Em outubro, os preços mundiais do arroz apresentaram evoluções mistas com um aumento médio de apenas 1%. Apesar da queda previsível na produção mundial de arroz devido às más condições climáticas, o mercado mostra sobriedade com tensões moderadas nos preços mundiais. Apenas os preços vietnamitas aumentaram significativamente em 5% devido à forte demanda externa e à oferta relativamente fraca. Já os preços indianos subiram somente de 2% apesar do anúncio de medidas restritivas às exportações, mas que estão sujeitas a exceções a fim de honrar contratos já assinados e para descongestionar os portos de embarque.
Em contraste, os preços tailandeses caíram 3%, principalmente devido à desvalorização do bath tailandês em relação ao dólar. Os preços paquistaneses também caíram 1% com a chegada da nova safra ao mercado. No hemisfério ocidental, os preços estiveram firmes devido à diminuição dos suprimentos exportáveis. Diante da queda da produção mundial, os países exportadores deveriam utilizar seus estoques para atender à demanda mundial, que deveria ser bastante moderada nos próximos meses, seguindo o exemplo da China, cujas importações poderiam cair 5% em 2023. Na África Subsaariana, o maior polo de importação do mundo, a demanda tende atualmente a enfraquecer graças aos estoques relativamente altos de arroz importado e à chegada das novas safras locais ao mercado.
Em outubro, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) subiu apenas 2,3 pontos, para 200,7 pontos (base 100=janeiro de 2000). No início de novembro, o índice IPO mantivesse estável em torno de 202 pontos, o nível mais alto desde junho de 2021.
Produção mundial
De com as últimas estimativas da FAO, a produção mundial de arroz em 2021 aumentou em 1,4% para 791 Mt (525,2 Mt base beneficiado) de 780,3 Mt em 2020. Em 2022, as previsões indicam uma queda de 2,4% para 772 Mt (512,5 Mt base beneficiado). Este seria o maior declínio anual desde 2002 devido às más condições climáticas no sul da Ásia, particularmente na Índia onde a safra principal poderia cair 4,5%. Na China também, a produção deve cair em 1,3%.
Em contraste, a produção na Tailândia e no Vietnã permaneceu bastante estável, inclusive aumentando em torno de 1%. Nos Estados Unidos, a produção caiu de 14% em 2022 por causa da nova redução nas áreas arrozeiras. No Mercosul, estima-se que a produção tenha caído 8% em 2022, retornando ao seu nível de 2020. Na África subsaariana, a produção de arroz foi novamente perturbada pela falta de insumos e inundações, particularmente na África Ocidental.
Comércio e estoques mundiais
Em 2021, o comércio mundial do arroz aumentou significativamente em 13% para 51,6 Mt contra 45,7 Mt em 2020. Este é o maior aumento desde 2017. As necessidades de importação aumentaram 10% no sul da Ásia, principalmente com o retorno de Bangladesh ao mercado de importação. Na China, as compras externas aumentaram em 42%. Na África subsaariana, também houve uma recuperação nas importações, especialmente na Nigéria com a reabertura de suas fronteiras terrestres no final de 2020. Em 2021, a Índia atingiu um novo recorde de exportação com 21,4 Mt, já 48% acima de seu recorde anterior em 2020 e respondendo por 42% do comércio mundial.
A Tailândia terminou novamente em terceiro lugar, atrás do Vietnã, apesar de um aumento significativo nas vendas externas no segundo semestre de 2021. Em 2022, as previsões indicam um aumento adicional no comércio mundial de 4,2% para 53,8 Mt. Entretanto, o aumento seria menos importante do que o esperado devido às medidas restritivas das exportações indianas anunciadas no início de setembro. No entanto, a Índia manterá sua liderança mundial com uma previsão de 20 Mt em 2022, enquanto a Tailândia poderá recuperar o segundo lugar no mundo com 8 Mt contra 6,9 Mt para o Vietnã.
Os estoques mundiais de arroz no final de 2021 aumentaram em 3,4% para 193,6 Mt contra 187,2 Mt em 2020. Isto representa 38% das necessidades mundiais, já acima da média dos últimos cinco anos. O aumento se deve principalmente ao incremento dos estoques indianos graças às boas safras em 2021. Por outro lado, as reservas chinesas teriam caído em 0,5% e voltariam a cair em 2022. No entanto, elas continuam sendo abundantes, equivalentes a 70% do consumo anual e 50% dos estoques mundiais. Nos principais países exportadores, os estoques aumentaram em 5% em 2020/21 para 55 Mt, ou seja, 30% dos estoques mundiais. Em 2022, espera-se que os estoques mundiais aumentem novamente em 1,7% para 196,9 Mt, mas poderão cair 1,8% em 2023 devido à queda prevista na produção mundial em 2022/2023.
