Recuperação nas cotações de soja na expectativa de relatório
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Imagem: Pixabay
OFERTA E DEMANDA

Recuperação nas cotações de soja na expectativa de relatório

Após o anúncio, o primeiro mês cotado em Chicago fechou em US$ 16,60/bushel, contra US$ 16,78 uma semana antes
Por: -Aline Merladete

As cotações da soja, em Chicago, após ensaiarem um recuo nesta semana, se recuperaram um pouco na expectativa do novo relatório de oferta e demanda, o qual foi divulgado nesta quinta-feira (12). Após o anúncio do mesmo, o primeiro mês cotado em Chicago fechou em US$ 16,60/bushel, contra US$ 16,78 uma semana antes. Lembrando que, a partir desta segunda-feira (16), para efeitos de cálculo de nosso preço da soja aqui no Brasil, muda o mês de referência, sendo que julho passa a ser o primeiro mês. Ora, este novo mês fechou esta quinta-feira (12) em valores bem mais baixos, ou seja, em US$ 16,13/bushel.

Vale ainda destacar que, enquanto o farelo de soja recua fortemente, rompendo o piso dos US$ 400,00/tonelada curta, o óleo de soja volta a se aproximar de seu recorde histórico, alcançado no final de abril, o qual ficou acima dos 90 centavos de dólar por libra-peso. Neste momento, este fortíssimo aumento do óleo, puxado pelo aumento nas cotações do petróleo, devido a guerra entre Rússia e Ucrânia, ajuda a sustentar as cotações do grão, se sobrepondo ao farelo. Dito isso, o relatório do USDA, deste dia 12/05, o primeiro a trazer projeções para a futura safra estadunidense, indicou o seguinte, para a safra 2022/23:

1) A área a ser semeada com soja ficou estimada em 36,8 milhões de hectares, ou seja, 4,4% acima da área do ano anterior;

2) A produção dos EUA chegaria a 126,3 milhões de toneladas, contra uma expectativa média do mercado de 125,3 milhões;

3) Os estoques finais dos EUA ficariam em 8,4 milhões de toneladas, contra uma expectativa média do mercado de 8,7 milhões;

4) O preço médio do bushel de soja, aos produtores estadunidenses, no novo ano comercial 2022/23, ficaria em US$ 14,40, ou seja, cerca de dois dólares abaixo do que vem sendo praticado no momento;

5) A produção mundial de soja fica estimada em 394,7 milhões de toneladas, contra 349,4 milhões no atual ano comercial;

6) Os estoques finais mundiais ficam estimados em 99,6 milhões de toneladas, contra 98 milhões esperados pelo mercado e 85,2 milhões calculados para o corrente ano comercial;

7) A produção do Brasil está projetada em 149 milhões de toneladas, enquanto a da Argentina fica em 51 milhões de toneladas;

8) As importações da China ficariam em 99 milhões de toneladas.

Em paralelo a isso, o plantio da nova safra de soja nos EUA atingia a apenas 12% da área esperada, até o dia 08/05, contra 39% no mesmo período do ano passado e 24% na média histórica. Nesta data, 3% das lavouras estavam emergidas. O atraso se deve às condições climáticas desfavoráveis, porém, a janela de plantio ainda é larga.

Quanto às exportações de soja, na semana encerrada em 05 de maio, os EUA embarcaram 503.414 toneladas da oleaginosa, ficando este volume dentro do esperado pelo mercado. Em todo o atual ano comercial, até o momento, as vendas externas estadunidenses de soja atingem a 47,7 milhões de toneladas, ou seja, 15% a menos do que no mesmo período do ano anterior

Pelo lado da demanda, as importações de soja da China subiram, finalmente, em abril, em relação a março. Ajudou para isso a chegada de cargas atrasadas por causa do mau tempo e de colheitas lentas na América do Sul. Foram 8,08 milhões de toneladas importadas em abril, um aumento de 27% sobre março. Em abril do ano passado o volume importado havia sido de 7,45 milhões de toneladas. Com a chegada de navios atrasados, originários do Brasil, espera-se que maio atinja um volume importado de 9,4 milhões de toneladas. Por enquanto, nos quatro primeiros meses do corrente ano a China importou um total de 28,36 milhões de toneladas de soja, representando um recuo de 0,8% sobre o mesmo período do ano anterior. Estimativas dão conta de que a China precisaria importar entre 7 milhões a 8 milhões de toneladas de soja por mês, até agosto.

Já no Brasil, os preços recuaram, mesmo com o câmbio se mantendo entre R$ 5,05 e R$ 5,15 na semana. A média gaúcha no balcão caiu para R$ 186,05/saco, perdendo mais de cinco reais em relação a semana anterior, enquanto nas demais praças nacionais os preços oscilaram entre R$ 167,00 e R$ 180,00/saco. Destacando que nas principais praças de comercialização gaúchas o preço fechou a semana em R$ 182,00/saco.

A demanda chinesa, mais lenta neste momento, e a evolução da colheita na América do Sul, apesar da quebra importante, pressionam os preços internos. Além disso, Chicago recuou quase um dólar por bushel nestas duas últimas semanas. Existe também premência de muitos produtores para venderem sua soja, especialmente no Centro-Oeste, onde a colheita é cheia, pois faltam silos para armazenagem.

Neste momento, projeta-se uma colheita final no Brasil entre 121 e 123 milhões de toneladas, com recuo entre 11% e 14% sobre o volume colhido no ano anterior. Na medida em que a colheita se aproxima do final, o volume produzido vem baixando nas diferentes estimativas. A quebra se concentrou particularmente no sul do Mato Grosso do Sul, parte de São Paulo e Minas Gerais e nos três Estados do Sul, região de forte produção.

