Agronegócio

Produtor deixa soja e cria novo arrendamento

O novo sistema de arrendamento faz o algodão avançar no Mato Grosso
Por: -Neila Baldi
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A crise no agronegócio de Mato Grosso fez com que até Adilton Sachetti, o prefeito de Rondonópolis - um dos principais municípios agrícolas do País -, deixasse de plantar soja. Diante das dificuldades, os produtores mato-grossenses criaram um novo sistema de arrendamento que faz o algodão avançar. Trata-se de uma parceria entre aqueles que estavam descapitalizados e os que ainda tinham condições de investir, em que os primeiros cedem suas terras e na colheita os dois dividem o lucro líquido.

Esta foi uma saída para o setor, uma vez que o arrendamento nos moldes antigos - em que uma parcela da produtividade média é entregue para pagar o aluguel da terra - está em baixa na região. Muita gente encerrou os contratos antes do prazo de vencimento ou diminuiu a margem a ser paga. Quem ampliou a área foi no novo sistema. Grande parte dos negócios de parceria está sendo feita voltada para a lavoura de algodão, visando atender à demanda de exportação do produto.

Quando os contratos de parceria foram firmados, a libra-peso era comercializada a US$ 0,58, um preço considerado remunerador. O algodão é o único produto em Mato Grosso cuja rentabilidade é positiva - 9%, segundo dados de setembro da Agroconsult. Em função, disso a área cultivada com o produto aumentou em 25% no estado.

Erai Maggi, do Grupo Bom Futuro, aumentou em 30% a sua lavoura - onde foi plantada soja e serão cultivados algodão e milho safrinha - por meio de parceria com outros produtores, como o prefeito de Rondonópolis. Segundo ele, com o novo sistema, o grupo arcou com o custeio e vai gerenciar o negócio, repartindo os lucros líquidos entre os demais parceiros. Maggi diz que o negócio é favorável porque planta em uma terra que tinha muita tecnologia empregada, garantindo alta produtividade, ao contrário do arrendamento comum que, segundo ele, demanda um investimento maior na lavoura. "Dava dó deixar uma terra destas parada", afirma.

Quem também aderiu ao novo sistema foi o ex-presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), João Luiz Ribas Pessa, que ampliou em 20% sua área. "Com as parcerias, ajudamos aqueles que estavam com dificuldades em adquirir insumos, que têm renda para pagar suas dívidas, além de ampliarmos os nossos negócios", diz Pessa. Segundo ele, o contrato só foi fechado depois que 60% da safra de algodão estava negociada antecipadamente.

Segundo o consultor André Debastiani, da Agroconsult, nem sempre que se aumenta a área plantada garante-se maior rentabilidade. "A superfície maior pode reduzir os custos por causa do ganho de escala, mas a rentabilidade depende também do preço e da produtividade", lembra.

De acordo com o diretor-administrativo da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), houve muita devolução de terra e migração para a pecuária. Em outros casos, os contratos foram renegociados para a diminuição das margens. Em média, o custo do arrendamento é de 5 a 8 sacas de soja por hectare.

Em Sinop (MT), segundo cálculos do Sindicato Rural do município, metade da redução da área de soja virá da devolução de terras arrendadas. O presidente do sindicato, Antônio Galvan, diz que o plantio de soja será até 15% menor no município. Na média estadual, a queda é de até 13%, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O produtor Norival Campos Curado, de Sinop (MT), teve de mudar seus planos quando seu arrendatário resolveu entregar as terras um ano antes. "Sem renda, ele preferiu ficar apenas com suas áreas próprias", justifica. Curado arrendava sua fazenda há quatro anos, para o cultivo de grãos, visando recuperar o solo para investir em pecuária. Agora, para não deixar a terra desnudada, cultivou milho - parte será usada para silagem - e pastagem para abrigar 1,5 mil cabeças de bovinos no próximo ano.

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