Seca eleva dano nas lavouras no Sul; clima favorece Centro-Oeste


Agronegócio

Seca eleva dano nas lavouras no Sul; clima favorece Centro-Oeste

No RS, as perdas são maiores para a safra de milho
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(Reuters) - As perdas nas lavouras de soja e milho do Paraná e Rio Grande do Sul, que estão entre os principais produtores agrícolas do Brasil, já são evidentes e deverão se acentuar uma vez que boa parte das áreas atingidas pela estiagem de dezembro continuam secas ou receberam chuvas insuficientes, disseram representantes do setor agrícola nesta quarta-feira (4).


Além disso, as previsões para janeiro não indicam precipitações suficientes para reverter o quadro de estiagem no Sul do país, decorrente do fenômeno climático La Niña, acrescentaram entidades ligadas ao setor produtivo. Uma situação que contrasta com o Centro-Oeste, onde o Mato Grosso deverá registrar nova safra recorde de soja, beneficiado pelo clima, investimentos em tecnologia e aumento de plantio.

No Rio Grande do Sul, as perdas são maiores para a safra de milho, embora a soja também já tenha tido o seu potencial afetado, enquanto no Paraná tanto as lavouras do cereal quanto da oleaginosa sofreram prejuízos.

"A região oeste do Paraná tem uma quebra de safra entre 10 e 30 por cento, de soja, milho e feijão... E a cada dia sem chuva está acumulando mais perdas, e precisa chover urgentemente", disse o presidente da Coopavel, cooperativa agroindustrial com sede em Cascavel (oeste do PR), Dilvo Grolli.


As previsões indicam chuvas de no máximo 15 mm para a região Sul nos próximos dias.

A situação das lavouras no Sul do país, assim como na Argentina, está sendo acompanhada atentamente pelo mercado internacional, que vem registrando altas na bolsa de Chicago em função do tempo seco.

Grolli observou que na região da Coopavel o indicador médio de chuva acumulada em dezembro foi de 68 mm, contra 207 no mesmo período do ano passado. "Com mais 15 dias, já teremos outro dado, que será revisto para pior, nos primeiros dias de janeiro também estamos sofrendo", disse ele, acrescentando que a cooperativa recebe 750 mil toneladas de soja, milho e trigo ao ano.

"O estresse hídrico continua, precisa chover mais. Tem previsão de pancadas de chuva, mas são só pancadas", concordou o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), Otmar Hubner, acrescentando que o órgão do governo divulgará dados sobre o prejuízo na quinta-feira. Na terça, o Deral informou uma piora nas condições das lavouras de soja e milho.


O Paraná é o segundo produtor de soja do Brasil, respondendo por 20 por cento da última safra nacional. O Estado também é o maior produtor de milho do país, com mais de 20 por cento da colheita brasileira.
Na temporada passada, o Brasil colheu um recorde de 75 milhões de toneladas de soja e mais de 57 milhões de toneladas de milho.

RIO GRANDE DO SUL

Já o Rio Grande do Sul, que colhe quase 15 por cento da safra nacional de soja e é o quinto no ranking da produção de milho do Brasil, respondendo por cerca de 10 por cento da colheita do cereal, contabiliza perdas mais expressivas nas lavouras do cereal.

Segundo Carlos Sperotto, presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), a situação está crítica em 30 por cento da área produtora do Estado.

"Com mais de 45 dias sem chuvas, onde o milho estava fora área de pivô (irrigação), já está com 100 por cento de prejuízo em algumas áreas, outras com 80 por cento de prejuízo. E o pior é que cortando essas lavouras não temos expectativa de chuva para os próximos 30 dias, não tem como realizar outros cultivos", disse ele, explicando que, sem precipitações, não será possível plantar a soja sobre áreas perdidas de milho.


As lavouras de soja do Rio Grande do Sul estão em estágios iniciais, mas a falta de chuva prejudicou a germinação e o desenvolvimento vegetativo, disse o presente da Farsul.

A diferença entre os dois Estados do Sul com o Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, é gritante. O Estado do Centro-Oeste está no caminho de uma nova safra recorde, estimada em mais de 22 milhões de toneladas.

"O clima tem sido bom, foi mais uma safra com muita tecnologia...", disse Eduardo Godoi, gestor do departamento técnica da Federação da Agricultura de Mato Grosso (Famato), acrescentando que a colheita já iniciada pontualmente no Estado deve ganhar velocidade a partir do dia 20 de janeiro.


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