Situação do frango lembra crise de 2006; mas quanta diferença!
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Agronegócio

Situação do frango lembra crise de 2006; mas quanta diferença!

Neste ano, do Natal para cá, a redução de preços é inferior a 5%
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Exatos seis anos atrás, bem no início de 2006, o mercado do frango também começava a entrar em crise, mas por razões diferentes das atuais. Havia, sim, para aquele momento inicial do ano, um excesso de oferta decorrente de uma produção elevada combinada com a passagem de estoques do final do ano anterior, 2005.


Mas a razão maior para que o setor entrasse em verdadeiro “parafuso” foi a ocorrência, nas portas da Europa (mais exatamente, na Turquia), de casos humanos fatais decorrentes de infecção pelo vírus H5N1 da Influenza Aviária. Então, consumidores em geral passaram a refugar o frango e, internacionalmente, o grande prejudicado foi o maior exportador mundial do produto, o Brasil.

Obviamente, os preços internos do produto refluíram de maneira significativa. Mas não com a intensidade e a rapidez observadas atualmente. Agora, em pouco mais de 30 dias, o preço do frango vivo recuou 34%, enquanto o do frango abatido ficou 25% menor. Lá, tanto a ave viva como a abatida perderam cerca de 36% do preço inicial do ano, mas no decorrer de quase 90 dias, o triplo do tempo atual.


Tudo indica, porém, que a grande diferença entre um e outro momento está no repasse, ao consumidor, da queda de preços. Em 2006, no varejo, o frango abatido chegou a recuar mais de 30% entre o início de janeiro e meados de março. Neste ano, do Natal para cá, a redução de preços é inferior a 5% (R$4,38/kg em 22/12/2011; R$4,23/kg em19/01/2012, conforme o Procon-SP).

As diferenças ficam mais gritantes quando se relacionam os preços nos três segmentos (gráficos abaixo). Em 2006, o frango abatido apresentava, no atacado, um adicional de 42,7% sobre o preço pago pela ave viva, índice que atualmente se encontra em 51,3%. Um acréscimo, portanto, de 8,6 pontos percentuais.


Já no varejo paulistano o adicional, que era de 103,7%, agora se encontra em 182%. E a diferença, neste caso, é de 78,3 pontos percentuais.

Em síntese, entre 2006 e 2012, enquanto a ave viva valorizou-se cerca de 83% e a abatida vendida no atacado 94%, o produto disponibilizado no varejo mantém valorização superior a 150%. Isso torna mais difícil vencer a situação atual, pois o consumidor não se beneficia das perdas enfrentadas pelo produtor.




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