A produção de trigo de São Paulo pode registrar uma quebra superior a 80% em relação à estimativa inicial para a safra de 2026. Das 350 mil toneladas esperadas, o volume colhido deverá ficar abaixo de 70 mil toneladas. O excesso de chuvas, além de reduzir a produtividade, comprometeu a qualidade dos grãos destinados à indústria.
O cenário foi discutido na quinta-feira (29), durante a última reunião do ano da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, realizada na Cooperativa Castrolanda, no Entreposto Itaberá (SP), com participação presencial e virtual de representantes da cadeia produtiva.
Segundo o presidente da Câmara Setorial, Ruy Zanardi, as perdas foram superiores às projeções apresentadas anteriormente. Embora já houvesse expectativa de redução da produção, a qualidade do trigo ainda era considerada favorável antes da intensificação das chuvas.
A situação mudou a partir do início de setembro, quando as precipitações se intensificaram no estado. Em determinados municípios, os acumulados mensais atingiram 629 milímetros, volume equivalente a 629 litros de água por metro quadrado.
As condições climáticas afetaram o cereal durante a colheita e também representam risco para as áreas que ainda não tiveram os trabalhos concluídos.
Além da redução na quantidade disponível, a avaliação apresentada durante a reunião indica que somente entre 10% e 15% do trigo produzido deverá alcançar a classificação Tipo 1.
Indústria mantém interesse no trigo paulista
Mesmo diante dos prejuízos, representantes da indústria moageira reafirmaram a disposição de continuar adquirindo o cereal cultivado no estado. O presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo), Max Piermartiri, destacou que a recuperação da atividade dependerá da aproximação entre os produtores e os moinhos.
A avaliação é de que as dificuldades econômicas poderão continuar durante a safra 2026/2027, com reflexos também em 2027 e 2028. Durante o encontro, também foi mencionada a edição de uma medida provisória destinada a auxiliar produtores afetados pelos prejuízos da safra. Não foram apresentados detalhes sobre os mecanismos de apoio.
O vice-presidente da Câmara Setorial, José Reinaldo, avaliou que a atual temporada trouxe dificuldades fora do padrão enfrentado pelos triticultores paulistas, mas manifestou expectativa de resultados melhores nas próximas safras.