A comercialização de soja no mercado brasileiro perdeu ritmo na última semana de outubro, mesmo com a valorização dos prêmios de exportação e o câmbio acima de R$ 5,37. Segundo análise feita pela Grão Direto, a originação ficou abaixo do volume de atividade observado na semana anterior, considerada a mais movimentada do mês. O comportamento dos produtores variou entre as regiões, com maior disposição para negociações em Minas Gerais e São Paulo e menor atividade em Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
A Grainsights, a inteligência de mercado da Grão Direto, identificou um mercado de liquidez moderada em Minas Gerais e São Paulo, onde os produtores responderam ao cenário de câmbio e prêmios com maior disposição para negociar do que a média nacional. Em Goiás, a comercialização ocorreu de forma pontual, sem ampliação significativa da atividade. Já em Mato Grosso e Rio Grande do Sul, o ritmo permaneceu reduzido, com produtores aguardando novas sinalizações antes de avançar nas vendas.
No norte do Paraná, o comportamento também foi dividido. Em Jundiaí do Sul, a soja FOB para novembro de 2026 encerrou a quinta-feira (29) cotada a R$ 146,96 por saca, valorização de R$ 1,25 em relação ao dia anterior e de R$ 3,40 na comparação com o fechamento da semana passada. Apesar da alta, parte dos produtores aproveitou os preços para realizar negócios, enquanto outra parcela preferiu manter o produto armazenado, acompanhando o encerramento de outubro na Bolsa de Chicago.
O levantamento da Grainsights registrou basis positivo de R$ 1,23 por saca em Jundiaí do Sul, refletindo as condições de acesso da região ao corredor de exportação de Paranaguá. Nos portos, os preços também apresentaram valorização, com a soja FOB atingindo R$ 165,62 por saca em Santos e R$ 163,46 em Rio Grande. As referências acumularam ganhos semanais de R$ 8,00 e R$ 7,84 por saca, respectivamente, mas o movimento não foi acompanhado por uma retomada uniforme da comercialização no interior.
A cautela dos produtores ocorre em uma semana de desempenho negativo na Bolsa de Chicago, pressionada pelo encerramento de posições dos grandes fundos no último pregão de outubro. As informações da Grainsights mostram que a expectativa em relação ao fechamento mensal da referência internacional esteve entre os fatores observados pelos produtores que decidiram postergar negociações, especialmente em Mato Grosso e no norte paranaense.
Além do comportamento dos preços, o avanço do plantio em Mato Grosso do Sul integra o cenário de comercialização da safra nova. O monitoramento da Grainsights aponta que o andamento dos trabalhos no campo reduz a janela de decisão para produtores que ainda avaliam operações de proteção de preços. Assim, a última semana de outubro termina com valorização das referências portuárias, mas com diferenças importantes no ritmo de negociação entre as regiões produtoras brasileiras.