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Sarna da pereira: como a chuva aumenta o risco nos pomares

INTA aponta risco severo de infecção e recomenda reforçar o monitoramento


Foto: Divulgação

A combinação de chuvas frequentes e alta umidade na primavera de 2026 aumenta o risco de doenças em pomares de frutas de caroço e de pomóideas no Alto Vale, na região de Río Negro, na Argentina. Segundo informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), especialistas recomendam reforçar o monitoramento fitossanitário, especialmente em áreas com histórico de infecções por sarna da pereira e outras doenças fúngicas.

Entre o final de setembro e o início de outubro, as árvores frutíferas de pomóideas passam por estágios fenológicos sensíveis, nos quais a umidade persistente pode favorecer o desenvolvimento de patógenos. O cenário exige atenção dos produtores para reduzir os riscos de infecção e preservar a qualidade comercial dos frutos.

Segundo relatório do INTA Alto Valle, as condições de umidade durante a floração e a queda das pétalas podem favorecer infecções por fungos como Botrytis e Cladosporium. Esses patógenos podem permanecer dormentes e provocar podridões após a colheita. “Condições de umidade durante a floração e a queda das pétalas podem favorecer infecções fúngicas como Botrytis e Cladosporium, que podem permanecer dormentes e se manifestar como podridões após a colheita. Portanto, é importante dar atenção especial aos pomares com histórico desses problemas”, observou Jonatán Lago, especialista do INTA Alto Valle.

Outra doença favorecida pelas condições climáticas é a sarna da pereira, causada pelo fungo Venturia pyrina. A infecção ocorre quando períodos de chuva ou de umidade prolongada coincidem com temperaturas favoráveis ao desenvolvimento do patógeno.

A doença pode afetar folhas, flores e frutos. Nas pereiras, provoca manchas escuras e deformações, comprometendo a qualidade comercial da produção.

O risco de infecção depende não apenas do volume de chuva acumulado, mas também da temperatura registrada durante o período de umidade. Para acompanhar essas condições, o INTA Alto Valle utiliza informações de sua rede de estações meteorológicas na elaboração de boletins fitossanitários que orientam os produtores sobre o risco em diferentes localidades. “Os registros indicaram um alto índice de risco de infecção por sarna em todo o Alto Vale, com condições homogêneas em toda a região. O monitoramento das condições climáticas nos permite identificar situações de risco e ajustar as estratégias de manejo sanitário”, explicou Marisa Aluminé Tudela, do INTA Alto Valle.

As flores e as folhas jovens estão entre as estruturas mais suscetíveis à doença. Quando a infecção ocorre nessa fase, pode provocar danos aos tecidos em desenvolvimento e levar à queda prematura das flores.

Em variedades de pera suscetíveis, como Williams e Red Bartlett, a recomendação dos especialistas é reforçar a vigilância, sobretudo nos pomares que já apresentam histórico de sarna.

Nessas áreas, a orientação é aplicar fungicidas sistêmicos entre 48 e 96 horas após o início da chuva, respeitando as instruções de uso de cada produto.

Como os sintomas podem demorar a aparecer, o acompanhamento das plantas também precisa continuar após os períodos de maior risco. Segundo as informações técnicas do INTA, o intervalo entre a infecção e o surgimento dos primeiros sinais varia de duas a três semanas, dependendo das temperaturas.

Por esse motivo, os especialistas recomendam monitorar folhas e frutos jovens no início de novembro, período em que os sintomas podem começar a ficar visíveis.

Além dos desafios fitossanitários, o excesso de umidade no solo pode dificultar as operações dentro dos pomares. A condição reduz a capacidade de circulação de tratores e pode impedir a entrada de máquinas para a realização dos tratamentos necessários. “Além dos riscos fitossanitários”, acrescentou Lago, “existem complicações operacionais decorrentes da elevada umidade do solo, que dificulta a circulação de tratores e a entrada de máquinas nos pomares”.

Diante dessas dificuldades, o INTA avalia o uso de drones como alternativa de apoio à aplicação de produtos fitossanitários. Por serem equipamentos leves, eles permitem aplicações direcionadas e podem reduzir o tráfego de máquinas nas áreas de cultivo.

A adoção da tecnologia, porém, depende da avaliação da qualidade da aplicação e da eficácia do controle, além do cumprimento das recomendações técnicas e das normas vigentes.

Com a previsão de condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças, o reforço do monitoramento climático e fitossanitário é uma das principais medidas para orientar o manejo nos pomares do Alto Vale durante a primavera.

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