Sem pena de apostar

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Sem pena de apostar

Associação nacional prevê ano mais lucrativo para avicultores e suinocultores com recuo do preço do milho, alta do dólar e abertura de novos mercados
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Pressionados principalmente pelo custo do milho, os avicultores e suinocultores não puderam comemorar um 2016 de bons resultados, mas podem aguardar melhores momentos no próximo ano. A expectativa é pela abertura de mercados, seja pelos casos de gripe aviária na Europa, seja por novos acordos comerciais para a carne de porco com a Coreia do Sul.

As previsões são da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que soltou balanço neste mês sobre a produção até novembro que se assemelha à percepção de mercado de representantes de entidades paranaenses. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), por exemplo, deverá divulgar nos próximos dias a expectativa de safra maior para a primeira safra de milho e o aumento de área plantada para a segunda colheita.

O presidente-executivo da ABPA, Francisco Turra, afirma, na análise sobre o mercado, que outros motivos que justificam as previsões são o dólar mais valorizado e o início da recuperação econômica no próximo ano, com o consequente aumento do consumo de proteína animal. A chance do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, interferir no comércio exterior do país também pode beneficiar o Brasil, que poderia entrar em mercados como o México, na visão de Turra. Para as exportações de suínos, ele diz que é esperada para o próximo ano a concretização da abertura do mercado da Coreia do Sul, um dos maiores importadores do produto do mundo, além da habilitação de novas plantas para a China e a liberação da venda direta no varejo da África do Sul.

Ano terrível
O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, considera que 2016 foi um ano terrível para os granjeiros pelo alto custo dos insumos. No entanto, diz que houve aumento de 5% no número de abates mesmo com o fechamento de algumas empresas, resolvido pela migração de integrados para outros abatedouros. "Não se pode dizer que o setor ganhou neste ano. As indústrias que ficaram trabalharam no azul, mas com lucros bem abaixo dos obtidos em 2015", conta.

Martins concorda com a boa perspectiva para o ano que se aproxima. "A gripe aviária sempre favoreceu o Brasil, porque há dez anos nos abriu o mercado do Japão e não saímos mais de lá, porque temos qualidade e competitividade", sugere.

É a retomada do crescimento da economia nacional, contudo, que mais faz brilhar os olhos do presidente do Sindiavipar. "Com 12 milhões de pessoas desempregadas, era natural que o consumo caísse mesmo para a proteína animal mais barata que existe, mas quero crer que a situação vai melhorar com as medidas que vêm sendo tomadas."

Para o economista Marcelo Garrido, do Deral, é possível falar em custos menores de insumos para o setor, o que pode ser ainda mais benéfico quando considerado que o sistema produtivo paranaense é majoritariamente integrado. "Uma evolução maior do mercado ainda vai depender da recuperação econômica no primeiro trimestre e do câmbio", diz.

Garrido acredita que um problema sanitário externo pode ser benéfico ao País, ainda que classifique a notícia como "uma loteria". "Mas se o dólar repetir a trajetória de alta, podemos ter um mercado mais atento aos produtos não só paranaenses, mas nacionais", completa.

Alerta
Para evitar riscos ao mercado nacional, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) emitiu no último dia 9 um alerta sanitário, por tempo indeterminado, para fortalecer ações de defesa e de comunicação acerca da gripe aviária no Brasil. Apesar de livre da doença e com barreiras comerciais bem constituídas, o temor é que aves migratórias a partir do Hemisfério Norte possam trazer o vírus para território nacional. Por isso, qualquer mortalidade alta de aves deve ser informada imediatamente ao serviço veterinário oficial. Pelo menos 197 espécies de aves podem migrar, 53% (104 espécies) se reproduzem no Brasil e 47% (93 espécies) têm sítios de reprodução em outros países.


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