Russos querem vender ao Brasil, mas exigem pagamentos antecipados

Agronegócio

Russos querem vender ao Brasil, mas exigem pagamentos antecipados

Os russos que são geralmente desconfiados, não aceitam mais carta de crédito
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A crise financeira mundial está repercutindo também no mercado de fertilizantes. Segundo se pode apurar aqui na Rússia, muitas empresas produtoras de matérias primas tiveram que reduzir a produção por falta de demanda nas épocas tradicionais, e outras enfrentam problemas financeiros por falta de liquides nas vendas. Além disso, a quebra de bancos em nível mundial levou a desacreditar as cartas de crédito, instrumento tradicionalmente utilizado nas compras de fertilizantes e que eram fornecidas pelos bancos como garantias de compras a prazo. Os russos que são geralmente desconfiados, não aceitam mais carta de crédito, exigem pagamentos antecipados, ou vendas para grandes empresas que são seus clientes em nível mundial, para garantir seus pagamentos.

Isso deu para sentir nos contatos mantidos diretamente com os fornecedores da Rússia. Todos manifestaram interesse em vender direto às cooperativas de SC e PR, porém, a exigência indiscutível é pagamento antecipado. Além disso, querem que haja compromissos sérios de absorção de eventuais custos de estadias de navios, que tem ocorrido com freqüências nos portos brasileiros.

Usualmente, quem contrata os navios são os vendedores de matéria prima, e passam a ser os responsáveis por atrasos de descargas, que tem gerado custos de mais de US$ 30 mil dia, em portos brasileiros. Ontem tivemos contato com mais uma empresa produtora, especialmente de nitrogenados e fosfatados, e foi bem receptiva, mas as exigências de garantias do pagamento de vendas seguem as demais visitadas.

A empresa apresentou a alternativa de venda de produtos já formulados em NPK no grão, que pode significar custos inferiores em relação às demais, porém, precisam ser avaliadas as fórmulas disponíveis. Demonstraram interesse em vendas diretas desde que atendidas as exigências operacionais e financeiras da entidade.

Também estivemos na Embaixada Brasileira, em Moscou, e fomos recebidos pelo Embaixador e pela sua equipe da área econômica e comercial. Ele nos informou que em todos os contatos mantidos pelo Ministro Reinhold Stefanes aqui na Rússia, houve referências de apoiamentos as ações das cooperativas, com a finalidade de oferecer melhores resultados aos agricultores. Ele recomendou que não esmorecêssemos nos contatos por aqui, pois é natural de os russos serem precavidos nas suas mudanças de comportamento comercial, mas com insistentes ações e após criar uma relação de confiança, eles são abertos e receptivos.

O Embaixador recomendou que organizássemos outras visitas à Rússia e que convidássemos os russos a visitar as nossas cooperativas, pois eles têm poucas informações sobre a expressão econômica das nossas empresas e como tal, dispensam pouca confiança, porque por aqui elas são inexpressivas.

O Embaixador Brasileiro aqui na Rússia foi bastante cortez e colocou a Embaixada à disposição do sistema cooperativo brasileiro, especialmente do PR e SC.

Estamos retornando ao Brasil e na próxima segunda-feira estaremos em nossos locais de trabalho e relataremos os resultados da viagem às cooperativas associadas.

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