Sergipe torna-se referência na produção de pólen e de mandioca

Agronegócio

Sergipe torna-se referência na produção de pólen e de mandioca

Missões técnicas de outros estados visitam o interior sergipano para conhecer projetos desenvolvidos pelo Sebrae/SE nas áreas de apicultura e mandiocultura
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Aracaju - Sergipe tornou-se referência nacional na apicultura voltada para o cultivo do pólen e na maneira como produz farinha de mandioca. O destaque está na qualidade e sabor do pólen produzido no norte do Estado e na forma ecologicamente correta utilizada pelas casas de farinha da região centro-oeste de Sergipe. É isso que duas missões técnicas de empreendedores de Alagoas e do Rio Grande do Norte vão conhecer esta semana.

Nesta quinta-feira (27), estará em visita ao Estado um grupo de 22 apicultores, consultores, gestores e parceiros do Sebrae no Rio Grande do Norte. Eles vão visitar os municípios de Brejo Grande, Pacatuba e Santana do São Francisco. “Seu interesse é conhecer as tecnologias de produção, processamento e gestão da atividade apícola de exploração de pólen no Baixo São Francisco”, destaca Marianita Mendonça, técnica do Sebrae/SE.

Já na sexta feira (28), será a vez do grupo de Alagoas. A missão técnica é formada por 40 mandiocultores, consultores, gestores do Sebrae/AL e representantes da Secretaria de Estado de Agricultura. “Dessa vez o objetivo é conhecer a experiência do aumento de renda das casas de farinha de São Domingos e Campo do Brito. Isso foi possível graças ao uso da grelha e chaminé nos fornos, além do beneficiamento do resíduo manipueira que passou a ser aproveitado na alimentação animal e como adubo”, conta Marianita Mendonça.

Pólen

O pólen sergipano tornou-se destaque entre os brasileiros graças à sua qualidade e sabor mais adocicado. Apicultores de outros estados vem a Sergipe conhecer as associações que produzem o pólen, além de participar de capacitações ministradas pelos técnicos e consultores do Sebrae/SE sobre como produzi-lo.

O último grupo que esteve em Sergipe foi formado por integrantes da Associação de Criadores Orgânicos de Abelhas de São João de Pirabas e de Salinópolis, no Pará. Além de conhecer na prática como é feito o manejo adequado das abelhas e o cultivo do pólen, os apicultores participaram de um treinamento.

Os paraenses tiveram acesso às seguintes capacitações: ‘Importância do Pólen para as Plantas’; ‘Importância do Pólen para as Abelhas’; ‘Pólen nos Produtos Apícolas’; ‘Composição do Pólen’; ‘Localização do Apiário para Produção de Pólen’; ‘Instalação do Apiário’; ‘Coletores’; ‘Manejo para Produção de Pólen’; ‘Coleta do Pólen’; ‘Beneficiamento’; ‘Envasamento’.

“Como somos referência no Brasil pela qualidade do pólen, é uma obrigação nossa disseminar essa tecnologia para os parceiros que quiserem aprender com os sergipanos”, enfatiza Marianita.

Mandiocultura

Os dois maiores problemas enfrentados pelos empreendedores rurais ligados à Cooperativa dos Produtores de Farinha de Mandioca eram o forno inadequado, que utilizava bastante lenha e não atingia o aquecimento ideal, e o resíduo poluente da mandioca, a manipueira, altamente tóxico, rico em ácido cianídrico, que era despejado diretamente no solo, prejudicando o terreno e seus microorganismos.

A solução foi encontrada por meio da união de forças entre as instituições de fomento que atuam na região. O Banco do Brasil, com o programa Desenvolvimento Rural Sustentável (DRS), direcionado ao incentivo de atividades empreendedoras, firmou parcerias com a Embrapa, Sebrae/SE, Instituto de Tecnologia e Pesquisa da Universidade Tiradentes, Deagro e Prefeitura Municipal de Campo do Brito, visando encontrar alternativas para solucionar os problemas.

Hoje, a cooperativa utiliza uma grelha e chaminé nos seus fornos, o que permite a queima total da lenha e potencializa o calor, acelerando o processo de aquecimento e torrando mais rapidamente a farinha. O consumo de lenha foi reduzido em até 50%.

O resíduo tóxico gerado quando a mandioca é prensada recebeu um tratamento especial. Ele passou a ser armazenado em locais apropriados e, depois de cinco dias ao ar livre, acontece um simples processo de decantação, com a manipueira ficando livre do ácido, que é altamente volátel, e passando a apresentar suas outras propriedades, como açúcar, nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio, ferro e zinco.

“Nossa cooperativa ganhou muito com essas parcerias. Estamos consumindo metade da lenha que utilizávamos, nosso forno está bem mais potente e a manipueira, que antes matava o solo, agora é utilizada como alimento animal, servida juntamente com a raspa da mandioca. Ela é também um excelente adubo vegetal”, afirma entusiasmado Carlos Lapa, presidente da Cooperativa.


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