O plantio de milho no Rio Grande do Sul alcançou 80% da área prevista, mas o excesso de chuvas, as baixas temperaturas e a pouca luminosidade têm retardado o desenvolvimento das lavouras. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, no Informativo Conjuntural desta quinta-feira (29), a área projetada é de 896.401 hectares, com produtividade estimada em 7.711 kg/ha. O preço médio estadual recuou para R$ 62,50 por saca de 60 quilos.
O avanço do plantio varia entre as regiões gaúchas. Enquanto algumas áreas estão próximas da conclusão da semeadura mais precoce, outras enfrentam dificuldades devido à elevada umidade do solo, e parte da área será cultivada em safrinha.
Entre as lavouras já implantadas, 95% estão em desenvolvimento vegetativo e 5% chegaram à fase de florescimento. O excesso de precipitações, combinado com frio e baixa luminosidade, tem reduzido o crescimento inicial e comprometido a eficiência da adubação nitrogenada em algumas áreas. Também foram registradas falhas de estande e necessidade de replantios pontuais.
Nas áreas mais adiantadas, os produtores continuam os tratos culturais, incluindo a adubação nitrogenada de cobertura e o controle de plantas daninhas. O estado fitossanitário é considerado satisfatório de modo geral, mas a umidade elevada favorece doenças fúngicas e exige monitoramento da cigarrinha-do-milho e de percevejos.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a semeadura está próxima da conclusão em São Gabriel, onde restam aproximadamente 400 hectares dos 3 mil previstos. Em Santa Margarida do Sul, algumas áreas precisam ser replantadas devido a falhas de estande e ao desenvolvimento inicial insatisfatório, após precipitações acumuladas superiores a 700 milímetros desde agosto.
Em São Borja, o tempo chuvoso favorece a incidência de doenças fúngicas, sobretudo em lavouras com híbridos menos tolerantes e proteção fitossanitária insuficiente.
Na região de Caxias do Sul, o plantio está praticamente concluído nos principais municípios produtores, como Vacaria e Muitos Capões. O frio e a baixa luminosidade retardam o desenvolvimento das plantas, enquanto lavouras em áreas de baixada dos Campos de Cima da Serra sofreram danos com a geada de 18 de outubro.
Em Erechim, a semeadura foi concluída, e os produtores realizam a adubação nitrogenada de cobertura, aproveitando a umidade do solo. Mesmo assim, o desenvolvimento está abaixo do ritmo habitual devido ao frio fora de época.
Na região de Frederico Westphalen, cerca de 95% da área foi semeada, e todas as lavouras estão em estádio vegetativo. Embora o aspecto geral seja satisfatório, o excesso de chuvas comprometeu significativamente a eficiência da adubação nitrogenada. O monitoramento indica baixa infestação de cigarrinha, mas as condições ambientais favorecem doenças.
Na região de Ijuí, a semeadura alcançou 93% da área, e o desenvolvimento é considerado excelente devido à boa disponibilidade de umidade no solo. Nas lavouras entre V4 e V7, seguem a adubação nitrogenada de cobertura e o controle de plantas daninhas. Já as áreas entre V10 e V12 ou em pré-florescimento recebem tratamentos fungicidas. A incidência de insetos-praga e as capturas de cigarrinha-do-milho continuam baixas.
Em Pelotas, apenas 11% da área prevista foi semeada. A elevada umidade do solo e as baixas temperaturas, principalmente durante a noite, reduziram o ritmo das operações. As lavouras implantadas permanecem em desenvolvimento vegetativo, com crescimento lento.
Na região de Santa Rosa, o plantio chegou a 90% da área prevista. Do total cultivado, 96% está em desenvolvimento vegetativo e 4% em fase reprodutiva. O excesso de umidade, a nebulosidade e os episódios de granizo registrados entre setembro e outubro retardam o crescimento, especialmente nas áreas semeadas mais tarde.
Em Soledade, aproximadamente 65% da área prevista foi semeada. Os plantios mais precoces foram concluídos, enquanto as semeaduras intermediárias avançaram pontualmente. O frio, sobretudo durante as noites e manhãs, desacelera o crescimento, embora o aspecto geral das lavouras seja satisfatório. Os produtores seguem com aplicações de nitrogênio em cobertura e controle da cigarrinha-do-milho.
Preço do milho recua no Rio Grande do Sul
O preço médio estadual do milho caiu 0,14% na semana, passando de R$ 62,59 para R$ 62,50 por saca de 60 quilos, segundo o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o milho disponível foi cotado a R$ 75,00 por saca de 60 quilos.