Produtores preveem maior rentabilidade na próxima safra

Agronegócio

Produtores preveem maior rentabilidade na próxima safra

Expectativa é que milho, soja e café se mantenham em preços mais elevados
Por: -Daniel Popov
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A safra de grãos brasileira de 2010/2011 deve ser ainda mais rentável para o produtor do que a deste ano. Para 2011/2012, a expectativa recua um pouco, puxada principalmente pela alta dos preços dos fertilizantes, que estão com baixos estoques tanto no Brasil quanto no exterior.

A redução dos custos de produção em 2010 e a realização de bons negócios na comercialização de grãos para 2011 devem aumentar ainda mais a rentabilidade do produtor brasileiro no ano que vem. Entretanto, para sócio diretor da Agroconsult, André Pessoa, os custos de produção ficarão mais altos no próximo ano, dado os baixos estoques de fertilizantes no mercado mundial, que praticamente alinham a oferta e a demanda do produto. "Para a safra 2011/2012 teremos, provavelmente, aumentos de custos ao produtor, já que a matéria-prima para fertilizantes está com preços mais altos no mundo inteiro, dado a falta de estoque", disse.

Pessoa garantiu que o episódio vivido pelo setor em 2008 não se repetirá, e a pressão dos custos será por conta da grande demanda por fertilizantes, principalmente oriunda do Hemisfério Norte que prevê uma grande safra de grãos em 2011. "O Hemisfério Norte vai plantar uma safra muito grande de grãos e o Brasil sentirá o reflexo disso. Não esperamos que 2011 repita o ano de 2008, quando houve uma disparada dos preços das matérias-primas de fertilizantes. É um ano que devemos ter uma pressão de custos muito mais pela crescente demanda dos insumos", garantiu.

Com isso, a expectativa do setor para a safra 2011/2012 indica uma rentabilidade menor, já que os custos de produção estarão maiores e os estoques de commodities mais estáveis. Para Alexandre Mendonça Barros, sócio consultor da MB Associados, espera-se entregar ao produtor em 2011 mais de 25,2 milhões de toneladas de fertilizantes, contra os 24,2 milhões previstos para este ano.

Apesar de uma produção maior, Barros afirmou que a tendência é seguir com estoques mais baixos para evitar riscos. "O ponto é que ninguém quer segurar estoque. Isso é a batata quente de quem está com medo. Então, 2011 será um ano para aumentar a margem de segurança no negócio para não correr riscos. Com isso, vamos trabalhar com um mercado curto também, e esse é o problema que está aparecendo agora", afirmou ele.

Barros contou que os defensivos agrícolas também tendem a acumular altas nos preços, com a possibilidade de alguns países reterem as exportações do produto. "Os preços dos defensivos agrícolas também irão subir, mas esse ciclo é muito menos intenso do que os fertilizantes. Entretanto, aposto que irão aparecer alguns países segurando a exportação de defensivos, atrapalhando o crescimento do setor."

Grãos

Para o próximo ano a expectativa do setor é que tanto o milho, quanto a soja e o café se mantenham em preços mais elevados.

A Agroconsult estima que a produção de café do Brasil em 2011 será de 46,5 milhões de sacas de 60 kg, ante 52 milhões de sacas este ano. Destaca-se que o setor cafeeiro sofre o efeito da bianualidade, quando em anos pares a produção de café é maior. Segundo André Pessoa os estoques baixos do café tanto no mercado internacional, quanto no Brasil, apesar da produção maior, estão puxando os preços para cima. "Este ano apesar de termos mais produção do que consumo, a diferença entre eles é muito pequena. Deveria ser maior para recompor estoques. Isso deve dar sustentação a preços em patamares elevados em 2011, como tivemos ao longo de 2010", frisou.

Em relação à soja, Pessoa afirmou que as previsões são mais difíceis. A expectativa de safra gira em torno de 68,4 milhões de toneladas, que representa uma redução ante 2009, quando foram colhidas 69 milhões de toneladas. O consultor atribui essa queda ao atraso do plantio da soja precoce na região Centro-Oeste, a estiagem no Rio Grande do Sul e a redução de área no Mato Grosso. "No Mato Grosso, algumas áreas que seriam destinadas à soja foram cobertas por algodão. O produtor nem plantou soja. Mesmo porque algumas safras estavam muito ruins", finalizou.

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