Proteção agrícola: Pesquisa brasileira pode mudar ISO

AGROQUÍMICOS

Proteção agrícola: Pesquisa brasileira pode mudar ISO

Hamilton Ramos, do IAC-Quepia estará na reunião do Comitê Mundial da entidade certificadora
Por: -Leonardo Gottems
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O pesquisador brasileiro Hamilton Ramos recomenda alterar duas normas da ISO (International Standartization Organization) sobre vestimentas de proteção utilizadas no trabalho rural. Além disso, o especialista propõe ainda a criação de uma nova norma ISO para luvas protetivas. Seus trabalhos serão apresentados na reunião do Comitê Mundial da entidade certificadora, que vai até o dia 22 na cidade chinesa de Hangzhou Shi.

O primeiro estudo dos cientistas recomenda ao Comitê da ISO promover alterações estruturais numa cabine de testes específica para avaliações de risco e segurança de vestimentas agrícolas com base da norma ISO 17491-4. Ramos informa que essa cabine equivale a um simulador de aplicações terrestres de agroquímicos.

Formado por uma plataforma giratória suspensa, fechada por vidros e dotada de bicos e pontas de pulverização, o aparelho mede cerca de 3 metros de diâmetro e 3 metros de altura. Nas simulações, uma pessoa treinada, equipada com uma vestimenta protetiva, faz movimentos de corpo similares aos de um trabalhador rural que no dia a dia maneja agroquímicos no campo. Simultaneamente, bicos e pontas de pulverização lançam sobre a vestimenta em teste quantidades de um líquido semelhante a determinados agroquímicos, porém não tóxico. 

“A proposta que levaremos à ISO é a de mexer nas especificações de bicos e pontas de pulverização do simulador. Esta medida, segundo concluímos, tornará as simulações ainda mais precisas e trará ganhos de qualidade à norma que versa sobre a segurança de vestimentas protetivas”, resume Ramos. 

O segundo estudo se refere à norma da ISO 27065, que trata da permeabilidade de equipamentos protetivos agrícolas. O pesquisador explica que os ensaios dessa norma eram realizados com a utilização do herbicida químico de nome Prowl, que é alvo de restrições regulatórias que dificultam sua importação, o que Ramos afirma que “atrasa estudos relevantes em andamento na área, em todo o mundo”.

Sua equipe desenvolveu um corante de cor amarela, não tóxico e de consistência idêntica ao Prowl, que tende agora a ser adotado pelo Comitê da ISO como requisito da norma ISO 27065. O novo corante serviu de base técnica a ensaios preliminares para a elaboração da primeira norma da ISO atrelada à qualidade de luvas para manuseio de agroquímicos (ISO 18889), outra proposta que será discutida na reunião da China.

“Estamos otimistas quanto à aceitação de nossas propostas na reunião da China. Foram trabalhos de longa duração que produziram resultados bastante consistentes”, justifica Hamilton Ramos. Participarão do encontro mais de 20 cientistas de países agrícolas

Coordenador do programa IAC-Quepia de Qualidade de Equipamentos de Proteção na Agricultura e cientista do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (CEA-IAC) - órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo -, Ramos conduziu seus trabalhos no laboratório avançado do “Quepia”, na cidade paulista de Jundiaí.

Ele trabalhou em conjunto com a cientista norte-americana Anugrah Shaw, da Universidade de Maryland (Estados Unidos). Os recursos para a viabilização dos estudos vieram do Consórcio Internacional para Desenvolvimento e Avaliação de Equipamentos de Proteção para o Trabalho com Agrotóxicos.


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