A seca pode comprometer o desenvolvimento da cana-de-açúcar, reduzindo o número de colmos, o crescimento das plantas e o acúmulo de biomassa. Embora a cultura apresente certa tolerância à falta de água, períodos prolongados de estiagem podem afetar tanto a produtividade agrícola quanto a qualidade da matéria-prima destinada à indústria.
Em regiões produtoras como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, os efeitos dependem da intensidade da estiagem, das características do solo, da variedade cultivada e, principalmente, da fase de desenvolvimento em que ocorre o déficit hídrico.
A brotação e o perfilhamento estão entre os períodos mais sensíveis. A falta de umidade nessas etapas pode provocar falhas no estabelecimento das plantas, morte de perfilhos e redução da quantidade de colmos por hectare, com reflexos na produção mesmo após o retorno das chuvas.
Durante o crescimento vegetativo, quando ocorre o alongamento dos colmos, a necessidade de água aumenta. A estiagem nessa fase pode limitar a altura e o diâmetro das plantas, reduzindo a produção de biomassa. Mesmo com a recuperação das chuvas, as perdas provocadas por um déficit hídrico severo podem não ser totalmente compensadas.
Na maturação, períodos moderadamente secos podem favorecer o acúmulo de sacarose. Entretanto, a falta de água intensa e prolongada, especialmente quando associada a temperaturas elevadas, pode comprometer a qualidade tecnológica da cana.
No campo, os principais sinais de estresse hídrico incluem enrolamento e murcha das folhas, amarelecimento, secamento da parte inferior das plantas, morte de perfilhos e desuniformidade do canavial.
A avaliação dos danos deve considerar o histórico de chuvas, a profundidade das raízes, a compactação do solo e medições de altura, diâmetro e população de colmos. Na colheita, indicadores como toneladas de cana por hectare e açúcares totais recuperáveis (ATR) ajudam a dimensionar os impactos.