Queda das cotações de arroz em abril já é de 4,32%

Agronegócio

Queda das cotações de arroz em abril já é de 4,32%

Grande safra, concentração do produto no Sul e baixos preços internacionais afetam o mercado
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PEP e AGFs não bastaram para o mercado alcançar os patamares mínimos determinados por lei. Grande safra e a concentração do produto no Sul, além dos baixos preços internacionais, afetam o mercado

A queda das cotações de arroz chegou a 4,32% até esta terça-feira, 19 de abril, segundo o Indicador do Arroz Esalq/BVMF. A cotação do dia fechou em R$ 19,05 para a saca de arroz em casca de 50 quilos, com padrão 58x10, colocada nas indústrias do Rio Grande do Sul. O valor em dólar chega a US$ 12,09, e indica que o preço pago ao produtor, livre, não deve superar R$ 18,00. E atesta também que os mecanismos de leilão de PEP e AGFs não surtiram os efeitos esperados, diante do mercado internacional baixista, o excesso de produção e importações do Brasil e, por fim, a concentração da safra no Sul do País. Se levarmos em conta as projeções do IRGA, o Rio Grande do Sul poderá ter uma safra superior a 9 milhões de toneladas, agregada em mais 4 milhões pelas safras de Santa Catarina, Argentina, Uruguai e Paraguai, no seu entorno.

Com o mercado nestes patamares, muitas indústrias estão fora de mercado por absoluta falta de espaço em seus armazéns e, até mesmo depósitos alugados ou "silos bag", estão lotados em diversos polos industriais. O esforço da indústria é para colocar o produto beneficiado no mercado, diante de uma verdadeira guerra de preços entre as marcas, incentivada pelas redes varejistas. Ao mesmo tempo, há bastante atenção voltada ao mercado internacional, uma vez que pelos preços internos, e mais o reforço do PEP, tornou-se bem vantajoso vender a terceiros países. Principalmente o arroz parboilizado.

Enquanto mais um grupo de lideranças vai à Brasília pedir medidas que dificilmente serão adotadas, como suspensão das importações do Mercosul, estabelecimento de preço-meta com o governo cobrindo a diferença entre o mercado e o preço mínimo, a esperança fica com a rolagem das dívidas de custeio, renegociação das dívidas históricas e uma solução para quase 2 milhões de toneladas de excedentes no Brasil. A entrada da Índia com 4 milhões de toneladas de arroz ofertado no mercado internacional, agrava ainda mais a situação.

Alta nos preços é um ponto bem distante no cenário que vem sendo indicado pelos analistas. A crise está afetando gravemente a economia das cidades arrozeiras do Rio Grande do Sul, com indicadores negativos no comércio. Sem remuneração para o arroz, os produtores só comercializam por obrigação e têm dificuldade de pagar os insumos contratados para a safra. Isso afeta todo o giro de recursos nos municípios e no Rio Grande do Sul, por exemplo.

Os preços médios no Rio Grande do Sul para a saca de 50 quilos de arroz em casca (58%), são de R$ 19,00, segundo apurou Planeta Arroz. A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preço médio de R$ 20,00 para a saca e R$ 44,00 para a saca de 60 quilos de arroz branco (sem ICMS). Segundo a mesma fonte, os derivados mantiveram os preços médios da última semana no Rio Grande do Sul, com R$ 32,20 para o canjicão (FOB/60kg), R$ 24,50 para a quirera (FOB/60kg) e R$ 220,00 para a tonelada de farelo (FOB/Arroio do Meio).

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