Rodrigues afirma que exportações devem ficar aquém do esperado
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Agronegócio

Rodrigues afirma que exportações devem ficar aquém do esperado

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As exportações de produtos agrícolas este ano deverão superar as do ano passado em US$ 8 bilhões, segundo projeção feita pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Roberto Rodrigues. Para o ministro, a previsão de superar a receita de 2003 em US$ 10 bilhões, já não é tão real em função de dois fatores: A quebra da safra de soja e a perspectiva, não confirmada, de crescimento das exportações de carne por causa da ocorrência da gripe do frango e a doença da "vaca louca" em outros países exportadores.

A expectativa de aumento das exportações não se consolidou plenamente porque os países que mais consomem carne reduziram o consumo. Além disso, a carne é um produto cujo processo de produção é longo. "Não dá para tirar o frango de dentro da cartola, tem que criar", disse Rodrigues.

A safra prevista inicialmente para este ano era da ordem de 58 milhões de toneladas. Este número caiu para 52 milhões. Os números definitivos serão divulgados na próxima semana, e se ficarem neste patamar estarão bem próximos do que foi a safra de 2003.

Essa redução se deu por conta das condições climáticas negativas, como a seca no sul, as enchentes no nordeste e a ferrugem no Centro-Oeste do país. Isto vai reduzir as exportações de soja. "O país só não vai perder porque o preço do produto no mercado externo subiu, então vamos ganhar no preço", disse o ministro.

Na opinião do ministro da Agricultura, o que pode mudar o panorama das exportações do setor é a melhora dos preços do café e da soja, estes considerados os melhores dos últimos 15 anos.

Também a melhora dos preços do açúcar e do algodão podem aumentar os números da exportação. "Se estes preços continuarem subindo ao longo do ano, pode ser que eles compensem as perdas físicas em relação ao que foi estimado", afirmou Rodrigues.

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Roberto Rodrigues disse que está otimista com o futuro do agronegócio no País. Segundo ele, será anunciado no final de maio um conjunto de ações que vão criar novos mecanismos de financiamento e comercialização agrícola de forma casada, que vão melhorar os negócios no setor.

Estas novas medidas vão permitir a participação do setor, na linha dos leilões de opções privadas de papéis a serem negociados nas bolsas de futuro e que poderão ser lastreadas em produção, porém garantidas pelo setor privado e financeiro. Outra medida que deverá ser regulamentada é a que diz respeito ao seguro rural que estabelece uma garantia de renda para o setor privado agrícola. "Isto automaticamente cria uma nova expectativa para o sistema financeiro de emprestar para o setor privado", disse Rodrigues.

Riscos da atividade

Segundo o ministro, o grande problema nesta área é que os riscos do setor agrícola são diferentes dos riscos de outras atividades econômicas. Isso faz com que os bancos relutem aprovar empréstimos para o setor. "Com o seguro rural funcionando adequadamente esta questão desaparecerá", afirmou Rodrigues.

Para o ministro, o Brasil é o único país agrícola importante que ainda não dispõe deste tipo de seguro. Segundo afirmou, o seguro rural deverá começar a funcionar plenamente ainda este ano.

Para Rodrigues, é preciso ficar claro que cada vez mais o governo tem menos recursos para atender a demanda do setor de agribusiness, que cresce a cada ano. Segundo lembrou, o crescimento da área de plantio do ano passado para esse ano foi de mais três milhões de hectares. O ministro acredita que esse crescimento é justificado pelo avanço das novas tecnologias que ajudam a melhorar o custo da produção e faz com que o produtor saia em busca de mais crédito para financiamento de mais produção.

Cada vez mais o estado fica menos capacitado para atender a demanda crescente por recursos para financiar a produção. "Para resolver esse impasse é que mecanismos como o seguro rural estão fazendo parte do plano de safra para este ano", afirmou Rodrigues.


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