Retomar o crescimento dá o tom dos discursos na abertura do Canasul
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Agronegócio

Retomar o crescimento dá o tom dos discursos na abertura do Canasul

Evento foi aberto na noite desta segunda-feira em Dourados
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Evento foi aberto na noite desta segunda-feira em Dourados
 
A busca de alternativas para retomar o crescimento do setor sucroenergético em Mato Grosso do Sul e no Brasil foi o assunto principal dos discursos das autoridades na abertura da 6ª edição do Congresso da Cana do Estado (Canasul), realizado na noite desta segunda-feira (22), no Sindicato Rural de Dourados. A solenidade reuniu centenas de pessoas, entre gestores públicos, empresários, dirigentes de entidades, estudantes e pesquisadores.

O presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Hollanda Filho, destacou que em um período de sete anos a produção de cana-de-açúcar teve um crescimento gigantesco no Estado, cerca de 274%, saltando de aproximadamente 9 milhões de toneladas no ciclo 2005/2006 para 33,8 milhões colhidas na safra 2011/2012.

Neste período, do patamar de 11 usinas o Estado passou a contar no seu parque sucroenergético com 22 plantas. Entretanto, desde 2008 o ritmo de crescimento começou a diminuir em todo o país. Primeiro, em razão da crise internacional e, depois, em decorrência de uma série de problemas climáticos enfrentados pelo setor, que sofreu em momentos alternados com excesso e com a falta de chuvas nos canaviais, provocando seguidas quebras de safra.

"Temos a necessidade de retomar o crescimento. É a busca de opções para isso que estaremos debatendo nestes três dias de Canasul, em Dourados. Como converter esse imenso potencial que o Estado e o País têm no setor sucroenergético em realidade", pontuou.
O diretor de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Cid Caldas, que esteve em Dourados para participar da abertura do Canasul, ressaltou que o governo federal vem adotando nos últimos meses uma série de medidas para tentar estimular o setor a retomar seu crescimento.

"Melhor que incentivo é apoio e neste momento o governo federal está apoiando o setor de diversas maneiras. Temos R$ 4,5 bilhões disponíveis no BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] para que os produtores façam a renovação dos canaviais. Temos recursos ilimitados na instituição para a construção de novas usinas e recentemente o governo também adotou medidas para incentivar o financiamento dos estoques de etanol. Esse setor não precisa de subsídios, precisa deste apoio governamental que estamos dando na medida do possível", concluiu.

Apesar dos problemas enfrentados nos últimos anos, a expansão do setor em Mato Grosso do Sul surpreendeu os integrantes de uma missão empresarial do Paraguai que veio ao Estado participar do Canasul. O empresário Cesar Rodriguez, um dos integrantes do grupo, disse que em seu país estão instaladas sete usinas sucroenergéticas, mas a tecnologia utilizada está ultrapassada e, por isso, o interesse em estabelecer uma parceria com empresas e instituições sul-mato-grossenses para promover a troca de conhecimentos e o intercâmbio tecnológico.

O prefeito de Dourados, Murilo Zauith, por sua vez, reiterou a disposição de fazer do município um polo de empresas prestadoras de serviços e fornecedoras para as grandes companhias do setor sucroenergético, nos mesmos moldes do instalado no município de Sertãozinho, em São Paulo. Ele lembrou ainda que a região teve sua vocação natural para o setor reforçada com os estudos do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE-MS) do Estado, que a indicaram com uma das com maior potencial na área de bioenergia.

Já o governador André Puccinelli ressaltou que o Canasul foi uma das ferramentas utilizadas para ajudar na expansão e na consolidação do setor sucroenergético em Mato Grosso do Sul e que o segmento ajudou a diversificar a matriz econômica do Estado, antes dependente da soja e da pecuária. Ele disse ainda que prova dessa importância são os incentivos fiscais e tributários que as empresas do segmento recebem. "Com os créditos presumidos e com os outorgados às empresas, somos um dos entes federativos mais competitivos no setor", assegurou.

O Canasul tem sequência nesta terça-feira (23) com o início da série de 12 palestras e oficinas que vão discutir desde o momento atual do setor, passando por aspectos das áreas agrícola e industrial, até chegar à comercialização. Na quarta-feira será realizada uma rodada de negócios com mais de 250 reuniões, segundo o diretor técnico do Sebrae/MS, Tito Estanqueiro, entre 46 micro e pequenas empresas e 10 usinas. A expectativa é que os eventos juntos movimentem mais de R$ 10 milhões.

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