Na Índia, os preços do arroz subiram 2% em outubro. Este aumento relativamente moderado deve-se ao fato de que o arroz indiano continua sendo exportado. O governo indiano flexibilizou as restrições à exportação, permitindo a exportação de um milhão de toneladas, em trânsito nos portos de embarque, e vendas externas contratadas antes de 9 de setembro. Além disso, a Índia já exportou 90% de sua previsão anual, que deveria atingir 21 Mt em 2022, apenas 2% abaixo do volume recorde de 2021. No final de outubro, os preços estavam enfraquecendo-se devido à desvalorização da rupia em relação ao dólar e à mitigação da demanda, à medida que os importadores procuram outras origens para se abastecer.
Em outubro, o arroz 5% marcou $ 378/t Fob contra $ 371 em setembro. O arroz 25% subiu para $ 365, contra $ 360. Na Tailândia, os preços caíram 3%, voltando ao nível de agosto. A contração deve-se principalmente à desvalorização do bath tailandês em relação ao dólar. O bath marca o nível mais baixo desde 2006. Além disso, a demanda de importação está diminuindo, enquanto as novas colheitas do nordeste estão começando a chegar ao mercado. Entretanto, os exportadores tailandeses esperam aproveitar das restrições indianas para atrair novos clientes. As exportações poderiam subir para 8 Mt em 2022, já -30% a mais que em 2021, recuperando assim o segundo lugar no mundo à frente do Vietnã.
O preço do arroz Tai 100%B marcou $ 425, contra $ 436 em setembro. O arroz parboilizado também caiu para $ 425, contra $ 436. Em contraste, o preço do arroz quebrado A1 Super ficou firme em $ 380, contra $375. O arroz quebrado tailandês aproveita a interrupção das exportações de arroz quebrado da Índia e a falta de ofertas do Vietnã. No início de novembro, os preços tendiam a se fortalecer devido a um melhor desempenho do bath em relação ao dólar e ao aumento da demanda externa.
No Vietnã, os preços de exportação aumentaram significativamente em 5% e marcam o nível mais alto desde junho de 2021. Espera-se que os preços permaneçam firmes até o final do ano devido à redução na oferta exportável e à forte demanda externa. Em outubro, as exportações vietnamitas aumentaram 25% para 714.000 t contra 572.000 t em setembro. As exportações marcam um avanço de 11% e podem atingir até 7 Mt em 2022. O Viet 5% foi negociado a $ 430, contra $ 409 anteriormente. O Viet 25% subiu para $ 410 contra $ 390. No início de novembro, os preços permaneciam firmes.
No Paquistão, os preços do arroz diminuíram levemente com a chegada da nova safra. O declínio da rupia paquistanesa em relação ao dólar também contribuiu para a queda dos preços. Em 2022, as exportações poderiam atingir 4,5 Mt, marcando um avanço de 15% sobre 2021. Em outubro, o Pak 25% caiu para $ 376, contra $ 378 em setembro. No início de novembro, os preços tendiam a se fortalecer devido a novas demandas externas.
Na China, a seca afetou as principais províncias produtoras de arroz, causando uma queda de 1,3% na produção doméstica em 2022. Diante disso, a China planeja reduzir seu consumo, assim como suas importações, especialmente de arroz quebrado. Para ao consumo interno, a China terá que recorrer a seus estoques, que ainda são abundantes e respondem por quase 70% de seu consumo anual.
Nos Estados Unidos, os preços do arroz subiram novamente 1% dentro de um mercado ativo, apesar da forte concorrência do Mercosul em seus mercados tradicionais da América Central. As exportações subiram para 200.000 t contra 160.000 t em setembro. No entanto, as ventas externas marcam um atraso de 20%. A concorrência do Mercosul no mercado mexicano, o principal mercado para o arroz americano, é parcialmente compensada por bons resultados nos mercados do Caribe. O preço indicativo do arroz casca Long Grain 2/4 subiu para $ 695/t, contra $ 686 em setembro. No início de novembro, o preço estava estável. Na Bolsa de Chicago, os preços futuros do arroz paddy caíram 5% para $ 367/t, contra $ 386 em setembro. No início de novembro, os preços tendiam a se fortalecer significativamente para $ 393.
No Mercosul, os preços de exportação aumentaram novamente em 2% graças ao mercado externo que continua ativo. As exportações aumentaram expressivamente, sobretudo na América Central. No Brasil, as exportações teriam atingido 270.000 t (base beneficiado) contra 123.000 t em setembro. As exportações brasileiras poderiam atingir 1,1 Mt em 2022 (base beneficiado) contra 800.000 t em 2021, já 42% a mais em relação a 2021. O preço indicativo do arroz paddy brasileiro subiu 2,5% para $ 299/t, contra $ 292 em setembro. No início de novembro, o preço indicativo do arrozbrasileiro ainda estava firme em torno de $ 312.