade completamente diferente do que vemos no Brasil diz o presidente da Fetag, Elton Weber.

O encontro foi finalizado com uma entrega da bandeira do Brasil aos irmãos pelo secretário Luiz Fernando Mainardi, pelo presidente da Fetag, Elton Weber, e pelos deputados estaduais Ernani Pollo-PP, e Zilá Breitenbach-PSDB.

Ainda na parte da manhã houve visita a uma propriedade coletiva formada por seis sócios que trabalham com uma quantidade diária de 150 vacas em ordenha.

Ao final da tarde encerrou-se a terceira visita a um condomínio rural onde foi observada a distribuição de silagem aos animais, composto por silagem de milho, feno e concentrado. Cada animal come por dia em torno de 50Kg de alimentos.

Para a terça-feira, 24, está na agenda uma visitação aos sistemas de agroindústrias locais.

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