Produtores do MS vão à Justiça renegociar soja


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Produtores do MS vão à Justiça renegociar soja

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Produtores de soja reunidos na quarta-feira, em assembléia no Sindicato Rural de Dourados, decidiram entrar na Justiça para tentar renegociar melhores preços para a soja. Nos contratos-futuro assinados em meados de 2002, eles aceitaram receber R$ 25 pela saca, para entrega no final de março. E raros são os casos de pagamento parcial antecipado do produto, afirmaram.

A principal argumentação apresentada é que à época o dólar valia R$ 2,60 e hoje está ao redor de R$ 3,60 e que, a partir de turbulências na economia, a moeda norte-americana teve altas sucessivas puxando o preços de insumos, como adubo e combustíveis, resultando num custo de produção bem mais alto, calculado em 20 sacas por hectare.

Na terça-feira, uma comissão de nove membros reuniu-se com cinco representantes de cerealistas locais e multinacionais e de duas cooperativas (Cooagri e Copacentro), mas não houve acordo porque nenhuma quis rever a contratação antecipada da soja, “o que vai onerar o agricultor que tinha uma grande expectativa de lucro nessa safra. Infelizmente eles são procurados pelos compradores que apresentam contratos que lhe são desfavoráveis, como agora”, frisou o presidente do sindicato, Gino Ferreira. Essa foi a posição passada ontem para 200 agricultores de vários municípios, o que causou decepção e revolta, pois – mantidos os contratos, eles perderão em torno de R$ 10 por saca. Um produtor de Fátima do Sul disse que vendeu 4.000 sacas – o equivalente a R$ 100 mil. Mantida essa cotação perderá em torno de R$ 40 mil com a diferença.

O presidente da Cooagri, Nivaldo Krüger, reafirmou que a cooperativa vendeu mais de dois milhões de sacas com contratos-futuro,” e vamos honrar esse compromisso para que a cadeia produtiva, que vai bater lá na Bolsa de Chicago e nos fundos de investimentos dos Estados Unidos, não seja quebrada”.

Disse, porém, que se os associados da Coagri decidissem discutir o assunto em assembléia, “iríamos para a Justiça também”. Mesmo com essa posição, em alguns momentos o clima ficou tenso porque Krüger foi acusado de estar “do lado deles (compradores) e não do lado do produtor”. Por isso, ele saiu antes de a reunião acabar. O advogado do Sindicato Rural, Áureo Garcia Ribeiro Filho, explicou que as ações devem dar entrada no Judiciário antes do vencimento dos contratos, para ser evitado o arresto da soja, pelo rompimento unilateral do compromisso. Ontem mesmo eles começaram a juntar documentos para a ação.

O secretário municipal de Agricultura, Huberto Paschoalick, frisou que o produtor, em seu trabalho diário, não tem condições de acompanhar o mercado do agronegócio “e são assediados pelos compradores quando estão em cima do trator e acabam fechando contratos sem conhecer os seus termos, com multas de até 50%. O que vemos hoje na nossa região é o exercício do capitalismo em toda a sua maldade”.

Nas safras passadas, os contratos-futuro representaram de 30% a 40% das vendas de soja na região, mas atualmente esse percentual gira em torno de 60%. Os agricultores reunidos ontem produzirão cerca de 500 mil sacas de soja.

Em Santa Helena, no oeste do Paraná, há um movimento de produtores semelhante ao desencadeado em Dourados.

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