Safra gaúcha de arroz pode não ter excedente e manter o déficit nacional


Agronegócio

Safra gaúcha de arroz pode não ter excedente e manter o déficit nacional

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A ocorrência de chuvas em excesso entre dezembro e janeiro provocou um atraso significativo no plantio do arroz neste ano no Rio Grande do Sul, sendo que algumas áreas deixaram até mesmo de serem semeadas. Como um percentual considerável das lavouras foi plantado fora do prazo recomendado pela pesquisa e assistência técnica, há expectativas de que o potencial de produtividade destas áreas já tenha sido comprometido neste ano.

Mas além do comprometimento do potencial de rendimento médio, as últimas informações do mercado indicam que o plantio do arroz no Estado gaúcho foi mesmo inferior à última safra. Estas informações têm base nas estimativas tanto do IBGE quanto do IRGA (Instituto Rio Grandense do Arroz).

Começando pelas estimativas do IBGE, o instituto prevê uma área plantada de 960.816 ha no Rio Grande do Sul nesta safra. Os números de área colhida do instituto no ano passado são de 981.322 ha, o que representaria um decréscimo de pelo menos 2% no plantio da safra 2002/03.

A estimativa de produção para o Rio Grande do Sul é de 5.358.236 ton, com um recuo semelhante de 2% em relação ao ano passado, quando o Estado ofertou cerca de 5.477.134 ton. O rendimento médio esperado neste ano é de 5.577 kg/ha, também com ligeira redução em relação à safra passada, quando o rendimento obtido foi de 5.616 kg/ha.

Já o IRGA estima nesta safra um plantio de 950.561 ha, resultado este 1,4% inferior ao plantio da safra passada, quando segundo o instituto, foram plantados 963.876 ha no Rio Grande do Sul. O IRGA ainda não divulgou sua projeção de oferta de arroz.

Mesmo com números diferentes, ambos os institutos (IBGE e IRGA) projetam uma tendência semelhante para este ano, ou seja, de um plantio realmente menor no Rio Grande do Sul e de grande possibilidade de que a oferta de arroz seja também inferior no Estado, o qual produz mais de 50% da oferta nacional do produto.

Em níveis nacionais, a última estimativa do IBGE, a qual levou em consideração todos os Estados da região Centro-Sul mais Rondônia, Maranhão, Bahia e Piauí, indica um recuo de 2,9% na área plantada de arroz e um aumento de 2,11% na produção. Mantendo a mesma produção do ano de 2002 para os Estados não considerados ainda pelo IBGE, chegamos a um total de 10,630 milhões no Brasil para este ano, cerca de apenas 160 mil ton acima da safra passada.

Assim, por enquanto as nossas previsões anteriores vão se confirmando, ou seja, de que se houvesse um aumento na produção brasileira este ano, este seria muito insignificante, o que será extremamente importante para a manutenção da rentabilidade do arroz em 2003.

Deve-se destacar, que o consumo nacional está projetado entre 11,700 a 11,800 milhões ton, possivelmente mais de 1,0 milhão ton acima da produção estimada para esta safra 2002/03. A estabilidade da safra gaúcha será sem dúvida muito importante para manter um déficit "saudável" entre oferta e demanda interna neste ano, já que o Brasil ainda absorve através das importações cerca de pelo menos 700 mil ton anualmente.

Nos últimos dois anos, as importações de arroz foram de 776 e 640 mil ton em 2001 e 2002, respectivamente. Tecnicamente, se a projeção da produção nacional citada acima se concretizar, as importações no Brasil terão que aumentar em 2003, pois o déficit neste ano pode chegar a 1,120 milhões ton (desconsiderando os estoques privados). Se o câmbio dificultar este aumento das compras externas, mais uma vez as indústrias nacionais estarão dependentes dos estoques da CONAB. Pelas nossas estimativas, os estoques de arroz da CONAB devem estar atualmente em torno de somente 490 mil ton.

Estes números parecem indicar um mercado com um nível de oferta/demanda ainda mais ajustado neste ano, o que deve proporcionar uma certa segurança na remuneração do produtor nacional.

Ressaltamos nesta análise semanal mais uma vez, que a única variável que ameaça o mercado no Mercosul são as importações oriundas de fora do Bloco, em especial do produto subsidiado dos EUA. Se houver um declínio do dólar no Brasil (ainda muito improvável), certamente com os atuais níveis da TEC (Tarifa Externa Comum) o arroz americano se tornaria cada vez mais competitivo com o produto do Mercosul. Esta competitividade ficou muito evidente com os desembarques americanos no Brasil durante os meses de janeiro e fevereiro.


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