SLC puxa o freio nos investimentos

Agronegócio

SLC puxa o freio nos investimentos

A empresa, maior produtora de algodão do país, interrompe planos de aumentar a área cultivada
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O cenário de altos custos de produção e baixos preços das commodities agrícolas estão levando uma das maiores empresas agropecuárias do país, a SLC Agrícola, a repensar os seus planos de expansão de área cultivada para a próxima safra. A empresa, uma das três maiores no plantio de soja no País e a número 1 em algodão, cultivou no ano passado 102 mil hectares e tem em seu planejamento estratégico a meta de chegar a 2010 cultivando 150 mil hectares.

Os 102 mil hectares plantados na safra atual, diz o presidente da holding SLC Participações, Eduardo Logemann, representam a extensão máxima que pode ser aproveitada nas áreas das sete fazendas da companhia gaúcha. As propriedades – três no Maranhão, duas no Mato Grosso do Sul, uma no Mato Grosso e outra em Goiás – somam 125 mil hectares.

Freio nos investimentos:

Para elevar a área cultivada, lembra Logemann, a SLC teria de partir para novas aquisições, algo que não está hoje nos planos devido à conjuntura de preços reduzidos dos produtos agrícolas e valorização da terra causada pelo avanço dos grãos nas regiões de fronteira agrícola.

Os 102 mil hectares plantados na safra atual representaram um crescimento de 12% sobre a do ciclo anterior. "Este ano não vamos comprar nada. Se crescermos na próxima safra, será por arrendamentos. Mas podemos nem crescer", avisa Logemann, lembrando que, quando o grupo voltar a adquirir terras, buscará extensões sempre acima de 15 mil hectares. O empresário acrescenta que, na tentativa de reduzir os gastos, a SLC Agrícola está partindo para a negociação direta com fornecedores para buscar preços melhores. "O preço de fertilizantes e máquinas subiu muito", exemplifica. Corretivos, fertilizantes e defensivos correspondem a 47% do custo de produção da soja e 67% no caso do cultivo do algodão.

A queda dos preços agrícolas verificada ano passado, aliada ao fator cambial, já afetou o resultado da empresa no ano de 2004. O inicialmente projetado era um faturamento bruto da ordem de R$ 320 milhões, mas o obtido foi de R$ 285 milhões – mesmo assim, um crescimento de 21% em relação a 2003. Para este ano, a expectativa da empresa é, agora sim, ultrapassar a barreira de R$ 320 milhões.

Da área plantada pela SLC Agrícola, as principais culturas são a soja, com 55,4 mil hectares, o algodão, com 32 mil hectares, e o milho, que ocupa uma extensão de 10 mil hectares. A empresa se dedica ainda às lavouras de café, tomate, ervilha e girassol.

A área cultivada deve resultar em uma colheita total de 417 mil toneladas, das quais 188,3 mil toneladas de soja, 137,6 mil toneladas de algodão e 59 mil toneladas de milho na safra 2004/05.

Torrefação própria:

A empresa, que planta cafezais em Goiás, avalia a possibilidade de investir em uma indústria própria de torrefação e em ter uma marca própria de café torrado e moído para o varejo.

Apesar de a soja ocupar uma área maior, cerca de 55% do faturamento da empresa vem do algodão. Logemann, também vice-presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), comemora a recente vitória sobre os EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios à produção e exportação, o que poderá levar o País a até triplicar a área cultivada. Mas no caso da SLC, assegura Logemann, o algodão não deve avançar sobre o espaço dos grãos. As razões, aponta o empresário, são a necessidade de realizar rotação de culturas e os custos da cotonicultura, bem maiores em relação à soja, por exemplo. Mas o empresário acredita que com o fim dos subsídios norte-americanos, fator que deprimia as cotações, "o preço do algodão deve subir entre 10% e 15% no longo prazo".

Para plantar a área atual, a SLC Agrícola conta com uma frota de 671 máquinas, entre tratores, colheitadeiras, plantadeiras, pulverizadores e outros veículos. A empresa dispõe ainda de uma capacidade própria de armazenagem de 183 mil toneladas.


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