Sete formas de melhorar o manejo do potássio na cultura do milho
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Imagem: Marcel Oliveira
ADUBAÇÃO

Sete formas de melhorar o manejo do potássio na cultura do milho

O potássio é um macronutriente muito requerido pelo milho, uma vez que ele influencia em diversos aspectos da planta
Por: -Eliza Maliszewski

O potássio é um macronutriente muito requerido pela cultura do milho, uma vez que ele influencia em diversos aspectos da planta que vão desde do crescimento à mitigação dos danos por fitopatógenos.  Conheça sete formas de melhorar o manejo do potássio na cultura do milho! 

Nos últimos anos, houve um aumento significativo dos ensaios de campo para estudar as respostas da adubação potássica no milho. De acordo com a Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), esse aumento pode ser atribuído a alguns aspectos, como: 

Intensificação do uso dos sistemas de produção;  
Uso de híbridos de alto potencial produtivo; 
Crescente conscientização dos agricultores para recuperação da fertilidade do solo.  

A constante busca pela otimização da adubação potássica na cultura do milho, vem cada vez mais trazendo novas tecnologias e formas de manejo para alcançar a máxima eficiência e respostas das plantas à aplicação de potássio: 

1.     Conhecer o potencial produtivo da sua variedade ou híbrido 

Os cultivares de milho são divididos em dois principais tipos: as variedades e os híbridos. Essas cultivares apresentam diferentes potenciais e estabilidade produtiva, que precisam ser bem conhecidos para proporcionar um manejo eficiente da adubação potássica na lavoura. 

No estudo Diagnose nutricional de cultivares de milho (Zea mays l.) de diferentes níveis tecnológicos, a pesquisadora Carla Fernanda Ferreira destacou as seguintes ordens crescentes de concentrações de macronutrientes extraídos pelas variedades e híbridos de milho: 

Para todas as variedades melhoradas e regionais:   K> N> Ca = Mg > P 
Para a maioria dos híbridos avaliados: N> K> Mg > Ca> P 

A principal diferença entre os tipos de cultivares são os cruzamentos, ou seja, o cruzamento natural entre plantas da mesma linhagem resulta em variedades, enquanto o cruzamento controlado entre plantas de linhagens puras diferentes resulta em híbridos. 

O controle ou não dos cruzamentos proporciona diferentes características de produtividade e estabilidade produtiva das cultivares de milho. As sementes das variedades melhoradas são aquelas que apresentam menor potencial produtivo e maior estabilidade produtiva. Já as sementes dos híbridos são as que mais produzem e apresentam uma menor estabilidade produtiva dependendo do híbrido obtido pelo método de melhoramento genético. 

2.     Considerar a finalidade da lavoura 

A produção de grãos ou silagem de milho exige diferentes formas de condução e manejo nutricional do agricultor. Essa diferença acontece porque as caraterísticas finais desejadas em cada lavoura são diferentes. 

O milho destinado para silagem, por exemplo, exige uma maior produção de matéria seca e consequentemente apresenta uma extração maior de nutrientes, incluindo de potássio que pode ser quase o dobro daqueles destinados à produção de grãos.  Com isso, as recomendações de corretivos e fertilizantes precisam se adequar a finalidade da lavoura de milho. 

3.     Introduzir espécies forrageiras para melhor ciclagem de nutrientes  

Grande parte da expansão do milho de segunda safra visto nos últimos anos, se deu em parte, pela crescente adoção de sistemas de sucessão soja/milho. Entretanto, os investimentos em adubações para as culturas de segunda safra, ainda são feitos com certa cautela, devido às restrições climáticas mais severas nesse período. 

Nesse contexto, uma das formas de permitir um melhor aproveitamento da adubação potássica de base feita na primeira safra é com o uso de espécies forrageiras. As espécies forrageiras geralmente apresentam um sistema radicular agressivo, que favorece a melhor ciclagem de nutrientes e a agregação do solo, além de gerar um maior aproveitamento da adubação residual da cultura antecessora. 