Neste caso, o Rio Grande do Sul ainda colhe sua safra, avançando lentamente devido ao excesso de chuvas nas últimas semanas. Neste momento, cerca de 80% da área gaúcha estaria colhida. Lembrando que a média histórica, para esta época, é de uma colheita ao redor de 95%. Devido à chuva, muitas lavouras também estão sofrendo perdas por que a soja está brotando antes de ser colhida, além da redução na qualidade do grão em geral. Portanto, a quebra final no Estado gaúcho poderá superar aos 55% até aqui contabilizados. No caso do milho gaúcho, a colheita teria chegado ao redor de 90% da área, porém, igualmente prejudicada pelas chuvas. Mesmo assim, a mesma está adiantada em relação a média histórica de 85% nesta época.

Já no Mato Grosso, as vendas antecipadas de soja e milho, para a safra 2022/23, avançam muito lentamente. Para a soja, a mesma atingiu a 22,5% da produção esperada, até o início deste mês de maio. Mesmo assim, acima da média histórica, que é de 18,6% para a época. Enquanto isso, para o milho safrinha, que somente será semeado em 2023, as vendas antecipadas atingem a 9,4% da produção esperada, contra 15,9% na última safra e 9,1% na média histórica. (cf. Imea) O produtor local, assim como o brasileiro em geral, está muito receoso em fechar contratos diante da  alta dos custos de produção, das últimas dificuldades climáticas e do que poderá vir a ser o câmbio no país neste ano eleitoral.

Vale destacar que, no campo dos fertilizantes, diante da possibilidade de faltar o insumo, devido à guerra no Leste Europeu e de outros problemas, as importações brasileiras dos mesmos saltou 72% em abril, sobre o mesmo período de 2021, para atingir a 3,25 milhões de toneladas. Em relação a atual safra de soja, o Mato Grosso já comercializou 73,4% de sua colheita. Os produtores estão acelerando as vendas para abrir espaço nos armazéns em função da chegada do milho safrinha.

Pelo lado das exportações brasileiras do complexo soja, a Abiove indicou que as vendas externas de óleo de soja, pelo país, foram estimadas em 1,8 milhão de toneladas em 2022. Com isso, os estoques finais do país, no corrente ano, ficam em 522.000 toneladas, desde que a produção deste óleo atinja a 9,7 milhões de toneladas e o consumo interno 7,9 milhões, como até aqui estimados. As razões para a maior participação brasileira nas vendas mundias de óleo de soja, neste ano, são a guerra entre Rússia e Ucrânia, que reduz as vendas locais de óleo de girassol; as medidas restritivas às exportações de óleo de palma, especialmente na Indonésia; e a maior demanda por óleo vegetal na Índia. Ainda, segundo a Abiove, se a estimativa for confirmada, este será o maior volume exportado, em um ano, pelo Brasil desde 2008, quando atingimos a 2,3 milhões de toneladas.

No ano passado exportamos 1,65 milhão de toneladas de óleo de soja. O recorde de exportação brasileira deste óleo foi atingido em 2005, com 2,7 milhões de toneladas. A partir daí, com o uso do mesmo para fabricar o biodiesel, no interior do país, as vendas externas diminuíram, mesmo havendo aumento na produção do grão. A Associação também revisou para cima o valor total que o país poderá obter com as exportações do complexo soja neste ano.

Agora, o total atingiria um novo recorde de US$ 57,95 bilhões. A Abiove indicou igualmente que o esmagamento de soja será um recorde de 48 milhões de toneladas em 2022, fato que permitirá exportar 18,3 milhões de toneladas de farelo e consumir internamente outras 18,1 milhões de toneladas deste subproduto, contra 19,2 milhões de toneladas consumidas em 2021. A exportação de soja pelo Brasil, segundo ela, foi mantida em 77,2 milhões de toneladas em 2022, ante o recorde de 86,1 milhões em 2021. E os estoques finais de soja dos brasileiros foram estimados em 2,58 milhões de toneladas em 2022. Lembrando que a Abiove ainda trabalha com a perspectiva de uma safra final de soja, para este ano, ao redor de 125 milhões de toneladas em nosso país. Ou seja, bem acima do que a iniciativa privada aponta.

Dito isso, a Anec projeta que as exportações brasileiras de soja, em maio, fiquem ao redor de 10,6 milhões de toneladas. Este volume é 2,6 milhões superior à projeção da semana anterior. Mesmo assim, o volume, baseado na programação de navios para embarque, ainda representa queda de 25,4% em relação ao mesmo mês de 2021. Já para o farelo de soja, a projeção semanal passou de 1,7 milhão de toneladas para 1,9 milhão, superando o volume de 1,7 milhão de toneladas exportado pelo país em maio do ano passado. A Anec também elevou a expectativa de vendas externas de milho para 927.209 toneladas em maio, um aumento de 25,7% sobre o indicado na semana anterior. Já para o trigo, o volume esperado na exportação de maio passou para 103.719 toneladas, com um aumento de 49,2% sobre o indicado na semana anterior

Enfim, para a nova safra 2022/23, as primeiras projeções dão conta de um volume a ser colhido ao redor de 146 milhões de toneladas, com alta de 19,5% sobre este último ano. A produtividade média chegaria a 3.464 quilos/hectare (57,7 sacos/hectare) no país, sendo que a área total semeada com a oleaginosa somaria 42,17 milhões de hectares, com a menor alta desde 2018. Potencial para isso o Brasil tem, a questão chave é combinar com o clima.

As informações são do relatório da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.


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