Secretária de SP reforça pesquisas e defende intervenção mínima
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Agronegócio

Secretária de SP reforça pesquisas e defende intervenção mínima

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A secretária paulista de Agricultura e Abastecimento, Mônika Bergamaschi, entra no seu segundo ano de gestão pública com foco no fortalecimento das pesquisas e no apoio ao pequeno produtor. À frente da pasta desde junho do ano passado, a engenheira agrônoma promoveu uma onda de contratações, aumentos de salário e reformas no órgão.


Mônika recebeu o DCI durante uma visita ao Instituto Biológico, na capital, onde se encontrava com representantes de uma instituição italiana do mesmo gênero, na semana passada. Durante a entrevista, opinou sobre a nova versão do Código Florestal, a formação do Consecitrus e a atual infertilidade dos canaviais.

Em relação a seu primeiro ano de gestão pública, concentrado na área técnico-científica, Mônika disse que foi preciso fortalecer a secretaria estadual. "A minha ideia principal era, primeiro, um trabalho de fortalecimento de toda a instituição. A pesquisa paulista sempre foi um grande potencial, tanto que São Paulo é uma potência agrícola inegável e exporta tecnologia", afirmou.

Nos últimos doze meses, o órgão contratou cerca de 300 engenheiros agrônomos (para pesquisas de campo, laboratórios e outras funções) - remanescentes de um concurso público -, concedeu reajuste salarial de 55% para os pesquisadores e de 45% para as outras categorias, revitalizou a infraestrutura da sede, na Via Anchieta, e criou o Poupatempo Rural - replicando a experiência urbana do centro em que cidadãos resolvem suas burocracias.


"Temos alguns trabalhos a fazer: os agricultores maiores conseguem uma organização, ou um acesso direto, para algumas alternativas que os pequenos não têm. Então, nosso papel é fomentar que o pequeno se organize em cooperativas e associações", disse Mônika. "Sozinho, ninguém vai a lugar nenhum. São 324 mil propriedades rurais no estado. Como é que a gente vai em cada uma? Organizados, os pleitos são acareados", afirmou.

Código Florestal

"O Código Florestal, acima de tudo, é um código do Brasil, um código do brasileiro. Não é de ruralista nem de ambientalista. É a nossa vida que está em jogo, o futuro dos filhos, dos netos, das gerações - e não é romantismo o que estou falando"

"O que é uma propriedade rural? É uma indústria a céu aberto. O produtor rural sabe melhor do que ninguém que, se ele não cuidar da conservação do solo e da água, quem não vai mais conseguir produzir é ele mesmo."

Defende que é científica - não futebolística, por assim dizer - a discussão em torno do tamanho das áreas que devem ser permanentemente preservadas em propriedades rurais.

Setor recluso

A secretária acredita que falta visibilidade ao agronegócio e ao papel do agricultor e do pecuarista. "As pessoas têm visão do abastecimento, mas não da produção", diz. E lamenta que o setor tenha ficado com a pecha de desmatador no Brasil: "Ficou a sensação, e ela insiste em permanecer, de que a produção agrícola é absolutamente arqui-inimiga da preservação ambiental".

Em uma análise, Mônika defende a valorização, no Brasil, de um "conceito multifuncional" do produtor rural, explicando que esse tipo de cidadão é quem, por exemplo, ocupa as fronteiras nacionais. "Esse conceito ainda não chegou aqui, mas existe nos países grandes", diz.


"Os países grandes defendem a agricultura porque são ricos? Ou são ricos porque sempre defenderam a agricultura?" questiona a secretária paulista, exemplificando com os subsídios agrícolas europeus.

E culpa a organização do agronegócio, no Brasil, pela suposta falta de reconhecimento público ao profissional do campo. "O setor não soube fazer direito a comunicação do que representa em termos de emprego e renda", afirma.

Raízes

Graduada há duas décadas pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), no Município de Jaboticabal, a engenheira agrônoma dedicou quinze anos de sua carreira a trabalhos que envolvem os modelos de associativismo e cooperativismo, junto ao setor privado.

Mônika passou pelas unidades paulistana e de Ribeirão Preto da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) antes de ser convidada pelo governador Geraldo Alckmin a assumir a secretaria. Mônika também fez mestrado na área de Engenharia de Produção Agroindustrial.


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