Produtores do Centro-Oeste investem na criação de búfalos

Agronegócio

Produtores do Centro-Oeste investem na criação de búfalos

Os produtores de leite dos municípios de Luz e Córrego Danta já lucram com a substituição do gado bovino pelo bufalino, com economia nos custos e aumento significativo na produção leiteira
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Uma atividade nova, que vem ganhando destaque no Centro-Oeste mineiro é a bubalinocultura, criação de búfalos. Os produtores de leite dos municípios de Luz e Córrego Danta já lucram com a substituição do gado bovino pelo bufalino, com economia nos custos e aumento significativo na produção leiteira.

Sua adaptação ao relevo montanhoso da região também é uma vantagem, pois as áreas “são impróprias ao cultivo de lavouras, pecuária leiteira e bovinocultura” tradicionais, argumenta o extensionista da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Lamartine Wéliton Branquinho. Em 2006, Lamartine presenciou a chegada do gado bufalino ao município de Luz e região e durante três anos prestou assistência técnica aos criadores.

De acordo o técnico, a Emater-MG vem acompanhando e oferecendo assistência à criação de búfalos, por meio da elaboração de projetos de financiamentos e de apoio técnico aos produtores. O melhoramento das pastagens, assim como a adoção do resfriamento do leite em tanques, substituindo os latões, são algumas das mudanças que a empresa vem viabilizando para o fortalecimento da bubalinocultura.

Atualmente, cerca de 12 produtores optaram pela criação de búfalos, mas esse número pode crescer, pois essa é a tendência, segundo o extensionista Lamartine. O rebanho existente em Luz já possui 1.250 animais em lactação, produzindo diariamente 6 mil litros de leite. O produto é processado na própria cidade e vendido para restaurantes de Rio de Janeiro e São Paulo.

Pioneirismo e bom negócio

O pioneiro na implantação do rebanho bufalino foi o pecuarista Guilherme Cortes Carvalho, que abriu o primeiro laticínio, hoje de propriedade de Ermano Pio Grosso. Segundo Guilherme, o resultado tem sido satisfatório. Ele relata que a escolha pela bubalinocultura aconteceu após uma viagem à Ilha de Marajó, Norte do país, onde conheceu as vantagens do empreendimento. Adquiriu então algumas matrizes e começou sua criação no município de Luz. Hoje Guilherme mantém uma produção diária de 400 litros, com 55 búfalas. Com o melhoramento genético, o produtor afirma obter até 16 litros de leite por dia para cada animal, enquanto a média nacional é de pouco mais de 2,5 litros.

O leite de búfala é rico em proteínas e seu teor de colesterol é mais baixo. A muçarela é largamente difundida no mercado, mas o potencial de derivados do leite é bem maior, segundo acreditam especialistas. Poucos sabem que a carne do animal, além de mais saudável, é considerada muito saborosa e não é por acaso que muitos restaurantes da capital mineira já servem churrasco de búfalo. Outra vantagem é que os búfalos são animais mais dóceis e rústicos que os bovinos, além de se alimentarem de qualquer tipo de vegetação, como capim, cana e até samambaias.

O baixo custo de produção e as facilidades de adaptação do gado são fatores que tornam a criação de bufalinos um bom negócio para os pequenos produtores, defende o extensionista Lamartine Wéliton. Estimativas apontam que cada quilo de ração consumida gera 12 litros de leite. Um bovino necessitaria de cinco quilos de ração para produzir o equivalente. Cálculos mostram ainda, que para a produção de um quilo de queijo são necessários apenas cinco litros de leite de búfala. A fabricação do mesmo produto com leite de vaca consome mais: oito a dez litros de leite, de acordo técnicos da Emater-MG. Um bezerro desmamado vale R$ 450 quando vendido na propriedade.

Evento vai discutir bubalinocultura

Em agosto, o município de Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, vai sediar o 5º Simpósio de Búfalos das Américas e o 4º Simpósio de Búfalos da Europa e das Américas, um exemplo claro da rápida expansão da bubalinocultura no Estado. Dados do IBGE apontam que a atividade cresceu 9% no ano passado, somando 120 mil cabeças. De acordo especialistas, os pecuaristas do setor já podem comemorar, pois há chances de aumentar ainda mais as margens de lucro com o bom negócio.

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