A qualidade das pastagens é um dos fatores que mais influenciam a produtividade e a rentabilidade da pecuária. No Brasil, cerca de 95% da carne bovina é produzida em regime de pastagens, que ocupam aproximadamente 167 milhões de hectares, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Para preservar o potencial produtivo dessas áreas, é importante adotar práticas que favoreçam o desenvolvimento das gramíneas forrageiras e a disponibilidade de alimento para o rebanho.
Entre os fatores que comprometem esse potencial estão a degradação do solo, a baixa fertilidade, o manejo inadequado do pastejo e a infestação por plantas invasoras. Essas espécies competem com as forrageiras por água, luz e nutrientes, reduzindo a produção de capim e a capacidade de suporte da pastagem. Algumas também podem apresentar toxicidade para os animais.
“Para definir o momento mais adequado de intervenção, o produtor deve acompanhar as condições da pastagem ao longo do ano. A identificação precoce das plantas invasoras e o monitoramento da cobertura de capim ajudam a orientar as decisões e evitar que a infestação comprometa ainda mais o desenvolvimento das forrageiras”, explica Wesley Vaz, gestor da Nossa Lavoura de Espigão D’Oeste.
A escolha dos defensivos deve considerar as espécies invasoras presentes na área, o estágio de desenvolvimento das plantas e a seletividade do produto ao capim. Também é importante optar por soluções registradas para a finalidade e avaliar a eficácia, as condições de aplicação e o custo por hectare efetivamente controlado. Esses critérios ajudam a tornar o manejo mais eficiente e previsível.
Os adjuvantes também podem contribuir para o resultado da aplicação, favorecendo o espalhamento, a retenção e a penetração das gotas, além de reduzir perdas durante a pulverização. Mas, é importante lembrar que sua utilização deve considerar a formulação do herbicida, a qualidade da água e as recomendações de bula, uma vez que nem toda aplicação exige produtos adicionais.
“Não basta escolher um defensivo de qualidade. É preciso identificar corretamente as plantas invasoras, utilizar a dose adequada e respeitar as condições recomendadas para a aplicação. A incompatibilidade entre produtos, as falhas na regulagem dos pulverizadores, a qualidade da água e as condições climáticas desfavoráveis também podem comprometer a eficiência do controle”, ressalta Vaz.
Quando realizado de forma adequada, o controle de plantas invasoras reduz a competição com as gramíneas forrageiras e favorece seu desenvolvimento. Com isso, pode contribuir para aumentar a disponibilidade de alimento para o rebanho, a taxa de lotação e a produção animal por hectare. O manejo da rebrota também influencia a recuperação da cobertura vegetal e a qualidade nutricional da forragem.
Em áreas degradadas, entretanto, o controle químico precisa ser associado a outras práticas, conforme as condições do local. Correções da fertilidade do solo, ajustes na taxa de lotação e no manejo do pastejo e, em alguns casos, a ressemeadura, podem ser necessários para restabelecer o potencial produtivo da pastagem.
“Antes de definir as medidas a serem adotadas, o produtor precisa avaliar a fertilidade do solo e as condições da cobertura vegetal. Após as intervenções, acompanhar a produção de forragem, a taxa de lotação e o desempenho dos animais ajuda a avaliar os resultados e orientar as próximas decisões”, comenta o especialista.
Além dos ganhos produtivos, o manejo criterioso das pastagens pode contribuir para uma pecuária mais sustentável. A recuperação da capacidade produtiva de áreas já abertas pode reduzir a pressão por expansão territorial, enquanto a aplicação tecnicamente correta de defensivos e adjuvantes ajuda a evitar desperdícios, reduzir a deriva e minimizar os riscos ambientais.