Investir em novas tecnologias, planejar o futuro e escolher as realidades possíveis para o melhor desempenho da produção agropecuária são algumas das soluções apontadas pelos principais representantes do agronegócio mato-grossense na abertura do 2º Fórum das Cadeiras Produtivas, realizado ontem, como programação da 53ª Expoagro, Parque de Exposições Senador Jonas Pinheiro, em Cuiabá.
O principal painel realizado na manhã desta segunda teve o tema ‘Agronegócio nos dias de hoje e perspectivas para o futuro’, sob o comando da especialista no setor Samantha Pineda, teve o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi como principal palestrante.
Maggi destacou que tudo que os setores produtivos têm de vantagem e de bom – como alta produtividade, aumento anual de produção e grande oferta de produtos – em algum momento se transforma em problema porque se depara com gargalos como o logístico, a burocracia ou mercado internacional fechado.
Conforme o ministro, é preciso focar nos investimentos em ciência e tecnologia para o setor não ficar para trás. “O Brasil é grande exemplo que o investimento nestas áreas do conhecimento garante transformações substanciais para o desenvolvimento. Há cerca de 40 anos o país importava praticamente tudo o que consumia em alimentos, com exceção do açúcar e do café. Hoje, somos um grande país exportador. E isso se deu graças ao investimento em tecnologias que melhoraram os processos internos em um passado não tão distante”, enfatizou o ministro Maggi.
Ainda sob a perspectiva do mercado internacional, Maggi conclamou os produtores rurais e criadores presentes no Fórum das Cadeias Produtivas, que passem a importar mais. “O mercado é uma via de mão dupla. Da mesma forma que exportamos, também precisamos importar para garantir que a balança comercial fique equilibrada. Hoje nossa importação representa cerca de apenas 11% do que exportamos no país”, ponderou Maggi.
Convicto de que o investimento em pesquisa para ampliar o know-how tecnológico e que o planejamento da agricultura em longo prazo é o meio mais eficaz para se alcançar a excelência no agro, o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Antônio Lopes, defendeu que somente pela ciência é possível modelar os futuros possíveis.
Entre os pontos que ainda demandam planejamento e investimento estratégico é a logística, que de acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Endrigo Dalcin, a não resolução do problema leva em perdas significativas para os produtores rurais.
O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Marco Túlio, afirma que o setor pecuário pede socorro, dada à gravidade dos problemas que o cercam. “Nos últimos 10 anos, temos sofrido com o grande aumento do custo de produção, o que tem se intensificado nos últimos meses. A pecuária está se tornando insustentável. Mesmo com todos esses desafios ainda temos feito muitos investimentos em tecnologias, melhoramento genético e buscado as melhores formas de garantir que a carne chegue à mesa do consumidor, seja no mercado interno como no mercado externo”, destacou Marco Túlio.