Produzir óleo de soja ficou mais rentável do que biodiesel

Agronegócio

Produzir óleo de soja ficou mais rentável do que biodiesel

A última vez que a situação ficou mais favorável para o biodiesel foi em maio de 2006
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Produzir e vender óleo de soja, em vez de biodiesel, ficou 18% mais vantajoso em junho deste ano, segundo estudo da Safras & Mercado. Os preços do óleo de soja, que nos últimos doze meses subiram 45% na Bolsa de Chicago (CBOT) justificam a condição, segundo o analista de bionergia Miguel Biegai Júnior.

Ele explica que a última vez que a situação ficou mais favorável para o biodiesel foi em maio de 2006, quando os preços do óleo de soja ainda compensavam a fabricação do combustível. Naquela época, a relação entre preço do produto final e o custo de produção para fabricar farelo e óleo de soja equivalia a um custo de R$ 26 com a saca de soja. Já para produzir farelo e biodiesel o custo equivalente da saca da oleaginosa era menor, de R$ 25. "Em junho deste ano, essa relação ficou em 27,80 e R$ 33, respectivamente", compara.

O cálculo, explica o analista, considera os respectivos preços de venda dos produtos e o custo de esmagamento. "É válido para as empresas que não compram no mercado futuro", observa. Na última segunda-feira, o óleo de soja foi cotado na CBOT a US$ 36,93 centavos de dólar por libra-peso, alta de 45% em relação ao último dia de maio de 2006. De outro lado, os preços médios do litro do biodiesel negociados nos leilões da Agência Nacional de Petróleo (ANP) baixou de R$ 1,905 na terceira oferta pública ocorrida em julho de 2006 para R$ 1,862 no quinto leilão, em fevereiro deste ano, recuo de 2,2%.

Por esse contexto, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biodiesel (Abiodiesel), Nivaldo Trama, acredita que grande parte das empresas autorizadas a processar ou não estão operando ou processam apenas para atender os contratos firmados na Petrobras. "Eles venderam o biodiesel por um preço mas não fixaram o preço da matéria-prima e, agora, o valor não oferece retorno", avalia Trama.

É o ônus de quem não fez a proteção de preço da matéria-prima, segundo Biegai. Ele explica que há pouco menos de um ano, em 13 de julho de 2006, quem optou por fixar os custos de aquisição do óleo de soja via bolsa, considerou que os patamares de 29,60 centavos de dólar por libra-peso (contrato de julho/07) eram altos. Afinal de contas, o contrato de julho de 2006 estava em 27,43 centavos de dólar por libra-peso. "As médias históricas apontavam para preços na casa dos 20 a 22 centavos de dólar por libra-peso. Atualmente, próximo ao seu vencimento, o contrato de julho oscila na casa dos 35 centavos de dólar por libra-peso", completa Biegai.

Até agora, a ANP autorizou 32 plantas de biodiesel que somam capacidade de produção de 1,2 bilhão de litros.


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