Rivais negociam reação contra fusão entre Bunge e Fosfertil

Agronegócio

Rivais negociam reação contra fusão entre Bunge e Fosfertil

Cargill e Yara reuniram-se para definir que atitudes tomarão ante a intenção de incorporação dos capitais de Bunge e Fosfertil
Por: -Luiz Silveira
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Executivos brasileiros das duas maiores empresas de fertilizantes do mundo, Cargill e Yara, reuniram-se nessa segunda-feira (18-12) em São Paulo para definir que atitudes tomarão ante a intenção de incorporação dos capitais de Bunge Fertilizantes e Fosfertil, anunciada na sexta-feira. A Bunge é a controladora da companhia, maior fabricante de fertilizantes fosfatados do País, mas tem Cargill e Yara como sócias no negócio. A realização de uma reunião que coloca lado a lado suas maiores concorrentes indica que pode haver problemas para a Bunge na operação.

Na realidade, a Bunge detém 52,35% da Fertifós, que por sua vez é a controladora da Fosfertil com uma participação de 81,54% das ações ordinárias e 56,21% do capital total. A Cargill possui 33,43% das ações da Fertifós e a Yara tem participação de 12,77%, recentemente adquirida com a compra da Fertibras. Além das três gigantes, as brasileiras Fertipar e Heringer Fertilizantes possuem, respectivamente, 1,37% e 0,08% da Fertifós. A Bunge detém diretamente 12,3% da Fosfertil.

Para especialistas do mercado, as minoritárias da Fertifós podem fazer forte oposição ao negócio, mesmo sem ter participação acionária suficiente para impedir a incorporação. “O caminho deverá ser político, pois a união entre Bunge e Fosfertil terá que ser aprovada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)”, disse uma fonte do setor.

A incorporação poderá enfrentar problemas jurídicos por tratar-se de uma matéria-prima de produção insuficiente no País. Segundo dados apresentados recentemente pela Associação Nacional para Difusão de Adubos, cerca de 55% do fosfato utilizado na fertilização de terras é importado.

“A princípio, a incorporação não deve trazer impactos para o setor de misturadores, pois a Bunge já controla as estratégias de mercado da Fosfertil”, acredita o diretor executivo da Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA-Brasil), Carlos Eduardo Florence. Para ele, o risco reside no temor de que a Bunge interrompa ou diminua o fornecimento do fosfato, uma das três mais importantes matérias-primas de fertilizantes.

O plano da Bunge deve ainda enfrentar o interesse estratégico de crescimento da norueguesa Yara, que entrou no Brasil no ano 2000 com a aquisição da Adubos Trevo. O principal executivo mundial da companhia, Thorleif Enger, anunciou no mês passado um plano de crescimento nos países com grande elevação no consumo de fertilizantes, China e Brasil, após as aquisições da Fertibras, da China BlueChemical e Quafco-5.

“A Fosfertil é o grande player na produção de fertilizantes fosfatados e a Bunge é forte no varejo, mas é preciso aguardar o desfecho para medir o impacto no mercado”, explica o especialista.

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