Situação das lavouras de milho é preocupante no Rio Grande do Sul

Agronegócio

Situação das lavouras de milho é preocupante no Rio Grande do Sul

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Os números do 3º levantamento sobre as condições das culturas da Emater/RS-Ascar, divulgado na última sexta-feira (18-02), indicam uma produtividade média de 1.950 kg/ha para a cultura do milho no estado. Uma diferença de menos 44,54% em relação à estimativa inicial calculada em 3.516 quilos por hectare.

No levantamento anterior os números levantados na 2ª quinzena de janeiro indicavam 38% de perdas. As regiões mais afetadas são a Sul (Pelotas), com queda de 63% e a Serra (Caxias do Sul) com recio de 60%, onde as lavouras foram plantadas mais tardiamente e sofreram com a falta de umidade praticamente desde o início do seu desenvolvimento. A produção total é estimada em 2,498 milhões de toneladas.

Uma diferença de 25,88% para menos em relação à safra passada que foi de 3,371 milhões. O atual levantamento levou em conta as informações de 286 municípios e se refere à situação da cultura na primeira quinzena de fevereiro.

Nas áreas plantadas a partir de outubro e que hoje representam os 47% que se encontram nas fases de floração e enchimento de grãos, segundo os técnicos da Emater/RS-Ascar, a falta de umidade faz com que as espigas não consigam completar sua formação, anulando toda e qualquer possibilidade na obtenção de rendimentos satisfatórios. Atualmente, 9% do milho está na fase de desenvolvimento vegetativo, 21% maduro e por colher e 23% já colhido.

Soja:

Assim como no milho, também na soja a continuidade do quadro de estiagem vem provocando diminuição nas expectativas quanto aos rendimentos que podem ser obtidos nesta safra. É grande o número de lavouras em que há ocorrência de abortamento floral e queda das vagens em formação inicial. Nas lavouras plantadas mais tardiamente, o murchamento das plantas, por falta de umidade no solo, é o sintoma mais freqüente. Conforme o gerente técnico estadual da Emater/RS-Ascar, Dirlei Matos de Souza, em virtude do estágio das lavouras e da disparidade de cenários encontrados nas diversas regiões, a quantificação das produtividades atuais, em comparação com as inicialmente previstas, ainda está sendo analisada. Na atualidade as lavouras gaúchas se encontram com 14% em desenvolvimento vegetativo, 48%, em floração, e 38% em enchimento de grãos.

Arroz:

No momento, a cultura do arroz é a que se encontra em melhor situação com relação às condições climáticas verificadas nas últimas semanas, isso porque o clima seco e a boa luminosidade, propiciam excelentes condições de desenvolvimento para as plantas. A preocupação está no volume de água ainda acumulado em algumas barragens e na vazão de arroios e rios utilizados para a irrigação. Nos últimos dias a capacidade de irrigação desses mananciais têm diminuído consideravelmente e, alguns produtores, começam a reduzir a entrada de água nos quadros com o objetivo de conseguir chegar até o final do ciclo com uma irrigação, senão ideal, pelo menos parcial. No caso das lavouras que utilizam água das lagoas da região costeira, o problema observado é a salinização das mesmas, o que torna a água imprópria para a irrigação do arroz.

Embora essa situação possa trazer reflexos negativos nos rendimentos das lavouras, é bem provável que a diferença, com relação às expectativas iniciais esperadas para o estado, não seja muito grande. No ano passado, em condições climáticas muito semelhantes, o estado colheu uma de suas maiores safras, com produtividade média acima dos 6,1 mil quilos por hectare. Para a atual, a Emater/RS-Ascar trabalhava com uma expectativa inicial de 5,8 mil quilos por hectare, o que projetaria uma produção de 5,8 milhões de toneladas, nos atuais um milhão de hectares cultivados nesta safra. Devido à distribuição das lavouras entre as distintas fases (33% em desenvolvimento vegetativo, 33% em floração, 29% em enchimento de grão e 5% maduro por colher), se considera prematuro uma quantificação das possíveis perdas.

Hortigranjeiros:

Os problemas com os hortigranjeiros são generalizados, sendo as folhosas as que mais estão sofrendo com essa situação. As altas temperaturas da época, aliadas a grande insolação, tem determinado perdas de produção e qualidade nessas culturas. As hortaliças frutos, como tomate e pimentões, têm sido prejudicadas pelo aparecimento de pragas e doenças.

Na Zona Sul, onde atualmente a estiagem se apresenta mais forte, as culturas vem sofrendo muito. Também devido à insolação e altas temperaturas, tem acontecido o "aprontamento" e a antecipação de colheita de algumas culturas, entrando no mercado, muita quantidade ao mesmo tempo, aumentando momentaneamente a oferta e conseqüente queda nos preços, com mais prejuízos aos produtores.

Na Fronteira Noroeste e Missões, um dos principais produtores de hortigranjeiros dessas regiões, o município de Santa Rosa, já apresenta redução em hortaliças na ordem de 40% da normal, com perdas também em qualidade. O abastecimento complementar dessas áreas está sendo feito com produtos de outras regiões. Na Campanha e Fronteira Oeste, as produções de batata-doce e pimentão que se encontram em colheita, estão apresentando produtividades abaixo das normais.

Frutas:

A forte estiagem comprometeu a cultura da maçã, determinando em pomares a queda de frutos. Na maior parte, poderá haver diminuição do calibre dos frutos, reduzindo o seu tamanho. Em relação a variedade Fuji, poderá haver rachadura dos frutos, se ocorrer chuvas logo após a estiagem. As perdas até o momento são pontuais, com estimativas de redução em 40% nos pomares de Bom Jesus e Vacaria e de 30% nos de Caxias do Sul.

No município de Farroupilha, situado na principal área de produção de Kiwi no estado, as precipitações ocorridas, mesmo que pequenas, abriram possibilidades de alguma melhoria dos pomares, pois apresentaram recuperação parcial da área foliar perdida na estiagem. Os frutos também apresentaram algum desenvolvimento no seu tamanho.

Na Serra gaúcha, a variedade de uvas Bordô, uma das mais cultivadas de ciclo precoce, apresentou redução de 50% em peso após a colheita. Na semana que passou, as chuvas ocorridas em alguns locais na ordem de 10 mm, mostrou que a variedade Isabel teve recuperação, apresentando sinais de hidratação dos grãos que estavam murchos. Como as chuvas ainda são esparsas e de baixa intensidade, está ocorrendo em alguns parreirais, morte de plantas em função de trechos de solos com pouca profundidade.

Criações:

A diminuição da produção leiteira está sendo estimada entre 20 e 25% em média, podendo chegar a valores mais elevados em casos extremos, onde a estiagem é mais intensa. A oferta de pasto é muito baixa, pois a escassa umidade no solo paralisou o crescimento das pastagens nativas e cultivadas. Além disso, a falta de chuvas está promovendo a antecipação do ciclo das forrageiras, afetando não apenas a quantidade, mas também a qualidade do alimento.

A produção de feno de alfafa da região missioneira também vem sendo prejudicada e nem todos os cortes programados puderam ser realizados. Está ocorrendo ataque de pulgões e há plantas morrendo devido a falta de umidade, estimado-se uma quebra em torno de 20%. Nos Campos de Cima da Serra no entanto, as chuvas têm sido suficientes para manter o bom desenvolvimento dos pastos.


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