Região Oeste da Bahia colhe 45% mais algodão

Agronegócio

Região Oeste da Bahia colhe 45% mais algodão

A região, que concentra 97% da atividade no estado, colheu este ano 417,6 mil toneladas da commodity, contra 287,5 mil toneladas na safra anterior
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Considerada a safra da excelência na qualidade do algodão, o ciclo 2006/07 também registrou incrementos importantes na produção, área plantada e produtividade do algodão da Bahia. A região Oeste, que concentra 97% da atividade no estado, colheu este ano 417,6 mil toneladas da commodity, contra 287,5 mil toneladas na safra anterior, um crescimento de 45% na produção. A área plantada, que em 2005/06 foi de 216,3 mil hectares, passou para 277 mil hectares, expandindo-se, assim, em 28%. No quesito produtividade, uma referência nacional do estado, o Oeste atingiu 102.7 arrobas de pluma por hectare. Hoje a Bahia já responde por 30% da pluma produzida no país.

O primeiro levantamento para a próxima safra também aponta para o crescimento. A área plantada deve aumentar em 12%, com as lavouras ocupando 310 mil hectares no estado. A produção, segundo a Abapa, ficará em torno de 451,3 mil toneladas, cerca de 8% a mais que no ano anterior.

De acordo com o presidente da Abapa, Walter Horita, o ano de 2007 foi considerado um marco na volta ao crescimento do agronegócio brasileiro e a cotonicultura foi um destaque nesse período. “O clima favorável foi potencializado pelo profissionalismo do produtor. Mas, ainda poderíamos ter resultados melhores, caso pudéssemos dispor plenamente da tecnologia em engenharia genética, como fazem países como China e Índia, que ocupam, respectivamente, o primeiro e o segundo lugares no ranking da produção mundial”, afirmou. Horita lembra, ainda, que o câmbio valorizado em patamares muito altos e os problemas de logística comprometem seriamente os ganhos do produtor de algodão.

Qualidade superior:

Assim como nas lavouras, o desempenho da fibra baiana também chamou a atenção nos laboratórios. Especialistas como o consultor Celito Breda, da empresa Círculo Verde, afirmam que esta é a melhor safra em termos de qualidade de toda a história da cotonicultura baiana. “Os níveis de excelência alcançados em aspectos ligados à finura, resistência, reflectância e maturidade do fio, dentre outros, superam os melhores índices já alcançados no estado”, atesta.

Reconhecido como o melhor do Brasil em qualidade, agora o algodão da Bahia precisa, segundo a Abapa, posicionar-se não apenas como uma commodity, mas como um objeto de desejo na mente dos compradores e consumidores finais em redor do mundo. Para isso, a entidade está reforçando as ações de Marketing Internacional. Este mês, uma comitiva de 11 produtores da região Oeste, liderada pela Abapa, percorreu indústrias de fiação e empresas compradoras na Itália, Inglaterra, França e Suíça.

“O objetivo foi mostrar que, além da segurança que o comprador internacional dispõe ao comprar a nossa fibra, pois sabem que somos capazes de honrar nossos compromissos no mercado futuro, as características técnicas de qualidade que ele encontra no algodão da Bahia não deixam a desejar nem mesmo ao que é considerado o melhor algodão do mundo, o egípcio. Temos apenas que torná-lo conhecido do grande público, e acredito que a indústria da moda pode ser um excelente caminho”, afirma o presidente.

O estado da Bahia foi escolhido para a instalação do projeto-piloto do Selo Pure Brazil Cotton de denominação de origem. A iniciativa da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit), em parceria com as empresas Coteminas, Springs Global US, Marisol S.A., Santista Têxtil/Tavex e Abapa, funciona como um certificado de qualidade, que foi decisivo para a vitória histórica em concorrência com o algodão egípcio no início do ano. O algodão de altíssima qualidade produzido nas fazendas do Oeste foi matéria-prima para a confecção de 16 milhões de peças industrializadas, que hoje ocupam espaço em uma das mais importantes cadeias varejistas dos Estados Unidos, a JC Penney.


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