No estudo Adubação da sucessão soja e milho consorciado com Brachiaria ruziziensi, o pesquisador Douglas Costa Potrich observou que quando comparados os sistemas de milho consorciado com B. ruziziensis (14,4 t.ha-1) e o milho solteiro (9,9 t.ha-1) foi verificado um índice de lucratividade 8,2% superior no sistema consorciado, ou ainda R$ 205,68 para cada hectare no ano agrícola dos experimentos. 

4.     Investir em fertilizantes potássicos com liberação progressiva de nutrientes 

As perdas de potássio ainda são um problema recorrente nas lavouras, principalmente nos sistemas de sucessão. Ela acontece, porque grande parte das fontes convencionais de adubação potássica são altamente solúveis e liberam todos os nutrientes em um curto período após a aplicação. 

Com isso, parte dos nutrientes que são aplicados acaba se perdendo para as camadas mais profundas do solo, resultando em uma relação custo-benefício menos vantajosa para o agricultor. Para contornar essa limitação, é recomendável o uso de fertilizantes potássicos com liberação progressiva de nutrientes que, como o próprio nome sugere, disponibilizam gradualmente os nutrientes para o solo e para as plantas.   

5.     Aproveitar melhor as relações dos sistemas de cultivo

O milho é uma cultura que está muito inserida nos sistemas de cultivo e cada um deles apresenta diferentes particularidades que podem interferir no seu potencial produtivo e aproveitamento de nutrientes, como o potássio. 

No artigo Nutrição e produtividade da cultura do milho em sistemas de culturas e fontes de adubação, Mônica S. S. M. Costa e outros pesquisadores observaram que o cultivo de milho em sucessão ao trigo proporcionou a maior absorção de potássio e nitrogênio e maior produtividade. 

Nos sistemas de cultivo, é importante avaliar quais as melhores culturas para compor o sistema para alcançar o desempenho desejado. 

6.     Avaliar os métodos de aplicação 

A aplicação de fertilizantes potássicos precisa ser feita com cautela, uma vez que ela pode interferir tanto nas características agronômicas, quanto gerar efeitos indesejáveis.  

As melhores médias de altura da planta, altura de inserção da primeira espiga e diâmetro do caule foram influenciadas pela aplicação de potássio na base e na cobertura (estádio V5); 
Os parâmetros de grãos por planta e rendimento foram influenciados por uma dose maior de potássio em aplicação na base. Já os efeitos indesejáveis podem ser gerados pela falta de parcelamento de fertilizantes com elevado índice salino e teor de cloro, como o Cloreto de Potássio (KCl).  

No artigo Efeito de doses de cloreto de potássio sobre a germinação e o crescimento inicial do milho, em solos com texturas contrastantes, Luis Sangoi e outros pesquisadores verificaram que a aplicação de altas doses de KCl na semeadura reduziu a germinação e o crescimento inicial do milho, principalmente em solos arenosos, com baixo poder tampão. 

7.     Implementar tecnologias da agricultura de precisão 

O avanço das tecnologias da agricultura de precisão também vem permitindo a otimização do manejo do potássio na cultura do milho.  No artigo Avaliação de intervenções em unidades de aplicação localizada de fertilizantes e de populações de milho, José P. Molin e outros pesquisadores destacaram que a adoção das técnicas da agricultura de precisão permite a otimização de recursos disponíveis e fortalece os conceitos de agricultura sustentável.  

Isso se torna possível porque os agricultores passam a considerar a variabilidade espacial dos fatores de produção e aplicam apenas as quantidades necessárias em cada ponto.

O manejo nutricional da cultura do milho tem se tornado cada vez mais eficiente, com o avanço constante das novas tecnologias e estudos. E isso vem permitindo cada vez mais o fortalecimento dos conceitos da agricultura sustentável, ao se aproveitar o máximo potencial dos fertilizantes potássicos na cultura do milho. 

Fonte: verde.ag 


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