Qualidade mantém preços do trigo sustentados no país
As exportações de Rússia e Ucrânia seguem reduzidas
As exportações de Rússia e Ucrânia seguem reduzidas - Foto: Pixabay
O mercado de trigo atravessa um cenário de pressão no exterior, enquanto os preços no Brasil seguem sustentados pela oferta limitada de cereal com qualidade industrial e pela entrada irregular da nova safra. Segundo análise semanal da TF Agroeconômica, Chicago mantém tendência baixista no curto prazo, mas o mercado físico brasileiro ainda não absorveu de forma significativa esse movimento.
No mercado internacional, a expectativa de avanços diplomáticos entre Rússia e Ucrânia pressionou as cotações, diante da possibilidade de normalização dos embarques pelo Mar Negro. A demanda pelo trigo norte-americano também permanece fraca. As vendas externas dos Estados Unidos somaram 267,6 mil toneladas entre 11 e 17 de setembro, queda de 18% na semana. No acumulado, chegaram a 9,37 milhões de toneladas, 31,3% abaixo do mesmo período de 2025.
Apesar da pressão, o conflito no Mar Negro ainda mantém riscos logísticos. As exportações de Rússia e Ucrânia seguem reduzidas, enquanto a Ucrânia enfrenta aumento dos estoques e menor espaço de armazenagem antes da entrada da safra de milho. Na Argentina, 94,6% da área de trigo apresenta condição normal ou excelente, com produção estimada em 21 milhões de toneladas.
Em Chicago, o contrato dezembro de 2026 fechou próximo de US$ 7,03 por bushel. A faixa entre US$ 6,80 e US$ 6,90 aparece como suporte, enquanto US$ 7,20 funciona como resistência imediata.
No Brasil, o cenário permanece mais firme. No Paraná, os preços avançaram para R$ 1.530 a R$ 1.540 por tonelada, enquanto no Rio Grande do Sul chegaram à faixa de R$ 1.420 a R$ 1.435. A sustentação está ligada principalmente à escassez de trigo Tipo 1 e à grande variação de PH, Falling Number, glúten e W nos primeiros lotes da nova safra.
Com isso, a disponibilidade física maior não significa necessariamente aumento proporcional da oferta destinada à moagem. Para os próximos dias, o principal ponto de atenção será a capacidade da pressão externa de atingir um mercado doméstico ainda sustentado pela qualidade limitada do cereal disponível.