Quebra da 1ª safra de milho no Sul dá pouco impulso à 2ª
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Agronegócio

Quebra da 1ª safra de milho no Sul dá pouco impulso à 2ª

Dificuldades como a oferta de sementes e questões climáticas limitam ampliação da área
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SÃO PAULO (Reuters) - A quebra da primeira safra de milho 2011/12 no Sul do Brasil, que reduzirá a produção nacional em cerca de 10 por cento em relação à estimativa inicial, não será suficiente para levar produtores a plantar muito mais do que o planejado na segunda safra, segundo especialistas.

Eventualmente, muitos plantariam mais apostando em atender potenciais compradores do milho que foi perdido na primeira safra, que deverá cair quase 4 milhões de toneladas, ante estimativa inicial para o Brasil de 39 milhões de toneladas, segundo fontes oficiais.

Mas há algumas dificuldades para a ampliação da área, como a oferta de sementes e questões climáticas, que limitarão uma semeadura muito além da área projetada preliminarmente pelo setor produtivo, que já é grande.

A segunda safra de milho, antes mesmo das perdas pela seca no Sul, já teria um plantio recorde nos dois principais Estados produtores do Brasil (Mato Grosso e Paraná, responsáveis por mais de 60 por cento da produção em 2010/11), por conta de preços estimulantes.

"De maneira geral, a gente sabe que quando uma safra tem prejuízo, o produtor tenta compensar na outra. Mas dessa vez tem alguns gargalos. Se ele pensa em aumentar, tem a questão de híbridos preferenciais e preço da sementes", afirmou a agrônoma Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral) do governo do Paraná.

"Outra coisa preocupante é clima, a safra está sendo plantada em ano de La Niña. A tendência é continuar seco e (o fenômeno climático) permite entrada de frentes frias (no inverno)", o que aumenta o risco de geadas, acrescentou a agrônoma.

Margorete lembrou que o Deral prevê um recorde no plantio da safrinha de 1,9 milhão de hectares, aumento de 12 por cento ante o ano passado, que já foi o maior da história. Antes da quebra de safra, o órgão do governo previa um crescimento de 10 por cento.

A falta de atratividade do trigo deve colaborar para a área maior de milho segunda safra.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deverá divulgar sua primeira previsão de plantio da segunda safra de milho na próxima quinta-feira.

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Com essa previsão de plantio do Deral, o Paraná poderá colher em condições normais de clima um recorde de 9,6 milhões de toneladas, quase o mesmo volume previsto pelo Mato Grosso (9,8 milhões de toneladas), que deverá semear em uma área de 2,2 milhões de hectares, alta de 26 por cento ante a temporada passada, segundo o Imea, o instituto de análises ligado ao setor produtivo.

"Efetivamente, um aumento de área (maior) não acredito, justamente pela disponibilidade de semente. Por esse cenário, não acredito muito em alteração na área", disse o gestor do Imea Daniel Latorraca.

O plantio está em fase inicial tanto no Paraná quanto em Mato Grosso.

"Se tivesse mais sementes, poderia crescer mais, e sementes de qualidade, que foi o que procuraram os produtores, que estavam capitalizados tanto com safra boa de soja quanto com a última de milho."

Outro fator que limita um crescimento extra do plantio é o planejamento do produtor, que já estava realizado antes da quebra de safra no Sul. "O produtor já comercializou bastante também, a comercialização de milho já supera 50 por cento (do que o produtor espera colher)."

Para o presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Narciso Barison Neto, as produtoras de sementes se planejaram para fornecer para um plantio recorde na segunda safra, que poderia atender ao crescimento de até 15 por cento da área, mas não considerava a quebra de safra no Sul.

"Esse quadro faz com que a demanda fique aquecida, os preços se mantiveram atrativos em função da quebra no Sul. O que a Abrasem enxerga é que pode haver uma procura mais expressiva por determinadas variedades de sementes em alguma região... pode faltar em algum ponto do país... mas nada que afete a oferta para atender a demanda do aumento significado da safrinha", disse Barison Neto.

Segundo ele, se não houvesse o problema climático, o setor não veria nem mesmo problemas pontuais relacionados a sementes.

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