Reação nas cotações de soja em Chicago
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Reação nas cotações de soja em Chicago

Por enquanto é cedo para afirmarmos que o mercado da soja iniciou uma reversão consistente
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As cotações da soja em Chicago finalmente reagiram um pouco nesta semana. Após o primeiro mês ter fechado em apenas US$ 8,14/bushel no dia 13/07, estando prestes a romper o piso dos US$ 8,00/bushel, o mesmo se recuperou e fechou nesta quinta-feira (19) em US$ 8,46. 

Por enquanto é cedo para afirmarmos que o mercado da soja iniciou uma reversão consistente, após várias semanas de queda contínua. Todavia há um sentimento de que finalmente os operadores em Chicago já teriam precificado os prejuízos inerentes ao conflito comercial entre EUA e China, o qual não apresenta nenhum indicativo de solução no curto prazo. Se isso de fato se confirmar, o mercado passa agora a olhar com atenção redobrada o clima nos EUA, já que ultrapassamos a metade de julho e o mesmo se torna decisivo para o desenvolvimento das lavouras estadunidenses da oleaginosa. 

Dito isso, voltamos a alertar que, em havendo a retomada das negociações entre chineses e estadunidenses, com perspectiva de solução ao impasse comercial, as cotações em Chicago devem subir bem mais, se aproximando novamente do patamar de US$ 9,50/bushel e, talvez, mais. Afinal, os Fundos estão com posições muito vendidas em grão e óleo, devendo reverter este quadro, diante das cotações muito baixas destas últimas semanas, assim que houver um motivo mais consistente.

Outro elemento que pode auxiliar na recuperação das cotações é que a diferença de prêmio entre os portos sul-americanos e estadunidenses está ao redor de 25%, sendo bastante elevada e tornando o produto dos EUA mais competitivo às vésperas de nova colheita. Ou seja, neste momento o grão já está com preços muito baixos em Chicago para o padrão geral do mercado físico (cf. AgResources).

Por outro lado, vive-se um clima mais seco nas regiões de produção estadunidenses neste meados de julho. Tanto é verdade que as condições das lavouras pioraram um pouco nos EUA, ficando em 8% entre ruins a muito ruins, 23% regulares e 69% entre boas a excelentes (levantamento feito pelo USDA em 15/07).

Por sua vez, a Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais (NOPA) informou que o esmagamento de soja nos EUA atingiu a 4,33 milhões de toneladas em junho. Este volume ficou um pouco abaixo da expectativa do mercado. Já as inspeções de exportação estadunidenses de soja chegaram a 635.429 toneladas na semana encerrada em 12 de julho, acumulando no atual ano comercial um total de 50,98 milhões de toneladas, contra 53,32 milhões no acumulado do ano anterior nesta época.

Pelo lado da demanda, as importações de soja em grão por parte da China somaram 8,7 milhões de toneladas em junho, com elevação de 13% sobre igual mês de 2018. No acumulado de 2018, as compras chinesas somam 44,87 milhões de toneladas, com avanço de apenas 0,1% sobre igual período do ano passado. Os chineses compraram 35,9 milhões de toneladas de soja do Brasil nos primeiros seis meses do ano, com alta de 5% sobre igual período do ano anterior. A Espanha foi nosso segundo comprador com 1,5 milhão de toneladas de soja em grão, com recuo de 2%, seguida do Irã com 1,08 milhão de toneladas, este com alta de 26% sobre igual período de 2017.

Outra notícia importante procedente da China, e que deu certo alento ao mercado, foi a de que o governo local pretende reembolsar as tarifas extras de importação (25%) que o governo aplicará sobre o produto procedente dos EUA, dentro da atual guerra comercial existente entre os dois países. Este reembolso será para a soja destinada à formação de estoques estatais. Na prática, o importador pagará os 25% que, posteriormente, serão reembolsados pelo governo.

Aqui no Brasil, o câmbio recuou um pouco durante a semana, se estabelecendo em R$ 3,83 por dólar em alguns momentos da mesma. Mas a recuperação em Chicago, mesmo que pequena, compensou em boa parte o movimento cambial e a semana fechou com o balcão gaúcho valendo R$ 75,60/saco. Já os lotes ficaram entre R$ 81,50 e R$ 82,00/saco, Nas demais praças nacionais, os lotes oscilaram entre R$ 68,00/saco em Querência (MT) e R$ 83,50 no norte do Paraná, passando por R$ 75,00 em São Gabriel (MS); R$ 74,00 em Goiatuba (GO); R$ 68,50 em Pedro Afonso; R$ 70,50 em Uruçuí (PI); e R$ 83,00/saco em Campos Novos (SC).

Dito isso, Safras & Mercado informa que a safra, para 2018/19, deverá atingir a um total de 119,9 milhões de toneladas de soja. A mesma praticamente fica igual ao colhido na safra deste último ano (119,4 Mt). O Mato Grosso deverá colher 32,1 milhões de toneladas, seguido do Paraná com 19,4 milhões, o Rio Grande do Sul com 18,1 milhões, e Goiás 12 milhões de toneladas. Estes quatro Estados da Federação representarão 68% da produção total nacional de soja.
 


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